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Eles atuam no Brasil. E estão na lista de cientistas mais citados

Lista Highly Cited Researchers destaca 6.078 pesquisadores que, entre 2006 e 2016, publicaram artigos acadêmicos influentes em 21 áreas do conhecimento. Entre eles, 11 brasileiros, um americano e uma portuguesa que trabalham no país

 

Treze cientistas ativos no Brasil estão na lista “Highly Cited Researchers 2018” (pesquisadores altamente citados, em tradução livre), organizada pela empresa americana de análise de dados Clarivate Analytics.

O levantamento destacou 6.078 pesquisadores mais influentes entre 2006 e 2016. Eles assinaram os artigos mais citados por acadêmicos no mundo todo. Entre eles, 4.058 atuam em 21 áreas do conhecimento, e 2.020 transitam em mais de um campo científico.

Atualmente, estima-se que há 9 milhões de cientistas em atividade no mundo todo. A base de dados utilizada no estudo foi a Web of Science, uma plataforma internacional de indexação de citações científicas mantida pela Clarivate Analytics.

A quinta edição da lista, do fim de 2018, destacou jovens pesquisadores e veteranos, como 17 vencedores do Prêmio Nobel.

Segundo o levantamento, os pesquisadores mais influentes estão concentrados nos Estados Unidos (43,4%). E a universidade que reúne o maior número de autores altamente citados é a Harvard. Na sequência estão cientistas do Reino Unido (9%) e da China (7,9%).

Top 10

  1. Estados Unidos (2.639 pesquisadores)
  2. Reino Unido (546 pesquisadores)
  3. China (482 pesquisadores)
  4. Alemanha (356 pesquisadores)
  5. Austrália (245 pesquisadores)
  6. Holanda (189 pesquisadores)
  7. Canadá (166 pesquisadores)
  8. França (157 pesquisadores)
  9. Suíça (133 pesquisadores)
  10. Espanha (115 pesquisadores)

O Brasil está na 32ª posição entre os 60 países elencados.

Entre os pesquisadores ativos no Brasil mais citados, quatro são professores da Universidade de São Paulo.

Ao todo, são 11 brasileiros, uma bióloga portuguesa (vinculada à Universidade Federal de Goiás) e um médico americano (à Universidade Sul de Santa Catarina) - segundo a lista, os estrangeiros entram na conta pois suas instituições primárias estão no Brasil.

Os cientistas que atuam no Brasil

Paulo Artaxo

Professor titular do Departamento de Física Aplicada da Universidade de São Paulo, o físico Paulo Artaxo publicou mais de 400 artigos científicos e apresentou 1.020 trabalhos em conferências científicas internacionais sobre mudanças climáticas globais, entre outros temas. Atuou na agência espacial americana, a Nasa, e na Universidade Harvard, nos Estados Unidos. Integra a equipe do IPCC (Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas) que foi contemplada com o Prêmio Nobel da Paz de 2007.

Álvaro Avezum

Diretor da Divisão de Pesquisa do Instituto de Cardiologia Dante Pazzanese, em São Paulo, o médico Álvaro Avezum desenvolve pesquisas clínicas e epidemiológicas internacionais sobre doenças cardiovasculares. Em 2015, também foi um dos cientistas brasileiros destacados no levantamento “The World’s Most Influential Scientific Minds” (as mentes científicas mais influentes do mundo, em tradução livre), realizado pela consultoria Thomson Reuters.

Luisa Gigante Carvalheiro

Desde 2018 no quadro docente da Universidade Federal de Goiás, a bióloga portuguesa Luisa Gigante Carvalheiro pesquisa o impacto das mudanças climáticas no funcionamento dos ecossistemas, por exemplo, na polinização de espécies agrícolas e no controle de pragas. No Brasil desde 2015, também desenvolveu pesquisas durante o pós-doutorado na Universidade de Brasília, no programa Atração de Jovens Talentos, do Ciências Sem Fronteiras.

Adriano Gomes da Cruz

Professor do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio de Janeiro, em Niterói, o engenheiro químico Adriano Gomes da Cruz atua na área de ciência e tecnologia dos alimentos, principalmente leite e produtos derivados. Colabora com instituições internacionais, como as universidades de Foggia (Itália), Minho (Portugal) e Melbourne (Austrália).

Daniel Granato

Professor-adjunto da Universidade Estadual de Ponta Grossa, no Paraná, o engenheiro de alimentos Daniel Granato pesquisa alimentos funcionais de origem vegetal e animal. Um desdobramento de sua tese de doutorado, sobre a atividade antioxidante de uvas, recebeu o prêmio Tanner Award como o artigo mais citado do periódico científico Journal of Food Science, entre 2015 e 2017.

Miriam Dupas Hubinger

Professora titular da Universidade de Campinas, a engenheira de alimentos Miriam Hubinger pesquisa “microencapsulação”, uma tecnologia para proteger compostos bioativos dos alimentos, como o açaí. Hubinger também recebeu o Prêmio Samuel Benchimol para Desenvolvimento da Amazônia, em 2008, e o Prêmio Mercosul de Ciência e Tecnologia, em 2009.

