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O livro vermelho das espécies animais ameaçadas no Brasil

Trabalho do ICMBio realizado junto a pesquisadores de todo o país registra mais de 1400 espécies sob algum tipo de risco

 

“Enquanto sentado em uma árvore e comendo meu almoço na solidão sublime da floresta, o prazer que sinto é indescritível”, escreveu Charles Darwin sobre a Floresta Amazônica, em uma carta a sua irmã Catherine. “O número de animais não-descritos que anotei é muito grande.”

Com dezenas de milhares de espécies, a fauna brasileira é sabidamente uma das mais ricas do planeta. É também uma biodiversidade em perigo: são 1.173 espécies em risco de desaparecer, além de outras 318 com a existência ameaçada.

É o que permite constatar um trabalho realizado com 1.270 pesquisadores de todo o país, reunido no “Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção 2018”. A publicação é do Instituto de Conservação da Biodiversidade Chico Mendes (ICMBio) e atualiza edições lançadas desde os anos 2000.

Além do livro vermelho principal, há edições específicas para mamíferos, aves, répteis, anfíbios, peixes e invertebrados. Segundo o livro, estão catalogadas todas as 9.000 espécies de vertebrados da fauna nacional e mais de 90 mil artrópodes (que inclui insetos, aracnídeos e crustáceos), número máximo conseguido pela pesquisa, que reconheceu como “impossível a avaliação de todos os invertebrados”.

O número de espécies que consta da lista nacional da fauna ameaçada registrou um aumento em relação à edição do livro lançada em 2008: são 716 novos acréscimos à lista (sendo que 170 saíram dela). O crescimento reflete a expansão do escopo da pesquisa, segundo um dos pesquisadores responsáveis pelo projeto.

“O aumento do número de espécies ameaçadas reflete a envergadura da pesquisa, que foi maior. Em 2014, eram 1.400 espécies, que passaram para um número quase dez vezes maior. Agora são mais de 12 mil”, afirmou o analista ambiental Marcelo Marcelino de Oliveira, que comandou a Direção de Pesquisa, Avaliação e Monitoramento da Biodiversidade do ICMBio, em entrevista à Agência Brasil.

A publicação destaca a importância das unidades de conservação (UC) na proteção da fauna nacional. “Ao final de 2017, o Brasil tinha um total de 1.544.833 quilômetros quadrados de áreas protegidas, ou 2.029 unidades de conservação em todo o país, 325 delas geridas pelo Instituto Chico Mendes”, relata o livro.

“O Brasil possui uma das maiores riquezas de espécies do planeta, mais de 13% da biota, característica que inspirou o conceito de um país megadiverso. Com sua dimensão continental e enorme variedade de habitat terrestres e aquáticos, reúne seis importantes biomas (Amazônia, Caatinga, Cerrado, Mata Atlântica, Pampa e Pantanal) e o maior sistema fluvial do mundo. Dois desses biomas, o Cerrado e a Mata Atlântica, são ‘hotspots’ – áreas com grande riqueza e endemismos, consideradas prioritárias para a conservação em nível mundial”, afirma a publicação, editada durante a gestão de Edson Duarte à frente do Ministério do Meio Ambiente.

O que há no Livro Vermelho

Os biomas mais ricos

A Amazônia é o bioma com a maior riqueza de espécies de fauna, totalizando 5.250. É seguida pela Mata Atlântica, com 4.637, e pelo Cerrado, com 3.455. O estudo ressalva que espécies que se distribuem de forma mais ampla são contabilizadas em cada bioma em que são encontrados

Continente e mar

Do total de espécies ameaçadas de extinção, 1.013 (86%) são continentais, posteriormente divididas em 662, de áreas terrestres, e 351 que tem a água doce como habitat. Além das espécies continentais, o Brasil conta com 14% de animais de fauna marinha.

Ameaçados por bioma

A Mata Atlântica é o bioma com o maior número de espécies ameaçadas, com 50,5% do total nacional presente nessa região. Destas, 38,5% são nativas desse bioma. Depois, vem os biomas da Caatinga e do Cerrado.

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