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Um dia de transporte mais barato em Berlim. Só para mulheres

Ação de empresa da capital alemã tenta chamar atenção para desigualdade salarial entre gêneros

     

    Um bilhete de transporte especial, válido para metrô, ônibus e trem, estará disponível para mulheres durante um único dia em Berlim. O “Frauenticket” (bilhete de mulher, em tradução livre) custará 21% mais barato para elas do que para os homens e poderá ser usado no dia 18 de março de 2019, Dia da Igualdade Salarial na Alemanha.

    Mulheres ganham em média 21% a menos que os homens no país, diferença que representa uma das maiores disparidades salariais entre os gêneros da Europa. A iniciativa é da BVG, principal companhia que opera o transporte coletivo da cidade.

    Na página destinada à divulgação do bilhete, a operadora define a ação como “um pequeno gesto de solidariedade, embora [o desconto] não seja nada em comparação com a renda de que as mulheres são privadas a cada ano”.

    O Frauenticket custará € 5,50 – normalmente, o passe de transporte da cidade custa € 7 –  e será válido até as três da manhã do dia seguinte.

    Segundo a BVG, homens que forem pegos usando o bilhete especial receberão o mesmo tratamento que passageiros que viajam sem pagar.

    A empresa pública emprega cerca de 15 mil pessoas, e tem a meta de ampliar a proporção de mulheres em sua força de trabalho de 20 para 27% até 2022. 

    O bilhete baseado em gênero lançado pela empresa é inédito no mundo, segundo uma reportagem do jornal The Guardian.

    Outras ofertas especiais para mulheres, com os mesmos 21% de desconto, serão ofertadas na capital alemã durante o Dia da Igualdade Salarial, em restaurantes e outros estabelecimentos comerciais.

    No início de março, o Dia Internacional da Mulher foi instituído no país como um novo feriado. A Alemanha é o primeiro Estado a fazer isto em nível nacional.

    Por que o 18 de março

    A eleição da data para o Dia da Igualdade Salarial na Alemanha sinaliza a quantidade de dias no ano que as mulheres trabalham “de graça” no país.

    Se uma mulher precisa trabalhar 442 dias para ganhar o mesmo que um homem ganha em 365 dias, um total de 77 dias a mais, é como se elas trabalhassem por dois meses e meio, de 1º de janeiro a 18 de março, sem ganhar nada.

    Opiniões sobre a ação

    Nas redes sociais, alguns homens se mostraram indignados com o Frauenticketm afirmando que entrariam com um processo por discriminação caso fossem multados por usá-los.

    Líder do partido liberal FDP na câmara, a parlamentar Maren Jasper-Winter também criticou a iniciativa, dizendo que ela passa ao largo do que realmente importa.

    A um jornal berlinense, Jasper-Winter comparou a ação a aumentar durante um único dia a mesada de uma criança no valor de €1,50. “Não ajuda e é completamente irrelevante tendo em vista os desafios para alcançar a igualdade de direitos no mundo do trabalho”.

    Ao Guardian, uma porta-voz da BVG afirmou que as reações negativas já eram esperadas, principalmente vindas dos homens.

    “Claro que essa diferença de preço parece injusta”, disse a porta-voz  Petra Nelken ao jornal britânico. “Mas esse é exatamente o ponto: por um só dia queríamos tornar essa grande desigualdade salarial tangível por meio do bilhete. É isso que as mulheres enfrentam todos os dias”.

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