Qual o histórico da relação comercial entre Brasil e EUA

Compras e vendas entre os dois países não tem mais o peso de décadas passadas. Governo Bolsonaro busca se aproximar do governo Trump em meio a disputa dos americanos com a China

 

A relação com os Estados Unidos é a prioridade da política externa do governo de Jair Bolsonaro. Na terça-feira (19), o presidente brasileiro teve seu primeiro encontro com o presidente americano, Donald Trump, para discutir uma pauta conjunta. Alguns dos principais temas da conversa estão ligados ao comércio entre os dois países.

A visita e as negociações acontecem em um momento de tensão no comércio mundial. As disputas e ameaças tarifárias entre as duas maiores economias do mundo, Estados Unidos e China, colocam o Brasil em uma posição delicada.

O governo Bolsonaro já deixou clara sua intenção de reforçar os laços com o governo Trump. A dificuldade está no fato de que a China é, de longe, o maior parceiro comercial do Brasil.

A política externa brasileira é comandada por um ministro considerado da cota ideológica do presidente da República. A escolha de Ernesto Araújo foi feita a partir de indicação do escritor Olavo de Carvalho. A proposta do chanceler é que o país apareça no plano internacional mais alinhado aos Estados Unidos e à administração de Donald Trump, representantes do que Araújo chama de "Ocidente cristão", do que à China comunista, maior importador de produtos agrícolas do Brasil. 

As relações entre o Brasil e os Estados Unidos são antigas, o governo americano foi o primeiro a reconhecer a independência do Brasil, em 1824. Na primeira metade do século 20, o comércio entre os dois países era o mais importante para a economia brasileira. Mas com a diversificação do comércio exterior, em destinos e produtos, a relação perdeu importância.

Em gráficos, o Nexo mostra a evolução do comércio entre os dois países. Os dados são do antigo Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, que depois da posse de Bolsonaro passou a fazer parte do Ministério da Economia.

O que vendemos e compramos

 

A pauta de produtos do comércio entre Brasil e Estados Unidos é bastante diversificada, principalmente quando comparada a outros parceiros, como a China.

 

O Brasil vende e compra, principalmente, petróleo e seus derivados. O produto mais vendido é petróleo bruto. Dos cerca de US$ 29 bilhões que o Brasil exporta anualmente para os americanos, o produto representa cerca de 10%. Por outro lado, o Brasil compra derivados de petróleo, a descrição exata do governo é “Óleos de petróleo ou de minerais betuminosos (exceto óleos brutos)”.

 

Os gráficos abaixo apresentam os cinco principais grupos de produtos, importados e exportados.

O que vai para lá

 

O que vem para cá

 

Nas duas décadas mais recentes, o comércio entre Brasil e Estados Unidos teve, pelo menos, quatro fases distintas. Na primeira, que durou entre 1997 e 2001, o Brasil comprou mais do que vendeu aos americanos. Entre 2002 e 2008, o Brasil expandiu significativamente suas exportações e passou a ser superavitário.  A situação se inverteu depois da crise de 2008, quando os Estados Unidos cortaram drasticamente suas compras do Brasil.

Durante o primeiro governo Dilma Rousseff (2011-2014), as compras brasileiras cresceram significativamente, atingindo seu pico em 2013 e a balança comercial foi deficitária. Na época, entre os principais produtos importados dos EUA apareciam trigo, fertilizantes e partes de motores - além dos derivados de petróleo e carvão.

Com a crise brasileira veio a quarta fase: o país reduziu as importações gerais, e também as dos Estados Unidos, e o saldo da balança comercial ficou praticamente neutro nos anos seguintes.

A balança

 

 

Exportações menos importações

 

O peso da relação para o Brasil

Tanto na importação como na exportação, os Estados Unidos são menos importantes do que eram alguns anos atrás. A dependência brasileira do comércio com os americanos diminuiu desde o início dos anos 2000.

Em 2002, os Estados Unidos compravam mais de 25% de tudo que o Brasil exportava. Com o boom das commodities e o aumento da relação do Brasil com a China mudou a pauta de exportações brasileiras e o peso dos americanos.

 

 

 

A trajetória das vendas

 

A participação nas importações também caiu. Estava em cerca de 23% até 2002 e foi diminuindo constantemente até atingir 15% em 2008. Nos últimos dez anos, ficou em patamar parecido.

 

A trajetória das compras

 

 

Os outros parceiros brasileiros

Atualmente, os americanos são o terceiro principal destino das exportações do Brasil - quando se considera a União Europeia como um todo. Os US$ 30 bilhões que o país vendeu aos americanos em 2018 representam pouco mais do que vendeu à China somente em soja.

O peso de cada um

 

 

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