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6 poetas mulheres para ficar de olho, segundo esta crítica literária

Organizadora de ‘26 Poetas Hoje’ (1976), obra que se tornou uma antologia clássica da poesia marginal, Heloisa Buarque de Hollanda prepara novo livro destacando jovens autoras

 

Em 1976, a ensaísta paulista Heloisa Buarque de Hollanda, então doutoranda em Literatura Brasileira na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), lançou “26 Poetas Hoje”, que se tornaria uma antologia clássica da poesia marginal durante a ditadura militar.

Na época, Heloisa destacou autores da chamada “geração mimeógrafo”, um movimento literário das décadas de 1970 e 1980, como Ana Cristina Cesar (1952-1983), Chacal e Cacaso (1944-1987). Devido à censura do período, eles substituíam os círculos tradicionais da literatura (editoras e livrarias) por cópias mimeografadas de suas obras, publicadas em pequenas tiragens de baixo custo e comercializadas de mão em mão.

Aos 79 anos e autora de mais de 45 livros, entre eles o recente “Explosão Feminista” (Companhia das Letras), de 2018, ela está preparando uma nova antologia, dessa vez inteiramente dedicada a artistas do sexo feminino: “As 26 Poetas Hoje”, que será lançado no segundo semestre de 2019 pela Companhia das Letras. “Na época, eram os poetas marginais que estavam na linha de frente. Hoje, são as mulheres”, define.

A pedido do Nexo, a crítica literária destaca seis jovens poetas que integram seu novo livro.

Adelaide Ivánova

A jornalista, fotógrafa e ativista pernambucana de 37 anos venceu o Prêmio Rio de Literatura de 2018 na categoria poesia com “O Martelo” (ed. Garupa). O livro, que trata de violência e sexualidade feminina, foi publicado primeiro em Lisboa (Portugal), em fevereiro de 2016; a edição brasileira saiu em janeiro de 2017. Na Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) de 2017, a autora apresentou a performance “Fruto Estranho”, que costura as ideias da escritora americana Susan Sontag com casos recentes de feminicídio. Ela também edita o zine anarcofeminista “Mais Pornô, PFVR!”.

Ana Frango Elétrico

A poeta e cantora carioca Ana Fainguelernt, de pouco mais de 20 anos, cunhou a expressão “Frango Elétrico” para sua carreira artística. “Queria um nome que as pessoas pudessem pronunciar. Além disso, quis me colocar num lugar contrário à dinastia das famílias na música brasileira. E também fiquei buscando os sobrenomes das mulheres da minha família, minha avó, e fui descobrindo que todas carregavam o sobrenome do pai ou do marido. Então, foi meio um jeito de ligar o foda-se para o patriarcado, para o peso do sobrenome”, declarou ao jornal O Globo. Em 2018, ela lançou “Mormaço Queima”, seu álbum de estreia. 

Catarina Lins

Catarinense de 29 anos radicada no Rio de Janeiro, foi indicada ao Prêmio Jabuti de 2018 por “O Teatro do Mundo” (ed. 7 Letras). Composto por um único poema, dividido em 12 partes, o livro narra uma odisseia sentimental mesclando elementos inusitados nos seus versos, como manuais da língua japonesa e tatuagens do jogador de basquete americano LeBron James. A poeta também assina os livros “Músculo” (ed. 7 Letras) e “Parvo Ofício” (ed. Garupa), de 2016, e “Na Capital Sul-Americana do Porco Light” (ed. 7 Letras), de 2018.

Luna Vitrolira

Desde o início dos anos 2000, Gabrielle Vitoria de Lira declama seus versos no Recife, sob o nome artístico Luna Vitrolira. Licenciada em Letras pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), a poeta e performer de 26 anos lançou “Aquenda - O Amor Às Vezes É Isso” (ed. Livre), seu primeiro livro de poesia escrita, em 2018 - Heloisa Buarque de Hollanda assina o prefácio da obra. A autora pretende desdobrar o livro em um CD e um espetáculo poético musical.

Maria Isabel Iorio

A jovem artista visual, ativista e poeta carioca lançou “Em que pensaria quando estivesse fugindo” (ed. Garupa), em novembro de 2018. Integrante do Respeita! - Coalização de Poetas, um movimento de mulheres “que escrevem, pesquisam, traduzem, performam, editam e publicam poesia”, fundado em agosto de 2018, ela se destacou na mesa “Páginas anônimas: a literatura que o Brasil faz e você desconhece”, na Flip de 2017.

Roberta Estrela D'Alva

Roberta Marques do Nascimento, que artisticamente assina Estrela D'Alva, foi pioneira da “poetry slam”, tipo de competição de poesia falada. Aos 40 anos, ela soma diversas atividades: formada  em Artes Cênicas pela Universidade de São Paulo (USP) e mestre em Comunicação e Semiótica pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), é atriz, apresentadora do programa “Manos e Minas” (TV Cultura) e pesquisadora. Em 2014, lançou “Teatro Hip-Hop: A Performance Poética do Ator-MC” (ed. Perspectiva). “Antes de ser ativista racial, eu sou feminista. Antes de ser feminista, sou humanista. Antes de ser humanista, sou espiritualista”, definiu-se à Vice.

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