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Quais os sinais de desânimo da economia brasileira

Economistas reduzem projeções de crescimento para o Produto Interno Bruto em março

     

    Há grandes possibilidades de a economia brasileira frustrar novamente as previsões em 2019. Nos últimos oito anos, em sete o crescimento do Produto Interno Bruto foi menor do que agentes econômicos projetavam em janeiro.

     

    O primeiro resultado parcial do PIB de 2019 será divulgado apenas em 30 de maio. Mas mesmo antes do primeiro número, a história vai se repetindo e o otimismo diminuindo à medida em que são divulgados resultados de índices setoriais e preliminares.

     

    Empresários, investidores e economistas trabalham com indícios, dados que apontam o ritmo da economia brasileira. E eles têm sido, em grande parte, desanimadores, como mostram as projeções de crescimento do PIB.

     

    As expectativas

     

    O relatório Focus, documento em que o Banco Central reúne semanalmente as projeções das principais instituições do país para a economia, trouxe na segunda-feira (1) a projeção mais baixa para o PIB de 2019 desde o início das coletas, em abril de 2017.

     

    A mediana das expectativas aponta que agentes econômicos esperam um crescimento de 1,98% para o PIB no ano. Isso é 1,02 ponto percentual menos do que se esperava para 2019 um ano atrás, quando a expectativa era de que o PIB cresceria 3% esse ano.

     

    O relatório mais recente, que colheu projeções no fim de março, mostrou que as expectativas pioraram sistematicamente no mês passado. Houve redução em todas as semanas.

    Quedas seguidas em março

     

     

     

    O Banco Central começa a perguntar o resultado esperado para o PIB com mais de um ano de antecedência. Ou seja, desde 2017 os economistas já depositam seus palpites para 2019 – e atualmente já há projeções para 2020.

     

    Durante a maior parte do primeiro semestre de 2018, a projeção para o crescimento do PIB em 2019 foi de 3%. Naquele momento, havia quem apostasse em um crescimento de 4,6%. Ninguém projetava um crescimento menor que 1,5%.

     

    Desde o início desse ano, houve piora nas expectativas. No fim de março, tanto a mediana quanto a máxima e a mínima estavam em seus menores pontos desde o início de 2019. Se há um ano o palpite central do mercado era de um crescimento de 3%, hoje este é o número da projeção do agente econômico mais otimista do país.

    Piora das expectativas

     

    A piora das projeções é consequência e causa da lenta recuperação econômica. Por um lado, o otimismo dos números esperados para o futuro diminui quando a economia não mostra força. Por outro, quanto mais pessimistas estão os agentes econômicos e suas projeções, mais difícil se torna o aumento de confiança e a recuperação.

    Emprego

    O desemprego segue alto no Brasil e aumentou mais que o esperado no início de 2019. Elevações da taxa de desocupação são normais nos primeiros resultados do ano, aconteceu assim em todos os anos desde o início da PNAD Contínua, em 2012. Historicamente, a taxa cresce no primeiro trimestre e cai durante os outros três.

    O que desanimou economistas foi a magnitude do aumento no desemprego. Se o mercado de trabalho estivesse em uma recuperação mais forte, essa elevação da taxa deveria ser menor, com o número começando a cair mais forte a partir do segundo trimestre.

    Com o desemprego alto, as pessoas seguem sem poder fazer investimentos mais importantes. Comprar casa, carro, móveis mais caros é difícil para quem não tem emprego, para quem não tem emprego fixo ou mesmo para quem teme perder o emprego. Com o mercado de trabalho ruim, dificilmente o consumo das famílias, um dos principais componentes do PIB, vai puxar a recuperação.

    Desemprego alto

     

    Confiança

    A confiança de consumidores e empresários é um importante sinalizador da atividade econômica. Ela é um indício sobre o quanto esses dois grupos de agentes econômicos estão dispostos a gastar no futuro próximo.

    Esses índices, na medição do Ibre (Instituto Brasileiro de Economia) da FGV (Fundação Getúlio Vargas), atingiram o fundo do poço em 2016, no pior momento da crise econômica. Nos dois anos seguintes, houve crescimento.

    A mais recente onda de otimismo aconteceu no período da eleição. À medida em que Jair Bolsonaro foi se consolidando como favorito, as pessoas e os empresários começaram a acreditar que a economia ia melhorar. A partir de janeiro, no entanto, os índices recuaram.

    Duas quedas em 2019

     

    Dados setoriais

    Os primeiros índices da economia real divulgados em 2019 também contribuem para a redução de expectativas de crescimento do PIB. Índices de produção industrial, vendas no comércio e setor de serviços também mostram uma economia crescendo pouco. Na comparação com o início de 2018, nenhum dos setores apresentou resultado de crescimento acumulado melhor que o 1,98% que o Focus projeta para a economia inteira em 2019.

    O gráfico abaixo mostra a variação da produção industrial, do volume de vendas no varejo e do setor de serviços. Todos os dados sofreram ajustes sazonais pelo IBGE para amenizar as diferenças entre os meses do ano.

    Perto de zero

     

    Instituições que produzem índices que, de alguma maneira, tentam antecipar o resultado do PIB também apontam para um crescimento modesto. O Monitor do PIB, calculado pelo Ibre, mostrou em janeiro um crescimento de 1,1% em relação a janeiro de 2018.

    O IBC-Br, índice de atividade econômica gerado pelo Banco Central, teve resultado parecido. Pelas contas do BC, a economia recuou 0,41% em janeiro em relação a dezembro de 2018. Na comparação com o mesmo mês do ano anterior, houve um crescimento de 0,9%.

     

     

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