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Este site reúne o maior acervo digital sobre arte e cultura cigana

Desenvolvido ao longo de três anos e meio, RomArchive propõe criar narrativa cigana contada pela própria comunidade por meio de fotos, textos, vídeos e áudios

     

    Um projeto iniciado em 2015 envolvendo 150 pessoas em 15 países e que juntou por três anos e meio cerca de 5.000 itens da cultura cigana, entre fotos, textos, vídeos e áudios, foi lançado em 24 janeiro de 2019 na forma de um acervo digital.

    O material reunido no RomArchive, como é chamada a iniciativa, foi separado em seções como dança, filmes, flamenco, literatura, música, teatro e drama, artes visuais, fotografia, movimento pelos direitos civis Romani e holocausto (“Vozes das Vítimas”). A curadoria do acervo coube a 14 pessoas, de nove países diferentes.

    A ideia do projeto é criar uma narrativa sobre os ciganos contada pelos próprios integrantes da comunidade (o site tem sua versão em inglês, alemão e romani, o dialeto falado por eles). “Não são os ciganos que controlam sua imagem pública, mas os clichês, prerrogativas e imagens dos outros, na maioria dos povos. Eles sempre foram marcados por uma misto de fascinação e desdém”, diz nota divulgada pelo projeto.

    A intenção, portanto, é criar uma “contraposição positiva ou esclarecedora sobre a realidade e a cultura dos ciganos”. “A exclusão e o desprezo são revelados pelo fato de que as diversas culturas ciganas são amplamente ignoradas pelas instituições culturais europeias”, afirmam ainda os organizadores.

    O apoio financeiro

    De todo modo, o projeto recebeu suporte de diversas instituições alemãs. A Fundação Cultural Federal da Alemanha disponibilizou € 3,75 milhões (R$ 16 milhões) para a iniciativa.

    “O fato de que uma instituição federal alemã esteja abraçando um projeto como esse é de particular importância, tendo em vista que o genocídio cometido pelos nazistas contra os sinti e os roma [dois dos principais grupos ciganos] foi responsável pela morte de cerca de 500 mil pessoas”, segundo os organizadores.

    A Agência Federal pela Educação Cívica da Alemanha irá ajudar na manutenção do arquivo, por cinco anos. O Instituto Goethe também tem colaborado com a organização de eventos.

    Foto: Diego Castallano Cano /Galerie Kai Dikhas
    Obra do artista britânico Damian Le Bas representa viagem de grupo de ciganos pela Europa
     

    Os ciganos na Europa

    Não se sabe ao certo a origem dos povos ciganos, mas estudiosos acreditam que eles sejam originários da Índia. O motivo para que tenham deixado a região e migrado para a Europa também é desconhecido.

    Há indícios de que viveram na Grécia, antes de 1200, e que tenham se espalhado por toda a Europa por volta de 1450. Em meados do século 14, começaram a ser escravizados, no território atualmente ocupado pela Romênia, num processo que durou cerca de cinco séculos.

    A partir dos anos 1920, os ciganos voltaram a ser vítimas de trabalho forçado, além de muitos terem sido deportados e esterilizados pelos nazistas. Quem sobrevivia era alvo de preconceito. Na Alemanha e na Áustria, as compensações financeiras por conta da perseguição só ocorreram em meados dos anos 1990. Nos países do Leste Europeu que viveram sob o socialismo, os ciganos não foram reconhecidos como vítimas do Holocausto. 

    A partir da Segunda Guerra, muitas pessoas de origem cigana foram perdendo os laços e as identidades culturais. Atualmente, segundo o projeto, existem de 12 a 14 milhões de ciganos espalhados pelo mundo, sendo que cerca de 4 milhões deles falam romani, que consta em atlas da Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) como uma das línguas em risco de extinção.

    “Apesar da história de perseguição, discriminação e marginalização, nós ciganos temos uma rica herança cultural, que é parte da cultura europeia e que contribuiu para o seu desenvolvimento. Essa herança é agora visível no RomArchive”, diz o site.

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