As mulheres que moldaram a identidade visual do metrô de Londres

Pôsteres publicitários comissionados pelo transporte público da capital tiveram contribuição feminina expressiva

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    Foto: Reprodução
    Propaganda de evento esportivo de inverno, design de Margaret Barnard, 1938
     

    Muito populares no Reino Unido, os pôsteres publicitários exibidos no metrô de Londres ao longo do século 20 possuem uma estética reconhecível e o charme de outro tempo. A contribuição de artistas mulheres, ainda pouco reconhecida, foi central para a criação deles.

    A exposição “Poster Girls”, realizada pelo London Transport Museum (Museu do Transporte de Londres) entre outubro de 2017 e janeiro de 2019, reuniu e designou a autoria de mais de 150 pôsteres, buscando prestar reconhecimento à marca visual deixada pelas artistas na capital.

    Desde 1910, pelo menos 170 artistas mulheres, como Mabel Lucie Attwell, Laura Knight e Dora M. Batty, foram contratadas para realizar trabalhos para a rede pública de transporte londrina.

    'Liquidações de verão', de Mary Koop, 1925
    Foto: Reprodução
    'Fazer compras de metrô. Do interior ao coração da cidade em meia hora', Dora M Batty, 1925
     

    Admitidas já pelo primeiro diretor executivo do metrô de Londres, Frank Pick, que tinha uma atitude mais progressista do que a maioria de seus contemporâneos com relação à presença das mulheres no mercado de trabalho, elas ainda assim recebiam menos do que artistas homens pelo trabalho.

    Além disso, artistas que se dedicavam à publicidade normalmente não assinavam seus cartazes, ficando relegados ao anonimato.

    Foto: Reprodução
    Zoológico de Londres, de Arnrid Banniza Johnston, 1930
     

    A emergência do metrô de Londres – a primeira linha foi inaugurada em 1863, mas a expansão da rede para cobrir uma área mais expressiva da cidade teve início nos primeiros anos do século 20 – coincide com a época em que um número maior de mulheres começava a se formar nas escolas de arte britânicas.

    Desfavorecidas na competição com artistas homens, muitas se voltavam às áreas mais comerciais para ganhar a vida, como a ilustração. Sua criação passou a ser mais solicitada por uma economia que passava a visar cada vez mais o público feminino como consumidor.

    Os pôsteres propagandísticos do metrô de Londres começaram a perder relevância ao fim do século 20, quando outras mídias tomaram seu lugar privilegiado para a publicidade. 

    Foto: Reprodução
    'Regatas na nascente do rio', de Anne Hickmott, 1959
    Foto: Reprodução
    'Nós, londrinos', de Dorrit Dekk, 1961
     

    Produzidos ao longo de um século, os trabalhos das artistas podem ser encarados também como uma linha do tempo do design: suas abordagens estilísticas variam de acordo com a época, incluindo pôsteres figurativos, abstratos, colagens e estilo modernista.

    Além disso, revelam um meio em que artistas mulheres moldaram, silenciosamente, a maneira através da qual a cidade de Londres enxergava “a si mesma, seus divertimentos e seu futuro”, escreveu o jornalista Feargus O’Sullivan para o site Citylab.

     

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