O que dizem 5 estudos sobre ‘Game of Thrones’ feitos no Brasil

Estreia neste domingo (14) a última temporada da série de TV mais popular do mundo – inclusive entre acadêmicos

 

Estreia neste domingo (14) a oitava e última temporada de “Game of Thrones”, série do canal de TV americano HBO. Serão transmitidos seis episódios, um por semana, até 19 de maio de 2019.

O programa é baseado na saga escrita por George R.R. Martin chamada “A Song of Ice and Fire” (As Crônicas de Gelo e Fogo, em português). Até o momento, foram publicados cinco volumes – o autor promete ainda entregar mais dois. Os livros narram uma guerra de dinastias fictícias pelo reino de Westeros.

Desde a estreia na TV, em 2011, esta é a temporada que despertou maior interesse nas buscas do Google no Brasil. Comparado à semana pré-lançamento da sétima temporada, o interesse é 60% maior.

A série de TV é a mais popular do mundo, de acordo com o Guinness Book. O último episódio da sétima temporada, exibido em 27 de agosto de 2017, registrou recorde de audiência, com 16,5 milhões de espectadores só nos Estados Unidos. A série também é a mais premiada pelo Emmy, que destaca as melhores produções da TV.

A série atrai diversos tipos de fãs. Entre eles, muitos cientistas e acadêmicos. A saga de fantasia desengavetou narrativas relacionadas a acontecimentos históricos, como a Guerra das Rosas (1455 -1485),  uma das disputas mais importantes pelo trono da Inglaterra no século 15. Ainda pautou discussões sobre mudanças climáticas, simbolizadas pela frase “o inverno está chegando”, proferida diversas vezes ao longo da trama, como ameaça ao mundo todo, enquanto governantes disputam o poder.

 

Entre a fantasia e a ciência

Desde 2011, o programa inspirou estudos em diferentes campos. Na Universidade de Macalester, nos Estados Unidos, os matemáticos Andrew Beveridge e Jie Shan fizeram um algoritmo para determinar quem é o personagem mais importante da trama (ao todo, são 553). Segundo o estudo, o protagonista é o lorde Tyrion Lannister, interpretado pelo ator Peter Dinklage.

Na Universidade Central da Europa, na Hungria, o físico Milán Janosov mapeou as conexões entre os diversos personagens e fez um algoritmo para estimar a probabilidade de sobreviverem até o final do seriado, cujo roteiro é famoso por reviravoltas e mortes inesperadas. De acordo com a pesquisa, Daenerys Targaryen (interpretada por Emilia Clarke), a última representante da família Targaryen, que reivindica o reinado de Westeros, tem 80% de chance de morrer.

Na Universidade Macquarie, na Austrália, os epidemiologistas Reidar Lystad e Benjamin Brown revisaram as mortes dos principais personagens da série para analisar as taxas de mortalidade na história, considerando alianças, classe e gênero. Os resultados indicaram que nobres e mulheres têm mais chance de sobrevivência.

Os estudos no Brasil

No Brasil, segundo dados consultados no Catálogo de Teses e Dissertações da Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior), 18 trabalhos científicos relacionados a “Game of Thrones” já foram produzidos: são 17 dissertações de mestrado e uma tese de doutorado.

 

Os estudos foram defendidos em programas de pós-graduação principalmente nas áreas de Comunicação e Letras, em instituições particulares (como PUC-RS e Universidade Anhembi-Morumbi, em São Paulo) e públicas (entre elas, as universidades federais de São Carlos, Santa Catarina, Ouro Preto e Pelotas). Leia abaixo o que dizem cinco dessas pesquisas.

4 dissertações, 1 tese

The winter is coming: a ‘Social TV’ entre Brasil e Portugal através de ‘Game of Thrones’

Nesta tese de doutorado defendida na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, em Porto Alegre (RS), em 2017, o pesquisador Mateus Dias Vilela discute como a série ultrapassa a TV e domina Facebook e Twitter, principalmente no Brasil e em Portugal, que são considerados grandes mercados das redes sociais. Segundo o autor, esse fenômeno é conhecido como “social TV”, a integração de novas tecnologias à experiência de assistir programas de televisão. Vilela fez parte da pesquisa no Brasil e na Universidade do Minho, em Portugal. Atualmente é professor nos cursos de Jornalismo, Design e Publicidade e Propaganda na Faculdade SATC, em Criciúma (SC).

Game of Torrents: pirataria e cultura de fãs em ‘Game of Thrones’

Nesta dissertação de mestrado defendida na Universidade Federal de Juiz de Fora (MG), em 2018, a comunicóloga Roberta Mauricio Garcia discute o papel dos downloads ilegais dos episódios (via arquivos torrent) e a cultura dos spoilers como fatores para alavancar a audiência e a popularidade da série – que, segundo reportagem da BBC, é a produção mais pirateada do mundo. A autora fez levantamentos quantitativos para mapear o consumo dos fãs brasileiros e constatou que, em 2017, 52% assistiram à série nos canais oficiais da HBO (streaming ou TV) e 48% recorreram a fontes ilegais na internet.

O culto no universo fandom: dinâmicas afetivas e sociais em comunidades de fãs no ciberespaço

Nesta dissertação de mestrado defendida na Universidade do Estado do Rio de Janeiro, em 2014, a pesquisadora Adriana Correa Silva Porto fez um estudo de caso do fórum de discussão “Ice and Fire” para discutir a cultura “fandom” (fãs que se articulam e se comunicam virtualmente), que pode se expressar em “fanfiction” e “cosplays”. Também discute uma questão levantada pelos próprios fãs: a ideia que a série rompe com o modelo narrativo da “jornada do herói”, com a morte inesperada do lorde Eddard Stark (interpretado por Sean Bean, que também atuou em “O Senhor dos Anéis”).

Um jogo de rainhas: as mulheres de ‘Game of Thrones’

Nesta dissertação de mestrado defendida na Universidade Federal de Juiz de Fora (MG), em 2015, a jornalista Paloma Rodrigues Destro Couto argumenta que a narrativa de “Game of Thrones” pode ser lida como uma metáfora da sociedade atual, marcada por conflitos de identidade e representações de gênero. Segundo a autora, na série, quem toma decisões, determina guerras e lidera são mulheres, como Cersei Lannister, Catelyn Stark e Daenerys Targaryen.

Personagens e universos narrativos em adaptações e narrativas transmídia: análise de ‘A dança dos dragões’ e produtos derivados

Nesta dissertação de mestrado defendida na Universidade Federal de Ouro Preto (MG), em 2017, a atualmente doutoranda Aline Monteiro Xavier aborda uma antiga questão (livro ou filme, o que é melhor?) a partir de uma ideia recente (“narrativa transmídia”, que se desdobra em diferentes mídias). A autora analisa três produtos dentro do universo de “As Crônicas de Gelo e Fogo”: o livro “A Dança dos Dragões”, o quinto da saga; a quinta temporada da série “Game of Thrones”; e o jogo de videogame da Telltale. Segundo a autora, esse universo narrativo tende a continuar crescendo, com novos livros de George R. R. Martin, “fanfics” e “spin-offs”. A tendência confirmou-se: a HBO sinalizou a produção de outras cinco séries derivadas.

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