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Como a Hungria usa a natalidade contra a imigração

Primeiro-ministro diz que é preciso estimular o nascimento de bebês para preencher vagas ocupadas por estrangeiros que chegam ao país

     

    O primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán, disse neste domingo (10), em Budapeste, que isentará de pagamento de imposto de renda todas as mulheres húngaras que tenham quatro filhos ou mais.

    A razão apresentada pelo premiê é o combate à imigração. Para Orbán, os imigrantes entram na Hungria para preencher vagas de trabalho que deveriam ser de cidadãos húngaros. E a única forma de reverter o envelhecimento e o encolhimento da população local é dando à luz novos cidadãos.

     

    Em discurso feito num encontro com prefeitos, na cidade de Veszprém. Dois dias antes, Orbán fez questão de sublinhar o caráter racista e ultranacionalista de medidas como essa, ao evocar argumentos de “cor” e “tradições e cultura” para dizer que não quer que a Hungria seja um país de diversidade.

    “Nós precisamos deixar claro que não queremos diversidade, não queremos mistura: nós não queremos nossa própria cor, tradições e cultura misturadas com as de outros. Nós não queremos isso absolutamente. Não queremos ser um país de diversidade”

    Viktor Orbán

    Primeiro-ministro da Hungria, em discurso em Veszprém, no dia 8 de fevereiro de 2019

    O fomento fiscal à natalidade é só uma das medidas que o premiê está tomando para combater a imigração. Orbán já prometeu cidadania húngara para filhos de cidadãos do país nascidos no exterior e bolsas de estudo superior para jovens húngaros que, depois de formados, se comprometam a permanecer no país.

    Além disso, ele promete dar subsídios para o pagamento de aluguel e para a compra de carros, além de estender aos avós o direito de licença paternidade e maternidade quando eles se envolvam na criação de netos recém nascidos.

    “Os corpos das mulheres estão sendo usados como recurso para o desenvolvimento nacional”, disse Andrea Peto, estudiosa de questões de gênero na Universidade Centro-Europeia, ao jornal americano The New York Times.

    Nenhum país da Europa tem uma taxa de natalidade capaz de repor a própria população sem que imigrantes componham esse quadro no que se refere ao mercado de trabalho. A Hungria tem taxa de natalidade especialmente baixa: cada mulher tem, em média, o equivalente a 1,5 filho. O país é um dos que mais resistem em receber imigrantes.

    Um expoente da extrema direita europeia

    Orbán foi reeleito em abril de 2018 para seu terceiro mandato seguido. Sua principal pauta de campanha foi o combate à entrada de imigrantes e refugiados no país, como forma de preservar uma Hungria “cristã e com valores nacionais”.

    Além de estar no posto de maior poder na Hungria, seu partido obteve ampla maioria (dois terços) das cadeiras no Parlamento. Portanto, um caminho aberto para o governo conseguir aprovar leis em temas de seu interesse, como políticas anti-imigração.

    O atual governo húngaro compõe, juntamente aos governos da Polônia e da Itália, um tripé da extrema direita populista na Europa, cujos elos ideológicos levam à conexão com os atuais governos dos EUA, de Israel e do Brasil.

    Em janeiro de 2019, Orbán foi um dos líderes internacionais presentes na posse do presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, em Brasília.

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