O que se sabe até agora sobre o incêndio no CT do Flamengo

Em reunião com Ministério Público, clube anunciou novas regras para Ninho do Urubu e rapidez com indenizações

     

    O Flamengo anunciou novas regras para o uso do Ninho do Urubu, apelido do Centro de Treinamento George Helal, no Rio de Janeiro, onde um alojamento pegou fogo e matou dez jovens atletas em 8 de fevereiro de 2019.

    Não será mais permitido que nenhuma pessoa passe a noite no local. Atletas profissionais, que costumam se hospedar no centro, também estão incluídos na restrição. A decisão foi comunicada durante reunião com o MP-RJ (Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro), realizada nesta segunda-feira,  11 de fevereiro.

    O clube também afirmou aos representantes do órgão que fará um esforço para que indenizações a parentes das vítimas saiam “o mais rápido possível”. Anteriormente, o Flamengo já havia declarado a intenção de assumir toda a responsabilidade pela tragédia no alojamento dos futebolistas de base.

    “A presidência do Flamengo assumiu todas as suas responsabilidades em relação ao [incêndio], se comprometeu a dar todo tipo de acolhimento às famílias e entregou à Defensoria Pública a condução dessa negociação com as famílias para um reparo imediato”, afirmou Eduardo Gussem, procurador-Geral do MP-RJ, em entrevista à imprensa.

    Em 2018, o CT foi fiscalizado três vezes pelo Corpo de Bombeiros por conta de uma nova área para os esportistas profissionais, que custou R$ 38 milhões ao clube. Em nenhuma das ocasiões, a corporação inspecionou o alojamento

    Em 12 de fevereiro, o clube recebeu visitas de inspeção de vários órgãos: Defensoria Pública, Polícia Civil, Corpo de Bombeiros, Ministério do Trabalho e Emprego, Secretaria de Urbanismo, o próprio MP-RJ e o retorno da perícia criminal da Polícia Civil. As autoridades buscam avaliar se o CT precisará ser interditado, total ou parcialmente.

    A polícia deverá colher depoimentos de funcionários do Flamengo que estavam na hora do incêndio, entre eles o gerente de patrimônio do clube. A expectativa é que eles forneçam informações sobre o estado das instalações do container transformado em alojamento para os jovens atletas.

    O meio-campo Diego Ribas, do time principal, durante entrevista coletiva, se emocionou ao lembrar que até recentemente a precariedade caracterizava boa parte das instalações do clube. “Em relação às estruturas do Flamengo é nítido e claro que é um clube que tem procurado evoluir diariamente e tem demonstrado isso. Não só para os profissionais, mas pra base. Cheguei em 2016, era tudo de contêiner: usei toda essa estrutura”, afirmou.

    A tragédia

    Era madrugada do dia 8 de fevereiro, quando o contêiner que abrigava os atletas, todos com idades entre 14 e 16 anos, foi consumido pelo fogo. Uma das possíveis causas da tragédia seria um curto-circuito seguido da explosão de um dos equipamentos de ar condicionado do alojamento.

     

    Em entrevista ao O Estado de S. Paulo, o tenente coronel do Corpo de Bombeiros Douglas Henaut disse que, pelo horário em que o fogo começou, “todos estavam dormindo”, o que “pode ter contribuído com a tragédia”.

    Dos três jogadores que sobreviveram ao incêndio, dois estavam em situação estável e conscientes. O terceiro, Jhonata Cruz Ventura, em estado grave, se encontrava sedado desde que foi resgatado. Em 12 de fevereiro, o garoto acordou e começou a reagir a comandos simples.

    Descuidos e irregularidades

    Bombeiros não viram

    Em 2018, o CT foi fiscalizado três vezes pelo Corpo de Bombeiros por conta de uma nova área para os esportistas profissionais, que custou R$ 38 milhões ao clube. Em nenhuma das ocasiões, a corporação inspecionou o alojamento dos atletas da base, que ficava a dez metros da construção nova. “Em casos de processos de regularização, as fiscalizações são realizadas sob demanda e nas áreas solicitadas. E a estrutura provisória não constava no projeto e não foi identificada nas áreas vistoriadas”, declararam os Bombeiros.

    Sem aprovação

    O Corpo de Bombeiros não concedeu assim o Certificado de Aprovação (CA) ao centro de treinamento por uma causa de uma série de pendências, entre elas problemas de desenho do projeto, ausência de hidrante e posicionamento do gerador.

    Dezenas de multas

    Sem o CA dos Bombeiros, o Flamengo não conseguiu obter o alvará de funcionamento. O local deveria permanecer interditado até que a liberação fosse aprovada pela prefeitura do Rio de Janeiro. Mas o clube manteve o centro funcionando, o que lhe rendeu 31 multas entre 20 de outubro de 2017 e 14 de dezembro do ano passado. O Flamengo pagou 10 dessas multas.

    Improviso

    Nos dois projetos do centro que o time enviou à Prefeitura (em 2010, antes da construção, e em 2018), não aparecia o alojamento que pegou fogo. A proposta mais recente indica que um estacionamento estava planejado para a área, indicando o caráter provisório do abrigo dos atletas iniciantes. O alojamento consistia de um contêiner com janelas gradeadas, uma porta de acesso e nenhuma saída de emergência.

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