Ir direto ao conteúdo

O impacto da criação de vagas em fevereiro em 5 gráficos

Cadastro do Ministério da Economia mostra que país cria postos de trabalho há mais de um ano, mas número ainda é pequeno perto de perdas da crise

     

    O Brasil criou, em fevereiro de 2019, 173 mil vagas de trabalho formal. O número é a diferença entre todos os contratados e demitidos no país no período, saldo registrado no Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) do Ministério da Economia.

    O saldo positivo faz do resultado o melhor para o mês de fevereiro desde 2014. Ainda assim, no cômputo geral, a desocupação segue afligindo milhões de brasileiros.

    O mercado de trabalho é bastante afetado pela sazonalidade, com períodos do ano marcados por contratações e outros por demissões. Fevereiro, historicamente, é um mês de números positivos. A exceção aconteceu em 2016, quando o país estava no auge da recessão.

    Mesmo mês, anos anteriores

     

    A criação de vagas no mês de fevereiro aconteceu, majoritariamente, nas regiões mais ricas do país. O saldo do Sul e do Sudeste, somados, representam 97% das 173 mil vagas criadas. No Nordeste houve fechamento de 12 mil vagas.

    Distribuição das vagas

     

    A onda de criação de vagas

    Com o resultado de fevereiro, o Brasil criou vagas em 11 dos últimos 12 meses. Mais do que isso, o saldo do Caged foi positivo em 21 dos últimos 26 meses desde o início de 2017.

    Nos últimos 12 meses

     

    A sequência de resultados positivos, interrompidos principalmente pelos meses de dezembro, historicamente um mês ruim para o Caged, faz com que o Brasil comece a recuperar um pouco do que foi perdido durante a crise.

    Um dado que exemplifica a lenta recuperação é a evolução do saldo de empregos formais em 12 meses. Nele, é possível ver quantas vagas o Brasil abriu ou fechou levando em consideração um mês específico e os onze anteriores. O dado, por considerar todos os 12 meses de um ano, elimina os efeitos da sazonalidade.

    A partir de 2014, é possível ver que o Brasil vai diminuindo fortemente a criação de empregos formais até atingir o patamar negativo no início de 2015. Durante três anos quase completos, o saldo de empregos em doze meses foi sempre negativo. A recuperação que aconteceu a partir de 2018 ainda está longe de compensar parcela significativa das perdas.

    No fundo do poço, no início de 2016, o Brasil chegou a fechar 1,8 milhão de vagas em apenas um ano. No resultado mais recente, a criação de vagas em 12 meses (entre março de 2018 e fevereiro de 2019) é de cerca de um terço disso.

    Trajetória

     

    As perdas, e a insuficiente recuperação, podem ser mais bem percebidas quando se mede quantos são todos os empregos formais existentes no Brasil. No fim de 2014, o Brasil chegou a ter 41,3 milhões de trabalhadores contratados com carteira assinada. Em 2017, esse número chegou a 37,9 milhões, 3,4 milhões a menos.

    Toda a recuperação do último ano fez o país chegar a 38,6 milhões, número ainda inferior ao do período pré-crise. A situação é ainda mais grave quando se leva em conta que durante os cinco anos a população do país cresceu. Ou seja, há mais pessoas e menos empregos.

    O estoque

     

    As diferenças com a Pnad

    O Caged é um levantamento mais limitado, ainda que mais preciso, que a Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Mas é o dado do IBGE o índice oficial de desemprego no Brasil.

    A Pnad é mais ampla porque não considera apenas o emprego formal, conta a informalidade, os bicos, os trabalhadores por conta própria e várias outras situações. Por outro lado, ela é feita por amostragem. A partir de 211 mil domicílios visitados a cada três meses, o IBGE estima o Brasil inteiro. O Caged é um cadastro. Ele só conta os empregados devidamente registrados na Secretaria de Previdência e Trabalho, mas é mais preciso.

    Uma diferença importante entre o dado do Caged e o da Pnad está na sazonalidade. Para o cadastro, dezembro é o pior mês. Na Pnad os piores resultados costumam vir nos primeiros meses do ano.

    A diferença está na metodologia. O Caged mede o saldo de empregos formais no período avaliado, contratos feitos e desfeitos, enquanto a Pnad avalia a situação presente do brasileiro em relação ao mercado de trabalho, se está ocupado ou não. Dezembro é um mês, tradicionalmente, de muitas demissões - por isso ruim para o Caged. Mas o trabalhador demitido em dezembro só vai relatar a desocupação à Pnad nos meses seguintes.

    Ambas as pesquisas mostram uma lenta recuperação no mercado de trabalho. O país segue, segundo a Pnad mais recente, com 12,7 milhões de pessoas desempregadas.

    Todos os conteúdos publicados no Nexo têm assinatura de seus autores. Para saber mais sobre eles e o processo de edição dos conteúdos do jornal, consulte as páginas Nossa equipe e Padrões editoriais. Percebeu um erro no conteúdo? Entre em contato. O Nexo faz parte do Trust Project.