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Quais as universidades mais inclusivas e diversas do mundo

Ranking da revista britânica Times Higher Education destaca instituições que promovem ações de sustentabilidade, igualdade de gênero e políticas para redução da desigualdade

 

Quinze universidades brasileiras estão entre as mais inclusivas e diversas do mundo, de acordo com o ranking University Impact Rankings 2019 (impacto das universidades, em tradução livre), realizado pela publicação britânica Times Higher Education, que desde 2004 avalia instituições de ensino superior do mundo todo.

Lançada nesta quarta-feira (3), esta é a primeira versão do ranking pautada por “impacto”, a partir de critérios como promoção de ações de sustentabilidade, igualdade de gênero e políticas para redução da desigualdade social.

Em geral, avaliações de universidades costumam considerar outros critérios, como produtividade científica, prêmios, patentes e demais atividades de ensino e pesquisa.

O levantamento avaliou 462 universidades de 76 países, que enviaram informações referentes ao ano letivo de 2017. A metodologia foi desenvolvida em parceria com a empresa britânica Vertigo Ventures e a editora holandesa Elsevier.

O que é ‘impacto’

O ranking considerou como parâmetros 11 dos 17 ODS (Objetivos do Desenvolvimento Sustentável) das Nações Unidas, uma série de diretrizes sociais, econômicas e ambientais para promover mudanças até 2030.

Os 11 critérios

  1. Assegurar uma vida saudável e promover o bem-estar
  2. Assegurar uma educação inclusiva, equitativa e de qualidade, e promover oportunidades de aprendizagem
  3. Alcançar a igualdade de gênero e empoderar mulheres e meninas
  4. Promover o crescimento econômico inclusivo e sustentável, emprego pleno e produtivo e trabalho decente
  5. Construir infraestruturas resilientes, promover a industrialização sustentável e fomentar a inovação
  6. Reduzir a desigualdade dentro dos países e entre eles
  7. Tornar as cidades e os assentamentos humanos inclusivos, seguros, resilientes e sustentáveis
  8. Assegurar padrões de produção e de consumo sustentáveis
  9. Tomar medidas urgentes para combater a mudança climática e seus impactos
  10. Promover sociedades pacíficas, proporcionar o acesso à justiça para todos e construir instituições eficazes
  11. Fortalecer os meios de implementação e revitalizar a parceria global para o desenvolvimento sustentável

Esta é a primeira vez que uma avaliação internacional considera indicadores que, no Brasil, são considerados “extensão universitária” (a relação das universidades com a sociedade ao seu redor), destacou a jornalista Sabine Righetti, organizadora do Ranking Universitário Folha, do jornal Folha de S.Paulo.

Indicadores como o desenvolvimento de pesquisas científicas sobre desigualdades, a presença de políticas de inclusão e diversidade na contratação de profissionais e na admissão de estudantes contaram pontos no ranking da Times Higher Education. Ter mulheres em cargos de liderança e acolher estudantes de países em desenvolvimento com ajuda financeira, também.

Os destaques

A Universidade de Auckland, a maior da Nova Zelândia, ficou na primeira posição do ranking geral.

As universidades de mais impacto

  1. Universidade de Auckland (Nova Zelândia)
  2. Universidade McMaster (Canadá)
  3. Universidade da Colúmbia Britânica (Canadá) e Universidade de Manchester (Reino Unido)
  4. King’s College London (Reino Unido)
  5. Universidade de Gotemburgo (Suécia)
  6. KTH Instituto Real de Tecnologia (Suécia) e Universidade de Montreal (Canadá)
  7. Universidade da Bologna (Itália)
  8. Universidade de Hong Kong (Hong Kong)

O levantamento também destacou instituições por categoria. Auckland, por exemplo, lidera nos quesitos de bem-estar (critério 1) e cooperação internacional (critério 11).

A Universidade de Gotemburgo, por sua vez, se destacou no compromisso com a educação inclusiva (critério 2). A Universidade da Colúmbia Britânica, na questão da mudança climática (critério 13).

Há instituições que não ficaram nas primeiras posições do ranking geral, mas que se destacaram em categorias específicas. Entre elas, a Universidade de Western Sydney, na Austrália, lidera o critério de igualdade de gênero, por promover estudos de gênero e políticas para contratar mulheres.

O Canadá registrou as universidades com as notas mais altas do levantamento (uma média de 86,6 de 100 pontos). O Japão, por sua vez, teve o maior número de instituições citadas (41), seguido por Estados Unidos (31) e Rússia (30).

Ao todo, 15 universidades figuraram no ranking: 7 federais, 4 estaduais e 4 particulares (Uninove, Unisinos, PUC-PR e UVV-ES).

Elas não foram citadas em posições específicas no ranking geral. Assim como instituições de outros países, foram listadas de acordo com os intervalos da 101ª à 200ª posição (101-200), da 201ª à 300ª posição (201-300) e da 300ª posição em diante (+301).

As 15 universidades brasileiras no ranking

  • Universidade Federal do ABC (101-200)
  • Universidade Federal do Ceará (101-200)
  • Universidade Federal de São Paulo (101-200)
  • Universidade Nove de Julho - Uninove (101-200)
  • Universidade Estadual de Londrina, Paraná (201-300)
  • Universidade Estadual do Ceará (+301)
  • Universidade Federal de Itajubá, Minas Gerais (+301)
  • Universidade Federal Rural do Semi-Árido, Rio Grande do Norte (+301)
  • Universidade Federal de Santa Maria, Rio Grande do Sul (+301)
  • Universidade Tecnológica Federal do Paraná (+301)
  • Pontifícia Universidade Católica do Paraná (+301)
  • Universidade do Vale do Rio dos Sinos - Unisinos (+301)
  • Universidade Estadual de Santa Cruz, Bahia (+301)
  • Universidade Vila Velha, Espírito Santo (+301)
  • Universidade Estadual do Oeste do Paraná (+301)

Outros rankings

No World University Ranking, a avaliação anual tradicional da Times Higher Education (que não prioriza o impacto, mas indicadores como a produtividade científica), a Universidade de São Paulo é a única brasileira elencada entre as 300 melhores do mundo. Na edição de 2019, as britânicas Cambridge e Oxford dividem a primeira posição.

Além dos rankings da Times Higher Education, outros levantamentos classificam instituições de ensino superior no mundo todo. O pioneiro é o chinês Academic Ranking of World Universities, da Universidade Shanghai Jiao Tong. O britânico QS World University Rankings é um dos maiores atualmente. 

Segundo a análise de Peter Schulz, professor da Universidade de Campinas, rankings universitários se tornaram um “fenômeno cultural”. “Hoje temos rankings com origens em diferentes países, da Inglaterra aos Emirados Árabes Unidos, globais ou regionais, específicos por áreas do conhecimento, com diferentes metodologias, enfocando distintos aspectos”, escreveu.

Em setembro de 2018, três universidades paulistas (USP, Unesp e Unicamp) criaram “núcleos de inteligência” para monitorar a própria performance acadêmica em rankings internacionais.

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