As mulheres cantoras de samba-enredo no Carnaval de 2019

Puxadores, como são conhecidos os intérpretes do tema musical entoado pelas escolas, normalmente são homens, assim como ocorre em outros postos de prestígio e poder decisório na hierarquia das agremiações

     

    Nos últimos anos, a participação de mulheres na função de puxador de samba das escolas carnavalescas, historicamente masculina, tem se tornado mais usual.

    O papel dos puxadores é conduzir o samba-enredo apresentado pela escola naquele ano, um dos quesitos avaliados na competição. Eles ocupam o carro de som e se dividem entre os intérpretes principais e as vozes de apoio (também conhecidas como “pastoras”).

    Elas continuam, porém, sendo minoria – segundo um levantamento feito pelo portal G1, em 2019, no Grupo Especial do Rio de Janeiro, há 12 cantoras, que representam 14,8% do total de puxadores.

    Metade das escolas (sete, de 14) que fazem parte do Grupo Especial do carnaval carioca em 2019 contam com intérpretes femininas.

    Em duas, elas são as vocalistas principais dos sambas-enredo: Grazzi Brasil e Larissa Luz são as vozes de destaque da Paraíso do Tuiuti e São Clemente. Brasil também canta no carnaval de São Paulo, e, em 2019, será intérprete da Vai-Vai pelo segundo ano consecutivo.

    Em São Paulo, uma mulher não ocupa o posto de intérprete titular de uma escola de samba desde 2003.

    A composição dos sambas-enredo também costuma ficar a cargo de homens, embora mulheres como Dona Ivone Lara tenham disputado a posição e aberto caminho para compositoras desde meados do século 20.

    A percussionista Thaís Rodrigues também chamou atenção ao se tornar, em 2019, mestre de bateria da escola Feitiço do Rio, do Grupo E do carnaval carioca.

    Assim como a de puxador, a função de mestre de bateria é historicamente ocupada por homens nas agremiações.

    Tradicionalmente, mulheres ocupam o posto de ���rainha” ou “princesa” das baterias, mas tem se tornado cada vez mais comum vê-las tocando instrumentos nos desfiles. Encontrá-las comandando os ritmistas, porém, ainda é raro.

    O lugar delas nas escolas

    As mulheres estão presentes na história das escolas de samba desde sua fundação.

    Ainda são poucas, no entanto, as que atuam como dirigentes das agremiações ou chefiam a produção dos desfiles – ao contrário, elas costumam estar em funções “decorativas ou periféricas” nas escolas, segundo uma reportagem publicada pelo portal Gênero e Número em 2017.

    Suas atribuições costumam reproduzir os papéis de gênero que desempenham na sociedade. Nas escolas, “as mulheres têm papéis predeterminados dos quais raramente conseguem escapar”, disse a jornalista e pesquisadora Rachel Valença ao site.

    Ainda segundo o Gênero e Número, o “departamento feminino” das escolas é responsável por cuidar da recepção aos convidados, da comida nos eventos, das crianças e dos idosos – a Velha Guarda –, enquanto as decisões são tomadas pelos homens.

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