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Por que este museu vai devolver um sarcófago ao Egito

Investigação apontou falsificação em documentos de venda de tumba do século 1 a.C ao Metropolitan, de Nova York. É a terceira devolução feita pela instituição americana desde 2017

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O Museu Metropolitan de Nova York, o maior dos Estados Unidos, decidiu devolver ao Egito um sarcófago do século 1 a.C banhado a ouro. Há indícios de que a peça, comprada de um negociador de arte de Paris por R$ 14,7 milhões, em 2017, tenha sido roubada. É a terceira devolução que a instituição faz de uma antiguidade nos últimos dois anos.

Investigadores descobriram que a tumba de Nedjemankh, um sacerdote do alto escalão do deus da mitologia egípcia Hersafes, de Heracleópolis (divisão administrativa do Antigo Egito), havia sido retirada de seu país de origem em 2011. Os documentos usados para a venda ao museu, incluindo uma licença de exportação emitida pelo governo egípcio, em 1971, eram falsos.

A peça, exibida ao público desde 20 de julho de 2018 no Metropolitan, ficaria em exibição até 21 de abril de 2019, mas a exposição foi cancelada em 12 de fevereiro de 2019.

O museu alega ter sido enganado sobre a legalidade da exportação e diz que tentará recuperar por “todos os meios” o valor gasto. A tumba já foi entregue à Promotoria Pública de Manhattan, que investigou o caso, para ser devolvida ao país de origem.

“Nosso museu deve ser um líder entre os nossos pares no respeito à propriedade cultural e no rigor e transparência na política e nas práticas que nós seguimos”, afirmou, em nota, o diretor do museu, Max Hollein. “Iremos aprender uma lição com este evento. Vou liderar uma revisão no nosso programa de aquisições para saber o que mais podemos fazer para prevenir no futuro episódios como este”, disse.

O presidente e chefe-executivo do museu, Daniel Weiss, pediu desculpas a Khaled El-Enany, ministro de Antiguidades do Egito, órgão responsável no país pela proteção e preservação do patrimônio histórico.

Foto: Divulgação/The Metropolitan Museum of Art
Sarcófago comprado pelo Metropolitan, de Nova York, de negociador na França, tinha documentos falsos
Sarcófago comprado pelo Metropolitan, de Nova York, de negociador na França, tinha documentos falsos
 

Casos anteriores

Não é a primeira vez que o Metropolitan se vê envolvido em casos de roubos de peças históricas. Em 2018, o museu anunciou que iria devolver à Índia duas esculturas: uma deusa hindu do século 8 feita em pedra e uma cabeça de uma divindade, do século 3.

A escultura da deusa fora doada ao museu em 2015, mas funcionários da instituição reconheceram a peça numa publicação de 1969 como pertencente a um templo no norte de Índia. Já a cabeça havia sido doada em 1986. Pesquisadores do Metropolitan descobriram que ela constava no inventário de uma escavação feita por um museu indiano.

Em 2017, um vaso de 2.300 anos com uma pintura representando Dionísio, deus do vinho na mitologia grega, foi devolvido ao governo italiano, devido a indícios de roubo. O museu americano havia comprado a peça num leilão, em 1989.

Há casos ainda mais antigos, também envolvendo o Metropolitan e a Itália. Em 2008, outro vaso que pertencia ao museu desde 1972 foi enviado a Roma, após suspeitas levantadas pelo governo italiano de que a peça teria sido levada ilegalmente do país.

Os roubos de material histórico no Brasil

Casos semelhantes aconteceram no Brasil em 2018. Em dezembro, o Itaú Cultural, em São Paulo, decidiu devolver à Biblioteca Nacional, no Rio de Janeiro, 12 gravuras do século 19 que pertenciam a seu acervo. Elas tinham sido roubadas em 2004 e foram vendidas à instituição por um colecionador de arte.

Em novembro de 2018, outro caso envolveu um lote de cartas endereçadas ao líder comunista Luís Carlos Prestes. Naquele mês, a Justiça suspendeu o leilão do material, cuja origem era incerta, por causa de indícios de que ele pertencera a um acervo público no Rio.

 

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