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O projeto que conta a evolução do jazz em 1959, um dia por vez

Jornalista que criou plataforma fala em recuperar contexto cultural da ‘Idade de Ouro’ de um dos estilos musicais mais relevantes do século 20

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    Uma plataforma chamada “The 1959 Project”, criada em 1º de janeiro de 2019 pela jornalista americana Natalie Weiner, se dispõe a contar, até o fim deste ano, uma história diária da cena de jazz em 1959 — ano-chave para um dos estilos musicais mais relevantes do século 20.

    Abastecida com arquivos digitais de músicas, vídeos, jornais e revistas da época, a série busca recuperar o contexto cultural por trás dos sucessos mais famosos de 60 anos atrás — tanto relembrando histórias conhecidas quanto trazendo novas memórias, menos divulgadas.

    Entre outros sucessos, 1959 rendeu álbuns celebrados como “Kind of Blue” (Miles Davis), “Time Out” (Dave Brubeck) e “The Shape of Jazz to Come” (Ornette Coleman). Num filme de 2009, o ano foi retratado como aquele que “transformou” o estilo rumo ao sucesso definitivo.

    A série, até agora com sete histórias, abre com a narração de um show de Charles Mingus e John Handy na virada de 1958 para 1959, no Five Spot Cafe, em Nova York. Para contar eventos do dia do passado, a jornalista recupera músicas e trechos das biografias dos artistas.

     
    Foto: The 1959 Project
    Anúncio de show de Charles Mingus e Sonny Rollins em 31 de dezembro de 1958
     

    Em texto publicado na plataforma, Weiner afirma que a motivação para criar a linha do tempo foi, em parte, a chamada “síndrome da Idade de Ouro” (em tradução literal), nostalgia que fãs de jazz que não viveram a época de ascensão do estilo sentem ao ouvir álbuns lançados 60 anos atrás.

    Além disso, a história do jazz, ao contrário da de outros movimentos nos EUA (como o dos hippies e dos beatniks), “não tem uma cena”, apoiando-se em poucos grandes nomes — como Miles Davis, John Coltrane e Thelonious Monk, ela diz. “Minha intenção é mostrar o jazz como o estilo de uma comunidade”, afirmou em entrevista ao site WBGO.org.

    Para a jornalista, o melhor do jazz não são os álbuns, mas “o privilégio de testemunhar a busca dos músicos por sua expressão autêntica”. “É interessante ver a ‘atmosfera’ que os permitiu criar aquilo que criaram”, afirmou. “Mas o mundo que funcionava ao redor deles se perdeu.”

     

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