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A ativista que gravou notícias da TV por 33 anos

Documentário retrata a vida de Marion Stokes, que acumulou um arquivo de 70 mil fitas VHS contendo programas jornalísticos, talk shows e comerciais

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    A produtora e ativista americana Marion Stokes gravou programas de TV por mais de 30 anos, 24 horas por dia. Entre 1979 e 2012, ano de sua morte, Stokes acumulou um arquivo de 70 mil fitas VHS contendo programas jornalísticos, talk shows, comerciais e transmissões ao vivo.

    Quando Stokes morreu, em 14 de dezembro, seu aparelho de videocassete registrava o massacre de Sandy Hook, escola primária em que um atirador matou 20 crianças. Suas gravações começaram durante a crise dos reféns americanos no Irã.

    Um novo documentário sobre a vida e hábitos de Stokes está em fase de produção. Dirigido por Matt Wolf, o filme ressalta a importância do trabalho da ativista para a preservação da memória cultural e jornalística. “O público não sabia, mas as redes estavam por décadas descartando seus arquivos na lata de lixo da história”, explica o texto de apresentação do documentário. “De forma notável, Marion salvou tudo isso.”

    O projeto Internet Archive, de memória digital, está no processo de digitalizar as fitas de Stokes. Boa parte já está acessível para consulta online.

    Quem foi Marion Stokes

    A produtora de TV Marion Stokes foi a “socialista de iPhone” original. De ideologia comunista, foi uma acionista de primeira hora da Apple, ainda na década de 1970. Como fã da empresa de Steve Jobs, a ativista acumulou ao longo da vida 192 computadores Macintosh, de diversos modelos, muitos nunca tirados da caixa.

    Seu foco eram as notícias. Com a chegada da TV a cabo e do noticiário 24 horas na década de 1980, nos Estados Unidos, Stokes passou a registrar cada vez mais canais. Chegou a gravar oito emissoras simultaneamente, incluindo Fox, CNN e CNBC.

    Sua vida pessoal, e a da família, giravam em torno das gravações. Fitas de seis horas de duração eram carregadas à noite antes da hora de dormir. Refeições em restaurantes eram terminadas rapidamente para que ela pudesse voltar para casa a tempo de trocar uma fita de VHS. De situação financeira confortável, a colecionadora preencheu vários apartamentos do qual era proprietária com seu acervo de fitas.

    “Praticamente tudo ficou em segundo plano”, declarou seu filho, Michael Metelits, ao site Fast Company. “Isso deu um certo ritmo à sua vida e uma profunda convicção de que todo esse material seria útil. De que, de alguma maneira, alguém iria encontrar um modo de indexar, arquivar e armazenar tudo isso”.

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