Barragens da Vale se rompem em Brumadinho: o que se sabe até agora

Presidente da mineradora fala em ‘tragédia humana’: ao menos 58 pessoas morreram e centenas estão desaparecidas

 

Três barragens de minério da Vale se romperam nesta sexta-feira (25) na cidade de Brumadinho (MG), na Região Metropolitana de Belo Horizonte, causando o vazamento de 12 milhões de metros cúbicos de rejeitos. A morte de 58 pessoas e 305 pessoas estavam desaparecidasaté a noite de domingo (27).

Os rejeitos atingiram uma área administrativa da empresa e a comunidade Vila Ferteco. A mineradora divulgou uma lista com centenas de funcionários e terceirizados que são possíveis vítimas da tragédia.

O presidente Jair Bolsonaro (PSL) sobrevoou a área de Brumadinho no sábado (26). O governo de Minas Gerais, governado por Romeu Zema (NOVO), decretou estado de calamidade pública.

O presidente da Vale, Fabio Schvartsman, fez pronunciamento em que pediu desculpas aos funcionários da Vale e à sociedade brasileira. Ele também falou a jornalistas no início da noite de sexta.

“Dessa vez é uma tragédia humana. Porque estamos falando de uma quantidade grande de vítimas. Possivelmente, o dano ambiental é menor [do que o da Mina do Fundão, em Mariana”

Fabio Schvartsman

presidente da Vale

A Justiça do estado bloqueou R$ 11 bilhões da Vale. O dinheiro foi pedido pelo Ministério Público e pela Advocacia-Geral estaduais para auxílio às vítimas e reparação do meio ambiente.

O Instituto Inhotim, sede de um dos principais acervos de arte contemporânea do país, foi evacuado pela tarde e não abrirá pelo menos até o dia 31 de janeiro. Ele fica em Brumadinho, a 16 quilômetros da Mina do Feijão, e não foi atingido pela lama.

A seguir, o Nexo apresenta as informações divulgadas até o dia 27 de janeiro sobre o caso.

Qual a dimensão do rompimento desta barragem em Brumadinho?

Segundo a Vale, ainda não é possível dimensionar a extensão total do desastre. Os rejeitos atingiram o centro administrativo da mineradora, a comunidade Vila Ferteco e casas na região rural de Brumadinho, incluindo uma pousada. Os Bombeiros de Minas Gerais divulgaram imagens aéreas da região:

 

De acordo com a mineradora, a barragem 1 da Mina do Feijão se rompeu no início da tarde de sexta, vazou e levou ao rompimento de outras duas. Segundo a Vale, ao todo, 12 milhões de metros cúbicos de rejeitos de minério vazaram.

Como comparação, a Mina do Fundão, em Mariana (MG), que se rompeu há cerca de 3 anos, tinha capacidade de 50 milhões de metros cúbicos (leia mais abaixo), e armazenava 6 milhões de metros cúbicos a mais à época do desastre. Cerca de 32 milhões de metros cúbicos vazaram.

Quantas são as vítimas do vazamento?

Até a noite de domingo (27), foram confirmadas 58 mortes, segundo o governo estadual, e 305 pessoas estão desaparecidas, de acordo com a Vale.

Os rejeitos atingiram uma área administrativa da empresa e a comunidade Vila Ferteco. A mineradora divulgou uma lista com centenas de funcionários e terceirizados que são possíveis vítimas da tragédia.

Qual o impacto do vazamento para os rios e o abastecimento de água da região?

Uma das barragens que se rompeu está situada em um afluente do rio Paraopeba, na bacia do Rio São Francisco. A Copasa (Companhia de Saneamento de Minas Gerais) informou que o abastecimento de água da região metropolitana de Belo Horizonte não será prejudicado.

A captação de água no rio Paraopeba foi interrompida. As cidades abastecidas pela empresa passaram a ser atendidas por outros sistemas. Moradores de cidades vizinhas que vivem próximo ao rio foram orientadas a deixar suas casas na sexta (25), pelo risco de que o nível da água suba.

A barragem da usina hidrelétrica Retiro Baixo está a 220 km do local do rompimento. Segundo a ANA (Agência Nacional de Águas), a estimativa é que a lama atingirá a usina em até quatro dias e que ela amortecerá a onda de rejeito.

Qual o motivo para o rompimento da barragem da Vale?

Segundo a empresa, ainda não se sabe a causa do desastre. A Secretaria de Meio Ambiente de Minas Gerais informou que a Mina do Feijão e a Barragem 1 estão devidamente licenciadas.

Ainda de acordo com a secretaria, em dezembro de 2018, a Vale obteve licença para o reaproveitamento dos rejeitos dispostos na barragem e para o o seu descomissionamento (esvaziamento). Ela não recebia resíduos desde 2015, segundo a mineradora.

Segundo um relatório da ANA de 2017, ao menos 45 barragens do Brasil são vulneráveis e correm risco de rompimento. As da Mina do Feijão não estavam nessa lista.

Caso Mariana

Há cerca de 3 anos, outro vazamento de barragem da Vale tornou-se o maior desastre ambiental da história do país. O rompimento da barragem de Fundão, administrada pela Samarco, destruiu o distrito de Bento Rodrigues, na cidade histórica de Mariana (MG), deixou 19 mortos, dezenas de desabrigados, o Rio Doce contaminado e um rastro de lama que chegou até o litoral do Espírito Santo.

(O Nexo publicou, em 2016, um especial que explica a gênese da tragédia em Mariana.)

Vinte e duas pessoas e quatro empresas respondem na Justiça pelo desastre ambiental provocado pelo rompimento da barragem da Samarco – uma delas responde ainda pelo crime de homicídio.

ESTAVA ERRADO: A primeira versão deste texto informava que a Mina do Fundão, em Mariana (MG), tinha capacidade de armazenar 50 bilhões de metros cúbicos de rejeitos. Na verdade, a capacidade era de 50 milhões de metros cúbicos. O texto foi corrigido às 15h26 de 28 de janeiro de 2019.

Todos os conteúdos publicados no Nexo têm assinatura de seus autores. Para saber mais sobre eles e o processo de edição dos conteúdos do jornal, consulte as páginas Nossa equipe e Padrões editoriais. Percebeu um erro no conteúdo? Entre em contato. O Nexo faz parte do Trust Project.

Já é assinante?

Entre aqui

Continue sua leitura

Para acessar este conteúdo, inscreva-se abaixo no Boletim Coronavírus, uma newsletter diária do Nexo: