A big band multicultural que gravou ‘o som do Brexit’

Data marcada para saída do Reino Unido do bloco político e econômico coincide com lançamento de álbum, feito de forma colaborativa, com artistas de toda a Europa

    Temas
     

    Data marcada para saída do Reino Unido do bloco político e econômico terá lançamento de álbum com colaborações de toda a Europa.

    A saída do Reino Unido da União Europeia inspirou um músico britânico da eletrônica a formar a Brexit Big Band. O projeto encabeçado por Matthew Herbert pretende lançar “The State Between Us” (O estado entre nós, em tradução livre), seu primeiro álbum, no dia 29 de março de 2019, data para qual foi marcada a retirada do país.

    Conceitualmente, Herbert pretende que o projeto vá na contramão do clima político polarizado dos dias atuais, focando em “colaboração” e “solidariedade”. Iniciado em 2017, o som incorpora elementos experimentais e eletrônicos a uma sonoridade de big band jazzista. O grupo já realizou diversas apresentações pela Europa.

     

    Com 16 faixas, o álbum conta com a contribuição de mais de 1.000 músicos e autores, entre eles o produtor e vocalista americano Arto Lindsay e o veterano dramaturgo inglês Caryl Churchill. Músicos, cantores, corais, solistas e bandas de diversos países europeus terão participações. Vocais serão cantados em línguas diferentes, com as letras e temas escritas por diversos convidados. Uma composição inclui frases retiradas de tuítes de um secretário-geral do Ukip, o partido britânico que iniciou a campanha pela saída do Reino Unido.

    O responsável pelo projeto ressalta, entretanto, que ele não é “anti-Brexit”. Apesar de achar “difícil encontrar alguém que ache que o Brexit está indo bem”, Herbert explica que se trata de uma iniciativa que, tendo aceitado que a saída do país da União Europeia vai ocorrer, “tenta entender como pode ser um novo tipo de relacionamento com nossos vizinhos europeus”.

    Herbert rodou o país captando sons para montar “uma jornada a pé pela Grã-Bretanha” no lançamento. Um nadador no Canal da Mancha, um “English breakfast” (o café da manhã típico, com vários ingredientes fritos), uma fábrica sendo demolida e um Ford Fiesta sendo desmontado estão entre os áudios usados no trabalho.

    “Eu simplesmente não seria o músico ou pessoa que sou, não fosse pelas incontáveis colaborações e interações com pessoas de origens e nacionalidades diferentes da minha. Aprendi tanto de tantas vozes díspares e menos conhecidas. A mensagem de partes da campanha do Brexit era de que, como nação, estaríamos melhor sozinhos. Eu refuto essa ideia completamente e quis criar um projeto que representasse a ideia de colaboração do começo ao fim”, explicou Herbert em nota à imprensa.

     

    O projeto também inclui um ”intercâmbio de sons”, um site em que qualquer pessoa possa contribuir com um som de três segundos de duração. Depois da contribuição, o usuário pode ter acesso a todos os sons carregados por outras pessoas.

    Desde o fim da década de 1990, Matthew Herbert já lançou quase 30 álbuns, sob nomes diferentes. Uma característica marcante de seu trabalho, que primeiro se destacou no cenário da música eletrônica, é o uso de objetos e elementos cotidianos como fonte de sons.

    De 2001, “Bodily Functions” utilizou captações da manipulação de partes do corpo, como cabelo, pele e órgãos internos. Em “Plat du jour”, de 2005, sonoridades ligadas à comida foram usadas, incluindo a ambiência de um matadouro de frangos e 3.500 pessoas mordendo uma maçã simultaneamente.

    O som das big bands é outra influência importante para o músico. Sua discografia conta com dois álbuns creditados a The Matthew Herbert Big Band, de 2003 e 2008.

     

    Todos os conteúdos publicados no Nexo têm assinatura de seus autores. Para saber mais sobre eles e o processo de edição dos conteúdos do jornal, consulte as páginas Nossa equipe e Padrões editoriais. Percebeu um erro no conteúdo? Entre em contato. O Nexo faz parte do Trust Project.

    Já é assinante?

    Entre aqui

    Continue sua leitura

    Para acessar este conteúdo, inscreva-se abaixo no Boletim Coronavírus, uma newsletter diária do Nexo: