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O surto de sarampo e o movimento antivacina nos EUA

Casos da doença têm aumentado em pessoas não vacinadas, especialmente em comunidades religiosas. Organização Mundial da Saúde considera a recusa a se vacinar uma grande ameaça à saúde em 2019

 

Os Estados Unidos vivem um surto de uma doença que havia sido considerada erradicada no país em 2000: o sarampo. O estado de Washington já tem 37 casos confirmados em janeiro de 2019 e declarou emergência na sexta-feira (25). Em termos de comparação, ao longo de todo o ano de 2012, 55 casos foram registrados em todo o país.

Eles já seguem uma tendência de aumento desde 2018, quando 349 pessoas tiveram a doença, segundo dados do Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos. Foram três surtos naquele ano, a maioria em Nova York e Nova Jersey, e as manifestações se concentraram principalmente entre os membros de uma comunidade de judeus ortodoxos. Alguns deles haviam voltado de uma viagem a Israel, que enfrentava um grande surto. Segundo o órgão, 81 pessoas levaram a doença aos Estados Unidos após visitarem outros países.

O recorde, porém, ocorreu em 2014, com 667 casos, em 23 surtos. O maior deles, que concentrou  383 ocorrências, foi registrado em Ohio, entre integrantes da comunidade amish, um grupo cristão que vive isolado do mundo e mantém o modo de vida rural do século 17. Muitos dos casos daquele ano foram levados ao país por pessoas que visitaram as Filipinas, segundo o governo americano.

No Brasil, a circulação do vírus foi eliminada em 2016, segundo a Opas (Organização Pan-Americana da Saúde), mas alguns estados, como Amazonas e Roraima (devido à proximidade com a Venezuela), ainda enfrentam surtos. Os casos são bem mais numerosos do que nos Estados Unidos. Segundo informe do Ministério da Saúde de 24 de janeiro de 2019, entre 6 de fevereiro de 2018 e 21 de janeiro de 2019, foram 10.163 casos confirmados em todo o país, além de 12 mortes.

O que é o sarampo

É uma doença provocada por vírus, extremamente contagiosa, transmitida pela fala, tosse e espirro.

Seus sintomas são:

  • Febre alta (acima de 38,5°C)
  • Dor de cabeça
  • Inflamação das mucosas do trato respiratório
  • Tosse
  • Conjuntivite
  • Manchas brancas na mucosa bucal, um a dois dias antes do surgimento de manchas vermelhas pelo corpo
  • Manchas vermelhas, primeiro no rosto e atrás das orelhas, e depois por todo o corpo

O movimento antivacina

O aumento dos casos de sarampo nos últimos anos tem relação com o movimento antivacina, ligado, em muitos casos, a crenças religiosas. A maioria das pessoas infectadas não havia sido vacinada. Por isso, a Organização Mundial da Saúde elencou a recusa em se vacinar como uma das dez ameaças à saúde em 2019.

Segundo a organização, os casos de sarampo cresceram 30% em todo o mundo desde 2016. “As razões para o aumento são complexas e nem todos os casos se devem à hesitação em se vacinar. Entretanto, alguns países que estavam perto de eliminar a doença a viram ressurgir”, diz a entidade.

O movimento antivacina, segundo o órgão, ameaça reverter o progresso feito na prevenção de doenças. Estratégia de melhor custo-benefício para evitar surtos, a vacinação previne de 2 a 3 milhões de mortes por ano e, se a cobertura fosse melhorada, poderia evitar mais 1,5 milhão de mortes em todo o mundo, de acordo com a OMS.

As razões para a recusa também são complexas, segundo a organização, e podem ir da inconveniência em acessar os locais de vacinação e da complacência à falta de confiança na sua eficácia. A organização defende a difusão de informações sobre os benefícios das vacinas, especialmente em comunidades onde essas questões aparecem, como uma forma de barrar esse movimento de recusa.

Para 2019, a OMS espera eliminar em todo o mundo, por meio do aumento da cobertura da vacinação do vírus HPV (Papiloma Vírus Humano), o câncer cervical. Também prevê erradicar a transmissão do poliovírus, que causa poliomielite, no Afeganistão e no Paquistão.

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