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Estes tanques de guerra viraram aparelhagens de som

O artista Nik Novak pesquisa o uso militar do som com arma, assim como sua utilização pacífica em sound systems

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    O uso militar da tecnologia de áudio é um dos focos de pesquisa do artista alemão Nik Novak desde os anos 2000. O outro é a utilização “civil” de equipamentos de som, em especial os conjuntos de alta potência que tocam música para dançar, seja dub jamaicano, techno ou funk carioca.

    “Meu trabalho está sempre ligado à minha pesquisa sobre guerra sônica e o uso do som como arma — isso e o fenômeno global dos sound systems móveis”, explicou o artista ao site Electronic Beats.

    Novak constrói aparatos e estruturas com peças de veículos militares e equipamento de áudio. Os resultados lembram “Transformers”, em algum ponto da transição entre tanque de guerra e aparelhagem de baile.

    Seu trabalho mais recente, “Mantis” (louva-deus), é inspirado diretamente no “estúdio do arame farpado” (Studio am Stacheldraht, em alemão), um sistema de som que transmitia propaganda política da Alemanha Ocidental para o lado comunista, entre 1961 e 1963. O projeto ficava posicionado junto à fronteira que, antes de virar muro, era de arame farpado.

    Na apresentação de “Mantis” no festival CTM, em Berlim, entre o fim de janeiro e o início de fevereiro de 2019, uma parte articulada com alto-falantes se ergue a partir do veículo e toca som por cima de uma cerca de segurança. Do outro lado, Nowak posicionou “Panzer”, veículo que projetou em 2011. Batizado com o nome de um famoso tanque de guerra, é um veículo cravejado de alto-falantes, capazes de transmitir frequências graves que sacodem paredes.

     

    No evento, o artista promoveu uma guerra sônica entre os dois. A música ficou a cargo do produtor inglês Kode9, alcunha de Steve Goodman, também pesquisador de usos bélicos de áudio. Em 2012, ele lançou o livro “Sonic Warfare: Sound, Affect, and the Ecology of Fear” (guerra sônica: som, efeito e a ecologia do medo, em tradução livre).

    “No meu trabalho, sempre lidei com o abuso militar do som versus o uso civil do som e o desenvolvimento de equipamento militar para equipamento de música popular. Por exemplo, o vocoder [sintetizador de voz] foi primeiramente usado como máquina de codificação antes de se tornar uma máquina do hip hop”, explicou.

    “O mesmo vale para a história dos amplificadores. Amplificação de alta potência foi desenvolvida em paralelo a sistemas de guerra psicológica. Existe uma história particularmente interessante sobre um soldado britânico-jamaicano na Segunda Guerra Mundial que estava no departamento de guerra psicológica do exército e se especializou em amplificação de alta potência. Depois da guerra, ele voltou para a Jamaica e usou suas habilidades para construir sistemas de som amplificados, com graves fortes, se tornando um dos pioneiros do movimentos dos sound systems de reggae”, afirmou.

     

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