Paulo Andrade Lotufo

Professor titular da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, o médico Paulo Andrade Lotufo atua nas áreas de bioestatística e epidemiologia, à frente de pesquisas sobre insuficiência coronariana aguda e acidente vascular cerebral. Diretor da divisão de Clínica Médica e coordenador do Centro de Pesquisa Clínica e Epidemiológica da universidade, é um dos colaboradores do estudo internacional “Global Burden of Diseases”.

Ana Maria Baptista Menezes

Professora titular aposentada da Universidade Federal de Pelotas, no Rio Grande do Sul, a médica Ana Maria Baptista Menezes desenvolve pesquisas na área de pneumologia, principalmente sobre as relações entre doenças pulmonares obstrutivas crônicas (como bronquite e enfisema) e tabagismo.

Carlos Augusto Monteiro

Docente da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo desde 1989 e membro titular da Academia Brasileira de Ciências desde 2008, o médico Carlos Augusto Monteiro desenvolve pesquisas na área de nutrição. Uma de suas pesquisas investiga a relação entre o aleitamento materno e a queda da mortalidade infantil em países em desenvolvimento.

Guilherme Vanoni Polanczyk

Professor de Psiquiatria da Infância e Adolescência da Faculdade de Medicina e coordenador do Núcleo de Pesquisa em Neurodesenvolvimento e Saúde Mental da Universidade de São Paulo,  o médico Guilherme Vanoni Polanczyk é autor de pesquisas sobre o impacto da pobreza no desenvolvimento social e emocional de crianças pré-escolares, entre outros temas.

Renata Valeriano Tonon

Pesquisadora da Embrapa Agroindústria de Alimentos e professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro, a engenheira de alimentos Renata Valeriano Tonon pesquisa alimentos funcionais enriquecidos com pró-bióticos. Um de seus projetos mais recentes investigou o potencial da juçara, um fruto da Mata Atlântica de composição semelhante ao açaí, como alternativa a produtos lácteos tradicionais.

Jeffrey A. Towbin

Professor da Universidade do Tennessee, nos Estados Unidos, o médico americano Jeffrey A. Towbin foi considerado colaborador primariamente vinculado à Universidade do Sul de Santa Catarina segundo o levantamento. Towbin assina ao menos quatro artigos da série “Global Burden Disease” publicada no periódico científico Lancet, ao lado de Jefferson Luiz Traebert, da Unisul. Em 2018, devido à participação nessa série de estudos epidemiológicos, a universidade subiu 33 posições no Ranking Universitário Folha, por exemplo.

Cesar G. Victora

Professor emérito da Universidade Federal de Pelotas, no Rio Grande do Sul, o epidemiologista Cesar G. Victora realizou pesquisas em mais de 40 países, assessorando a Organização Mundial da Saúde. Um de seus projetos mais destacados investigou a importância do aleitamento materno para prevenir a mortalidade infantil, influenciando políticas públicas em mais de 140 países. Recebeu o Prêmio Abraham Horwitz, da Organização Pan-Americana de Saúde, em 2008, entre outros.

Outros indicadores e investimento

O número de citações é considerado um indicador parcial da relevância de um trabalho científico.

Há outras maneiras de avaliar a qualidade de um pesquisador além das publicações, como orientações, liderança de projetos e internacionalização de pesquisas.

Em entrevista ao jornal Valor Econômico, em 29 de março de 2019, o biólogo Fernando Reinach destacou que muitos intelectuais importantes dificilmente seriam lembrados nessas listas de autores mais citados, pois seus trabalhos, embora relevantes, não têm repercussão numérica muito alta. Reinach cita como exemplo o matemático Arthur Ávila, que ganhou a Medalha Fields, em 2014.

Em post no jornal O Estado de S. Paulo, em 29 de março de 2015, o jornalista Herton Escobar argumentou que é difícil comparar a qualidade de pesquisadores acadêmicos a partir de um único indicador. Escobar se referia à divulgação de um ranking preparado pelo Cybermetrics Lab a partir de dados do Google Scholar.

“O Brasil, felizmente, apesar de todas as dificuldades, tem cientistas de altíssima competência em diversas áreas. E não há nenhuma ‘métrica universal’ que permita comparar a qualidade de todos eles numa tacada só”, analisou.

Em entrevista à Agência Brasil, em 6 de dezembro de 2018, ao comentar a inclusão de cientistas brasileiros na lista da Clarivate Analytics, o físico Paulo Artaxo destacou a necessidade de investimento para ciência e tecnologia.

“O recado é que estar nessa lista dos pesquisadores mais citados no mundo mostra que o Brasil tem enorme potencial de produção científica, mas não está sendo devidamente aproveitado pela falta de investimento. Isso atrasa o nosso desenvolvimento e atrasa implementação de políticas públicas baseadas em ciência”, criticou.

 

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