O mapa que reúne dezenas de mitologias de contos de fadas

Obra foi publicada em 1918 e fazia parte de movimento artístico em reação à Revolução Industrial no Reino Unido

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    Criado em 1918, o mapa intitulado “Ancient mappe of Fairyland” (ou “mapa antigo da terra dos contos de fadas”, em uma tradução livre) congrega, em um mesmo mundo imaginário, a geografia de dezenas de mitologias de contos de fadas, da literatura e da mitologia grega.

    A obra digitalizada e em alta resolução está disponível no site da Coleção Histórica de Mapas de David Rumsey, que foca em obras criadas entre os séculos 16 e 21 em diversas partes do mundo. A coleção física está armazenada na Universidade Stanford, nos Estados Unidos. Ela é composta por mais de 1.500 obras, e sua digitalização se iniciou em 1996.

    O mapa é de autoria do ilustrador e pintor inglês Bernard Sleigh, que estudou na Escola de Arte de Birmingham, na Inglaterra. Originalmente, a obra vem acompanhada de 16 páginas de texto. Ela é considerada seu trabalho mais famoso.

    Entre os locais reunidos no mapa estão os mundos de Rei Artur, Peter Pan, Cinderella e de Avalon.

    A topografia desse mundo mágico é organizada em uma única ilha. Do lado esquerdo, fica uma turbulenta região, com ondas altas, escuridão, um “Bosque Estranho”, um “Bosque das Bruxas”, um “Vale dos Dragões”. À direita, o mapa fica mais claro, e abriga o “Porto da Terra dos Sonhos”, o “Mar Encantado”. Na parte superior central, fica o “Mar dos Sonhos”.

    A obra faz parte de um movimento artístico chamado Arts & Crafts, ou “artes e ofícios”, que pregava o uso de formas simples e técnicas manuais, fazendo alusão a estilos românticos, medievais e folclóricos de decoração. Ele emergiu na Inglaterra em meados do século 19, como reação à industrialização.

    Um artigo publicado no site da revista Slate cita um trecho do livro “Uma história do Século 20 em 100 mapas”, de Tim Bryars e Tom Harper. Os autores escrevem que “comparado com a paisagem bombardeada e devastada do norte da França, essa visão de uma terra do faz de conta pode ter parecido um escape sedutor para uma sociedade europeia que enfrentava as cicatrizes físicas e emocionais do conflito massivo”.

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