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Como evoluiu o preço da passagem no Rio e São Paulo desde 2013

Depois dos protestos, tarifas do transporte público aumentaram mais do que a inflação nas duas maiores cidades do Brasil

     

    Em junho de 2013, um aumento nas tarifas do transporte público em São Paulo e no Rio de Janeiro foi o estopim para a maior série de manifestações do país desde a redemocratização. Os protestos, iniciados pelo Movimento Passe Livre contra um reajuste de R$ 0,20 nas passagens de ônibus e metrô, cresceram em tamanho e em pautas, derrubaram a popularidade de políticos e marcaram a história do país.

    Cinco anos e meio depois, a prefeitura e o governo do estado de São Paulo anunciaram o quarto reajuste nas tarifas desde as manifestações de 2013. O bilhete unitário, no ônibus e no metrô, vai custar R$ 4,30 em 2019 — 7,5% a mais do que os R$ 4 do ano anterior.

    Em 2018, a inflação deve fechar o ano em 3,7%, metade do reajuste anunciado. A explicação oficial da Prefeitura é que o aumento foi calculado para compensar não só a inflação de 2018, mas também a de anos anteriores, quando a tarifa ficou represada.

    Considerando a inflação acumulada no período, o Nexo mostra a evolução do preço real da passagem em São Paulo desde junho de 2013.

    Mais cara que em 2013

    Em maio de 2013, o então prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), anunciou, juntamente com o então governador Geraldo Alckmin (PSDB), um reajuste de R$ 0,20 nas passagens de ônibus e metrô na capital. O novo preço, de R$ 3,20, começou a vigorar em 1º de junho, mas durou pouco mais de 20 dias.

    A forte onda de protestos fez com que os políticos anunciassem no dia 19 de junho a revogação do aumento. O preço voltou a ser de R$ 3 e a passagem na cidade ficou sem nenhum reajuste até o final de 2015. Desde então, no entanto, os quatro aumentos anunciados fizeram com que a passagem ficasse mais cara agora do que em maio de 2013.

    O IPCA acumulado no período foi de 38%, o que significa que a passagem deveria custar R$ 4,14, em janeiro de 2019, se fosse corrigida apenas pela inflação. O valor é R$ 0,16 menor do que o anunciado pela prefeitura e pelo governo do Estado para 2019.

    O gráfico abaixo mostra a evolução do preço da passagem no período e quanto ela custaria se o valor de maio de 2013 fosse reajustado apenas pela inflação.

    Valor real

     

    No gr��fico é possível ver dois períodos mais longos em que a tarifa ficou sem reajuste. O primeiro foi entre as manifestações de 2013 e o fim de 2015. O segundo, nos anos de 2016 e 2017, foi quando o então prefeito João Doria (PSDB) decidiu não mexer no preço da passagem. Não aumentar a tarifa era uma promessa de campanha do então candidato.

    É justamente esse hiato que é usado agora pela Prefeitura para justificar um reajuste acima da inflação. O atual prefeito, Bruno Covas, que era vice de Doria, argumenta ainda que o reajuste feito no início de 2018, de R$ 3,80 para R$ 4, foi abaixo da inflação acumulada no período anterior.

    “Por dois anos, em 2016 e em 2017, a tarifa não sofreu qualquer reajuste, mantendo-se no valor de R$ 3,80, impactando significativamente o orçamento da Prefeitura. Em 2018, houve um aumento abaixo da inflação, elevando o valor para R$ 4. Agora, a Prefeitura realiza uma necessária adequação da receita para reduzir o desequilíbrio do sistema”

    Nota da Prefeitura de São Paulo

    Rio não tem aumento, mas preço é maior que em 2013

    A passagem de ônibus urbano no Rio não tem reajuste previsto para este início de ano de 2019. O último aumento aconteceu em junho de 2018, quando o prefeito Marcelo Crivella (PRB) anunciou que a tarifa passaria de R$ 3,60 para R$ 3,95 - 9,7% a mais.

    O valor da tarifa no Rio já teve nove mudanças desde maio de 2013. Além de seis aumentos, foram três reduções no preço da passagem. A primeira, como em São Paulo, graças aos protestos de junho. Mas pouco depois, no início de 2014, o reajuste foi dado.

    Em 2017, uma disputa judicial alterou o preço da passagem. O então prefeito Eduardo Paes (à época no PMDB, hoje DEM) mantinha a passagem em R$ 3,80, mas duas decisões da Justiça consideraram os reajustes anteriores ilegais. A tarifa caiu primeiro para R$ 3,60 e depois para R$ 3,40.

    O gráfico abaixo mostra que esse período, entre novembro de 2017 e maio de 2018, foi quando a tarifa esteve abaixo do valor real que tinha na época dos protestos de 2013. Corrigida apenas pela inflação, a tarifa custaria hoje R$ 3,79.

    Valor real

     
     

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