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Como foi a inflação para idosos e mais pobres em 2018

Índices alternativos mostram impacto diferente da subida de preços para grupos específicos. Entenda o que pesou

    Em uma economia de mercado, os preços mudam a todo momento, variam de acordo com a oferta e a demanda em diferentes pontos do país. Mas a inflação não afeta a todos da mesma maneira.

    As famílias têm diferentes perfis de consumo. O que elas compram depende de fatores como a região em que moram, a idade dos integrantes dessas famílias e o nível de renda. Famílias mais pobres costumam gastar uma parcela maior de seus ganhos com alimentação; já os mais ricos costumam pagar mais por lazer. Logo, os pobres em geral sofrem mais com o aumento do preço de alimentos e os ricos com o das passagens aéreas, por exemplo.

    Famílias com filhos são mais vulneráveis às variações de preços ligados à educação. Famílias com idosos gastam mais com saúde e remédios. Nesse cenário, se o preço dos remédios sobe e da mensalidade escolar cai, as famílias sentirão o peso da inflação de maneira diferente.

    Os índices

    Uma forma de medir a inflação é por meio dos índices. Pesquisadores criam pacotes de produtos dos quais eles medem periodicamente os preços. Cada item tem um peso diferente, de acordo com o que se projeta que seja a parcela que ocupa nos orçamentos familiares. A variação de preços desse pacote é a inflação publicada.

    Para tentar medir a inflação geral da economia, existem os índices amplos. O IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), índice oficial de inflação, nada mais é do que um pacote de produtos que o brasileiro consome - desde os pobres até os mais ricos, jovens ou idosos, a tentativa é de dar um número final para várias realidades diferentes. Constantemente o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) mede os preços de mais de 460 produtos e calcula o índice.

    Mas, para dar conta da diversidade de perfil de consumo, existem também índices mais específicos. Para se calcular os reajustes do salário mínimo, por exemplo, o governo utiliza o INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor). Produzido pelo IBGE, ele tem metodologia muito parecida com o IPCA, mas os pesos dos produtos são adequados a famílias que recebem até cinco salários mínimos.

    O Ibre (Instituto Brasileiro de Economia) da FGV (Fundação Getúlio Vargas) tem um índice equivalente, chamado IPC-Br, mas também produz índices específicos para medir, por exemplo, a variação dos preços para pessoas de baixa renda e para a terceira idade.

    Inflação dos mais pobres

    O IPC-C1 é medido em quatro capitais (São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador e Recife) pelo Instituto Brasileiro de Economia da FGV. O Ibre identifica o perfil de consumo das famílias mais pobres por pesquisas de orçamentos familiares e a partir disso, dá peso maior no índice aos produtos mais comprados por elas. O público alvo é formado por famílias com renda entre 1 e 2,5 salários mínimos.

    O índice dos pobres e o geral

    A inflação pesa mais para os mais pobres porque, em geral, essas pessoas gastam todo o seu salário com as despesas do mês, têm menos possibilidade de escolher gastar ou não. Além disso, pessoas mais ricas costumam poupar parte maior da renda. Os rendimentos de investimentos são uma maneira de se proteger da inflação, opção que os mais pobres não têm.

    Inflação dos idosos

    O IPC-3i mede a inflação de famílias formadas majoritariamente por pessoas com mais de 60 anos de idade. Para a inflação dos idosos, pesaram principalmente os aumentos de preços de alimentos e itens de saúde, como remédios, consulta médica e plano de saúde.

    O índice dos idosos e o geral

     

    Os anos recentes

    Desde 2016, a inflação dos idosos tem se mantido acima do índice geral e do índice dos mais pobres. Isso quer dizer que os preços dos produtos mais consumidos por quem tem mais de 60 anos vem tendo aumentos mais significativos.

    Na comparação entre o IPC-C1 e o índice geral, houve uma inversão nos últimos anos. Em 2015, quando o Brasil teve uma inflação acima de 10%, os alimentos foram os produtos que mais aumentaram.

    Consequentemente, os mais pobres foram os que mais sofreram. Mas, principalmente em 2017, graças também a condições climáticas mais favoráveis, os alimentos passaram a subir menos, às vezes até a cair de preço, o que levou o IPC-C1 para um índice mais baixo que o geral.

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