A estreia de Bolsonaro em Davos, fórum global da economia

Presidente brasileiro faz sua primeira viagem internacional e deve falar em momento nobre, na sessão de abertura, por até 45 minutos

 

A participação do presidente Jair Bolsonaro no Fórum Econômico de Davos, na Suíça, de 22 a 25 de janeiro de 2019, está marcada, desde seu anúncio, feito pelo Itamaraty no dia 7 de janeiro, por pelo menos três fatos inéditos.

Bolsonaro será o primeiro presidente latino-americano a falar na sessão inaugural deste que é um dos principais encontros internacionais na área política e econômica. A palestra deve levar até 45 minutos. A deferência a Bolsonaro mostra o interesse dos demais países por entender o que o presidente brasileiro representa em termos políticos, e que oportunidades econômicas ele pretende abrir no Brasil.

A ida de Bolsonaro à Suíça tem ainda outros dois marcos: ele irá acompanhado pela maior delegação brasileira até então e permanecerá por mais tempo, quatro dias, no evento do que qualquer outro presidente brasileiro no passado.

A comitiva, que inclui o chanceler Ernesto Araújo, o ministro da Economia Paulo Guedes, o ministro da Justiça Sergio Moro e o filho do presidente e deputado federal Eduardo Bolsonaro, só não estará presente no encerramento.

A coleção de ineditismo dá conta da importância que tanto os organizadores como o governo brasileiro atribuem à ocasião.

O que é Davos

Davos é a face mais conhecida do Fórum Econômico Mundial, mas a entidade é mais que apenas o encontro. O fórum é uma entidade sem fins lucrativos com sede na Suíça e que organiza anualmente uma grande conferência internacional nessa pequena cidade dos Alpes, chamada Davos.

O fórum foi fundado na década de 1970 pelo professor suíço Klaus Schwab, e produz estudos e relatórios sobre a economia mundial.

Seu encontro anual reúne autoridades monetárias, executivos de multinacionais e representantes do mercado financeiro, além de estrelas do cinema e da música engajadas em projetos sociais e ambientais.

Além do encontro centralizado em Davos, o fórum também realiza uma média de dez encontros regionais e descentralizados, na África, no Oriente Médio, na América Latina e no Extremo Oriente.

O tema de 2019

 

Os encontros do Fórum Econômico Mundial são sempre temáticos. Este ano, o nome escolhido é “Globalização 4.0: Moldando uma Arquitetura Global na Era da Quarta Revolução Industrial”.

Quarta revolução industrial” é o nome dado à convergência de tecnologias digitais, físicas e biológicas, presentes na engenharia genética, na robótica e na neurotecnologia.

Pelo menos um dos eixos do encontro combina com o discurso soberanista do chanceler brasileiro, Ernesto Araújo, e dos líderes nacionalistas e populistas que crescem politicamente na Europa: “a globalização deve ser responsável e responder aos interesses regionais e nacionais.”

Esse equilíbrio entre governança global (ou “globalismo”) e soberania é tema recorrente dos discursos e artigos do chanceler brasileiro.

Schwab, o fundador do fórum, diz que Bolsonaro "será muito bem vindo para a comunidade global", que "está muito curiosa para ouvi-lo".

Quando o jornal O Estado de S. Paulo perguntou a Schwab, nesta terça-feira (15), se Bolsonaro não tem valores contrários ao do fórum, a resposta foi: “Veremos. O que significa ser antiglobal? Ele também tem de trabalhar num cenário global. Caso contrário, não viria para Davos”.

Ao apresentar o evento deste ano, o próprio Schwab disse que é preciso "diferenciar entre globalização e globalismo”. Para o suíço “a globalização vai continuar, ja o globalismo é apenas uma ideologia que tudo o que fazemos deve se submeter às leis do mercado”.

“Nunca acreditamos nisso e eu, no passado, já alertei que isso não era sustentável”, disse Schwab ao jornal brasileiro.

É esperado que o discurso de Bolsonaro trate de assuntos comerciais de interesse dos investidores internacionais, tais como a reforma da Previdência, as privatizações de empresas públicas e o combate à corrupção.

O governo brasileiro esperava que Davos se tornasse palco do primeiro encontro entre Bolsonaro e o presidente dos EUA, Donald Trump, mas o impasse sobre o orçamento americano fez Trump cancelar sua presença.

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