Ir direto ao conteúdo

Como este aplicativo busca aumentar o bem-estar de seus usuários

‘Moodrise’ se baseia em estudos para fornecer estímulos visuais e sonoros que impactam positivamente o comportamento de quem os recebe

 

Um aplicativo lançado em 28 de janeiro de 2019, disponível para iOS e Android, promete oferecer aos usuários o que chama de “nutrição digital”.

Desenvolvido pela empresa AeBeZe, o app “Moodrise” (fusão entre as palavras “humor” e “elevar”, respectivamente) oferece um pacote de fotos, vídeos, gráficos, sons, músicas e obras de arte com o objetivo de aliviar a ansiedade e outros transtornos de humor, “maximizando a felicidade” de quem o utiliza.

A curadoria se baseia em pesquisas para selecionar conteúdos que, por meio de estímulos visuais e sonoros, tenham impacto positivo sobre a química do cérebro, progressivamente melhorando o humor de quem os consome.

Idealizado por Michael Phillips Moskowitz, que já foi o curador-chefe global do eBay, o projeto conta com a consultoria de médicos, desenvolvedores e pesquisadores das universidades americanas de Stanford, Columbia, Harvard, Yale e da Universidade do Texas.

Por que agora

Segundo uma reportagem publicada pelo site Artsy, a criação do Moodrise foi uma resposta ao momento, definido por Moskowitz como “peak content” – uma época de produção e consumo recordes de conteúdo comparável ao auge do consumo de tabaco em 1950.

Moskowitz cita a estimativa de que o adulto americano médio consome 12 horas e 7 minutos de conteúdo digital por dia, o que tem tido impactos negativos sobre sua saúde e felicidade.

O uso regular do aplicativo também deve servir para encorajar pessoas a desenvolver hábitos mais saudáveis no uso de seus celulares, usados para assistir vídeos, ouvir música e podcasts.

“Infelizmente, os serviços de saúde não estão recebendo os recursos necessários para dar suporte ao problema crescente [da crise de saúde mental] e reduzir drasticamente a exposiç��o às mídias digitais (ou abandonar completamente nossos celulares) não é realista. É por isso que desenvolvemos o Moodrise”

Michael Moskowitz

Em entrevista ao jornal inglês Evening Standard

Seu criador enfatiza, porém, que o Moodrise não deve substituir o uso de medicamentos ou o atendimento por profissionais de saúde. Não foi criado para solucionar crises de saúde mental, mas para ser um novo recurso disponível para a promoção de bem-estar.

Segundo Moskowitz, seu uso está alinhado à tendência de prescrever visitas a museus para a promoção de saúde e bem-estar da população, já presente em países como Reino Unido e Canadá.

A AeBeZe, desenvolvedora do  aplicativo, já está vendendo adesões para empresas em que o acesso ao Moodrise fará parte dos benefícios de saúde ofertados, segundo a reportagem do Artsy.

Por enquanto, o aplicativo é gratuito mas, no futuro, usuários pagantes terão acesso a um volume maior de conteúdos.

Como funciona

Ao abrir o aplicativo, o usuário seleciona um “tratamento” específico para atingir diferentes estados de humor por meio de estímulos aos neurotransmissores associados a eles: felicidade (serotonina), confiança (dopamina), conexão [emocional] (oxitocina), energia (endorfina), calma (ácido gama-aminobutírico) e concentração (acetilcolina).

Uma vez feita a escolha, o Moodrise apresenta uma série de telas com imagens e sons específicos para a ativação do neurotransmissor em questão – o usuário pode ser exposto ao som de água correndo, a uma animação de cores vibrantes ou a um vídeo de um cachorrinho sendo acariciado, por exemplo.

Foto: Reprodução/Moodrise
Uma das telas apresentadas para beneficiar a concentração traz sons de animais
 

Cada “tratamento” é feito ao longo de alguns dias por meio do consumo da curadoria feita pelo aplicativo. Ao fim de cada sequência, o usuário pode avaliar seu humor, permitindo que os dados coletados ao longo do tempo sejam acessados para  analisar seu progresso.

O Moodrise traz ainda explicações sobre a natureza de cada neurotransmissor e, ao arrastar a tela para cima, mostra os artigos científicos que amparam a exibição do conteúdo para promover determinado estado de humor.

A busca dos conteúdos exibidos no app, tirados de repositórios como Giphy, Creative Commons, Instagram, YouTube e outros, parte desses artigos, sempre referendados pelos pesquisadores que prestam consultoria para a empresa. Aprendizado de máquina e inteligência artificial também são usados no processo, de busca.

A empresa também tem planos de criar um sistema de classificação para outras plataformas, notificando o usuário sobre quais neurotransmissores determinado vídeo ou programa de TV ativa, contribuindo para a escolha de conteúdos ou obras de arte que provoquem calma ou amenizem o sentimento de solidão, por  exemplo.

Todos os conteúdos publicados no Nexo têm assinatura de seus autores. Para saber mais sobre eles e o processo de edição dos conteúdos do jornal, consulte as páginas Nossa equipe e Padrões editoriais. Percebeu um erro no conteúdo? Entre em contato. O Nexo faz parte do Trust Project.

Já é assinante?

Entre aqui

Continue sua leitura

Para acessar este conteúdo, inscreva-se abaixo no Boletim Coronavírus, uma newsletter diária do Nexo: