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O projeto que traça o perfil das crianças mortas por armas de fogo nos EUA

Iniciativa 'Since Parkland' usou 200 repórteres adolescentes para contar a história de 1.200 vítimas entre 0 e 18 anos

     

    Lashonda, 17 anos, foi morta pelo ex-namorado. Taveon, de 15, tomou um tiro fatal quando estava na companhia de amigos. Andy Kim, de 10, foi assassinado pelo próprio pai, que também matou sua mãe e irmãos. Ke’Anthony, de apenas 2 anos, achou o revólver do pai em casa, virou a arma para o rosto e disparou.

    São quatro histórias trágicas envolvendo mortes de crianças e adolescentes que podem ser encontradas no site Since Parkland. Há inúmeras outras: o total reunido chega a 1.200. A contagem começa a partir de 14 de fevereiro de 2018, quando ocorreu o massacre em uma escola de Parkland, no estado da Flórida. Naquele dia, o estudante Nicholas Cruz tirou a vida de 17 pessoas.

    O projeto “Since Parkland” pretende chamar a atenção para o fato de que “crianças não param de ser mortas por armas de fogo”. Para os responsáveis pela iniciativa, ao só dar atenção para eventos excepcionais como os massacres em escolas, a mídia ignora a “crônica da violência relacionada a armas em alguns bairros urbanos que expõe crianças a perigo todo dia”.

    Para cobrir a lacuna, o projeto reuniu mais de 200 repórteres adolescentes. Sua tarefa foi recuperar e relatar as histórias de crianças, entre zero e 18 anos, mortas a tiros durante um ano nos Estados Unidos. Com esse material, Since Parkland foi ao ar em 12 de fevereiro de 2019.

    Além de contar as histórias individuais das 1.200 crianças, o site agrupa os mortos em diferentes recortes. São detalhes que dão contornos mais definidos às estatísticas: 80 vítimas tinham até 3 anos de idade, 60 já eram pais e 200 eram atletas.

    O projeto permanece aberto para receber mais material. Pessoas podem mandar fotos ou memórias extras de crianças e adolescentes retratados no site, ou ainda falar de vítimas que escaparam da contabilização.

    “Since Parkland” recebe apoio e financiamento de uma série de fontes, como a organização de notícias sem fins lucrativos The Trace, a ONG Gun Violence Archive, que compila dados de ocorrências com crianças envolvendo armas de fogo, e o jornal Miami Herald, que ajudou com pesquisa e reportagens adicionais.

     

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