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Por que Mona Lisa não causa o efeito que leva seu nome

Pesquisadores de universidade alemã mediram ângulo do olhar de personagem retratada por Da Vinci para saber se seus olhos seguem quem a observa

     

    Quando alguém é retratado com o olhar fixo na lente de uma câmera, a sensação que se obtém, na foto, é que os olhos dessa pessoa sempre acompanham quem a está observando, independentemente do ponto em que estiver. Esse efeito, usado largamente por pintores, ficou conhecido com o nome de Mona Lisa, em referência ao famoso quadro feito por Leonardo Da Vinci no início do século 16. 

    Só que a Mona Lisa não está olhando diretamente para quem a observa. Um trabalho conduzido por dois pesquisadores alemães do departamento de psicologia da Universidade de Bielefeld e publicado na edição de janeiro de 2019 da revista científica i-Perception, mostra que o olhar da personagem sorridente de Da Vinci está, na verdade, deslocado 15,4 graus para a direita. No máximo, ela está olhando para a orelha do observador.

    O que diz o estudo

    Gernot Horstmann e Sebastian Loth, os autores da pesquisa, utilizaram em seus testes uma reprodução em alta resolução da obra. Ela foi apresentada numa tela de computador de 35 centímetros por 26 centímetros a 24 participantes posicionados a uma distância de 66 centímetros da imagem.

    Entre os observadores e a Mona Lisa havia réguas, em distâncias variadas. A reprodução do quadro era manipulada. Às vezes, os pesquisadores mostravam o rosto inteiro da personagem; em outras, apenas os olhos e o nariz. O zoom ia sendo alterado de 10 em 10 pontos percentuais, numa escala que ampliou a imagem de 30% a 70%.

    O experimento foi repetido 2.000 vezes. Os observadores precisam indicar o ponto em que eles achavam que estava sendo observado pela personagem.

    “Os participantes do estudo tiveram a impressão que o olhar da Mona Lisa apontava para o lado direito”, afirmou Horstmann ao jornal britânico Telegraph. Segundo ele, o mito de que a obra sempre mirava os observadores ilustra “o forte desejo de ser observado, de ser o centro de atenção, relevante para alguém, mesmo que você não conheça a pessoa”.

    No estudo, os pesquisadores não contestam que a sensação de ser seguido pelos olhos de uma pessoa retratada num quadro possa ocorrer. “Não há dúvidas sobre a existência do efeito Mona Lisa. Ele apenas não ocorre com a própria Mona Lisa”, escreverem.

    Se os olhos da pessoa se movem mais de 5 graus em relação ao centro da câmera (ou do pintor que a retrata), o efeito já não é mais sentido, concluíram os pesquisadores.

    “As pessoas podem sentir que estão sendo observadas por fotos ou pinturas, se a pessoa retratada olhar diretamente à frente para fora da imagem, ou seja, num ângulo do olhar de 0 grau”, disse Horstmann ao jornal Daily Mail.

    A obra

    O quadro de Da Vinci, mantido no Museu do Louvre, em Paris, atrás de um vidro blindado, foi feito, provavelmente, entre 1503 e 1506, e retrata Lisa Gherardini, mulher do comerciante florentino Francesco del Giocondo, segundo alguns estudiosos. A identidade da personagem, porém, não é um consenso.

    Há várias explicações para o motivo de ter se tornado famosa. Uma delas foi o fato de ter sido furtada em 1911 por um ex-empregado do museu, um italiano que queria que a obra voltasse para seu país de origem.

    O ladrão foi pego tentando levar o quadro para uma galeria em Florença. Recuperada, a tela só voltaria ao Louvre três anos depois, em 1914, e seu retorno foi amplamente publicizado pelos jornais da época, tornando-a um lenda. 

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