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A carreira de Karl Lagerfeld na moda, em 3 destaques

Estilista renovou a Chanel, fez desfiles memoráveis por sua extravagância e produziu sem parar por mais de meio século

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    O estilista alemão Karl Lagerfeld morreu no dia 19 de fevereiro de 2019, em Paris, aos 85 anos. Lagerfeld foi um dos mais icônicos e prolíficos designers de moda de sua geração – criou coleções para Chanel e Fendi, com as quais mantinha contratos que lhe davam total liberdade, e também para uma marca própria, que leva seu nome.  

    Colaboradora mais próxima de Lagerfeld na Chanel ao longo de mais de três décadas, Virginie Viard foi nomeada sua sucessora na direção de criação da marca.

    Conhecido por seu ritmo incansável, Lagerfeld também desenvolveu projetos de fotografia, publicações, uma linha de cosméticos, criou o design de quartos de hotel, jogos, capacetes de moto e de uma BMW, entre outros produtos.

    Desfrutava, assim, de um status importante não só para a indústria da moda como para a cultura pop. 

    Foto: Fabrizio Bensch/Reuters
    Logo de Karl Lagerfeld em uma loja de sua marca em Berlim
    Logo de Karl Lagerfeld em uma loja de sua marca em Berlim
     

    Vestindo sempre blazers ajustados, colarinho alto, luvas, óculos escuros e calça skinny, Lagerfeld criou ainda uma iconografia própria e se tornou uma figura tão reconhecível que a converteu em um logo, que passou a estampar camisetas, bolsas e porta-chaves da Fendi.

    Declarações criticadas

    Em novembro de 2017, uma entrevista de Lagerfeld à TV francesa causou indignação devido aos comentários do estilista sobre a política pró-imigrantes e refugiados da primeira-ministra alemã Angela Merkel.

    “Não se pode – mesmo que haja décadas entre eles – matar milhões de judeus para poder trazer milhões de seus piores inimigos em seu lugar”, disse Lagerfeld. “Conheço alguém na Alemanha que hospedou um jovem sírio e depois de quatro dias disse: ‘O melhor que a Alemanha inventou foi o Holocausto’.”

    Comentários do estilista sobre a aparência de celebridades do sexo feminino também receberam críticas nas redes sociais e de seus pares. Em 2012, Lagerfeld disse que a cantora Adele tinha um rosto bonito e uma voz divina, mas era “um pouco gorda demais”.

    O Nexo destaca abaixo três feitos da trajetória do estilista, relevantes para sua carreira e para a indústria da moda.

    A reinvenção da Chanel

    Lagerfeld trabalhou como diretor artístico da Chanel a partir de 1983, reabilitando os lucros e a reputação da marca.

    A Chanel havia sido assumida pela família Wertheimer, após o fim da Segunda Guerra Mundial.

    Criadores das fragrâncias da marca na década de 1920 – incluindo o icônico Chanel No. 5 – e parceiros de negócio de Gabrielle “Coco” Chanel, que morrera em 1971, os Wertheimer trouxeram Lagerfeld, já conhecido por seus designs, para modernizar a marca.

    Suas primeiras coleções para a marca trouxeram roupas de proporções mais finas e alongadas, e reeditaram looks clássicos da Chanel, seus conjuntos e vestidos, com elementos atuais, do “pronto para vestir”, como o denim (material do jeans).

    Misturando o clássico e sedutor com itens mais chocantes – logos gigantes, microssaias e saltos no formato de pistolas –, Lagerfeld fez da Chanel um caso de sucesso para a indústria: uma marca em vias de envelhecer, que se renovou como símbolo de status e recuperou suas vendas, em disparada com as novas criações.

    A confiança da marca no estilista era tão grande que ele ganhou um contrato vitalício, além de carta-branca artística e financeira para criar, reunir os maiores talentos em sua equipe de colaboradores e adquirir ateliês que produzissem itens como bordados, chapéus e flores artificiais especialmente para a Chanel.

    A colaboração com o ‘fast fashion’

    Em 2004, Lagerfeld criou uma coleção para a H&M, rede de “fast fashion” (moda rápida, em tradução livre), com blazers e camisetas que traziam um desenho de seu rosto estampado.

    Se hoje a colaboração entre estilistas e grandes varejistas de roupas é comum, era um passo arriscado no início dos anos 2000, que ameaçava marcas de luxo com a perda de credibilidade.

    A coleção foi um grande acerto, e teve suas peças esgotadas em diversas lojas. Seu sucesso abriu as portas para os cruzamentos entre a alta moda e as redes de fast fashion e impulsionou ainda mais a fama do estilista. 

    Lagerfeld descreveu a parceria como “elitismo de massa”, algo com que vinha sonhando há muito tempo. “É o futuro da modernidade”, disse.

    A extravagância dos desfiles no Grand Palais

    Os desfiles produzidos pelos estilista nos anos 2010 no Grand Palais, em Paris, impressionaram pela opulência cênica e entraram para a lista de desfiles mais memoráveis dos últimos anos.

     

    Para a coleção de outono de 2014 da Chanel, Lagerfeld transformou o edifício em um supermercado temático da marca, em que mais de 500 produtos diferentes, de uma batata Pringles a uma motoserra, tinham o rótulo da grife francesa.

     

    Outro desfile do estilista contou com uma réplica em escala da Torre Eiffel (em 2017), um outro reproduziu uma “brasserie” francesa (tipo de restaurante-cervejaria mais simples e descontraído)  em 2015, importou gelo e neve da Suécia para criar um iceberg de 265 toneladas (em 2010) e, em outubro de 2018, construiu uma praia artificial.

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