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Por que ‘Meu Amigo Totoro’ só agora foi lançado na China

Anime japonês completa 30 anos em 2018. China tem restrições para a entrada de filmes estrangeiros no mercado nacional

 

Lançado em 16 de abril de 1988, o anime “Meu Amigo Totoro” é um marco na trajetória de um dos estúdios de animação mais importantes do Japão, o Estúdio Ghibli. Dirigido por Hayao Miyazaki, ele conta a história de uma garota, Mei, que descobre em seu quintal uma passagem que a leva a um antigo espírito da floresta: Totoro.

A mãe de Mei está internada e o pai vive entre o trabalho e o hospital. Sozinha, a menina tenta visitar a mãe, se perde na floresta e recorre ao espírito para ajudá-la. Apesar de ser sucesso de público e crítica, o filme passou décadas sem ser exibido em cinemas na vizinha China -ele circulou, no entanto, em DVDs e em downloads piratas.

Após 30 anos, uma versão restaurada digitalmente de Totoro se tornou, no dia 12 de dezembro de 2018, o primeiro filme do Estúdio Ghibli a ser exibido na China, em versões dublada e legendada.

De acordo com informações do site especializado em animação, Cartoon Brew, apesar de a obra ser antiga e já ter sido assistida por muitos chineses, o lançamento foi um sucesso, com faturamento de US$ 12,9 milhões, atrás apenas de “Aquaman” na data. Agora, o estúdio negocia a exibição de outras obras no país.

As regras para lançamentos estrangeiros na China

Em um esforço para regular a influência estrangeira sobre o país, assim como proteger o mercado e fomentar a produção local, a China possui regras rígidas para a exibição de filmes estrangeiros.

Segundo informações publicadas em 2017 no site China Film Insider, o governo passou a permitir filmes estrangeiros no mercado de cinemas local apenas em 1994. Atualmente, a entrada de cerca de 34 filmes estrangeiros é liberada anualmente.

Segundo a reportagem, nesse modelo o estúdio estrangeiro detentor dos direitos autorais fica com 25% da receita, e impostos e gastos com marketing ficam com as distribuidoras chinesa. 

No caso dos filmes que não são selecionados, é possível entrar no mercado chinês negociando com as distribuidoras do país um preço fixo pelo direito à exibição, independente do faturamento.

Uma reportagem publicada em março de 2018 na revista americana focada em entretenimento Variety apontou que o governo chinês regula a entrada de filmes americanos de acordo com seus interesses econômicos. Trata-se de uma forma de chamar atenção e, ao mesmo tempo, retaliar ações comerciais dos Estados Unidos contra produtos chineses.

Isso também vale para o Japão. Em entrevista ao site da BBC, o diretor do Centro de Estudos do Leste Asiático da Universidade do Sul da Califórnia afirmou que “para a China, filmes sempre ficarão atrás da política”. Ou seja, a abertura a filmes como “Meu Amigo Totoro” depende do status da relação entre Japão e China.

"No momento, o relacionamento melhorou significativamente, e há um grande movimento de coproduções sino-japonesas, incluindo animês”, afirmou.

 

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