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O elo entre proteína liberada em exercícios e redução de Alzheimer

Pesquisa científica conduzida pela Universidade Federal do Rio de Janeiro analisou ação de substância em tecido cerebral. Estudos já vinham apontando exercícios físicos como benéficos contra a demência

 

Segundo estimativas da Organização Mundial da Saúde, há cerca de 50 milhões de pessoas vivendo com demência no mundo. Entre 60% e 70% delas desenvolvem o problema em decorrência do Alzheimer, uma síndrome degenerativa associada ao acúmulo de proteínas tóxicas no cérebro e à morte de células cerebrais.

Em geral, essa condição é desenvolvida na velhice, levando à deterioração da habilidade de processar pensamentos, o que prejudica a fala, a interação e a possibilidade de levar uma vida autônoma. Não há cura para a doença e, conforme a população mundial envelhece, Alzheimer e demência tendem a se tornar problemas sociais maiores.

Por isso, pesquisadores de diversas partes do mundo vêm buscando formas de reduzir os efeitos do Alzheimer. Uma pesquisa conduzida por cientistas da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) e publicada na edição de janeiro de 2019 da revista Nature Medicine afirma ter encontrado indícios de que uma proteína liberada durante o exercício físico pode ajudar a prevenir a perda de memória associada à doença.

Outros estudos têm apontado outras moléculas associadas ao exercício como fatores que podem contribuir para retardar ou mesmo prevenir o Alzheimer. O trabalho dos pesquisadores da UFRJ adiciona a irisina a esse rol.

O que a pesquisa descobriu

Um conjunto crescente de pesquisas vem demonstrando que exercícios físicos podem contribuir para prevenir ou retardar o avanço do Alzheimer. Com isso em vista, os pesquisadores da UFRJ buscaram compreender se entre as raízes desses efeitos benéficos estaria a irisina, que é uma proteína cuja liberação aumenta com a execução de exercícios físicos.

Estudos realizados em ratos haviam mostrado que o estímulo à liberação dessa proteína nos cérebros desses animais levava à produção de uma outra proteína, chamada de “fator neurotr��fico derivado do cérebro”. Ela está associada à formação e à sobrevivência de neurônios.

Em seu trabalho, os pesquisadores testaram os efeitos da irisina sobre pedaços retirados de cérebros humanos, e observaram que ela estimulava funções relacionadas à memória. Além disso, bloqueavam o acúmulo de proteínas beta-amilóides, associadas ao Alzheimer. E também previniam a inibição da síntese de outras proteínas.

Por isso, afirmam os pesquisadores, a irisina contribui para preservar a memória entre humanos. Eles também identificaram que os níveis de irisina eram reduzidos nos cérebros de humanos e ratos com Alzheimer, e também no chamado líquido cefalorraquidiano de humanos — presente no espaço entre o crânio e o córtex cerebral, que é a camada mais externa do cérebro.

Por isso, os pesquisadores levantam a hipótese de que realizar exercícios físicos para estimular a produção da irisina poderia contribuir para combater o Alzheimer. Como a doença afeta principalmente idosos, que frequentemente têm sua mobilidade debilitada, no futuro seria possível administrar doses extras de irisina como um novo tratamento contra a doença.

“Nossas descobertas sugerem que a irisina poderia fazer parte de uma nova e atrativa terapia voltada a prevenir a demência em pacientes sob risco, assim como retardar seu avanço em pacientes em estágios avançados, incluindo aqueles que já não podem se exercitar”

Pesquisa ‘FNDC5/irisina ligada ao exercício resgata plasticidade sináptica e problemas de memória em modelos de Alzheimer’, publicada em janeiro de 2019 na revista acadêmica Nature Medicine

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