O crescimento dos podcasts no Brasil, em público e diversidade

Formatos inovadores e uma audiência cada vez maior impulsionam consumo de histórias para se ouvir. No ‘Nexo’, novos programas são reconhecidos em 2018

     

    O termo podcast surgiu há pelos menos 14 anos. No começo de 2004, um jornalista do diário britânico The Guardian escreveu um texto sobre como, naquele momento, as condições estavam dadas para uma espécie de revolução na produção de conteúdo em áudio online.

    Quase uma década e meia depois, com alguns pontos de inflexão e aceleração pelo caminho, essa revolução foi materializada. E se espalha pelo mundo, em ritmos e escalas diferentes, inclusive no Brasil.

    “MP3 players, como o iPod da Apple, em muitos bolsos, softwares de produção de áudio baratos ou gratuitos, e o weblogging, como algo já estabelecido na internet; todos os ingredientes estão aí para um novo boom no rádio amador”

    Ben Hammersley

    jornalista do The Guardian, em 12 de fevereiro de 2004

    O caso ‘Serial’ e a ‘nova era de ouro do rádio’

    Entre 2004, quando ganharam um nome, até 2014, quando completaram uma década, os podcasts conquistaram um público cativo. Esse público, no entanto, era ainda restrito e segmentado: fãs de tecnologia ouviam podcasts de tecnologia, fãs de cinema ouviam programas de cinema e assim por diante. O formato de podcasts em mesa redonda tornou-se particularmente popular: pessoas, às vezes especialistas, debatendo por um longo tempo um assunto específico.

    Diferentemente do rádio comercial, que tem restrições de programação, precisa considerar a hora do rush, por exemplo, e pensar no ouvinte do automóvel, além de prever uma grade horária com inserções de propagandas, o podcast tem menos limitações. Os ouvintes podem fazer o download de cada edição e escutar no momento em que for mais conveniente. Isso permitiu aos produtores de podcast fazer programas de mais de uma hora. Ou às vezes programas de poucos minutos.

    No fim de 2014, foi lançado nos EUA um podcast que se tornaria um marco. “Serial” é uma investigação jornalística sobre um homicídio ocorrido em 1999, contada ao longo de 12 episódios, cada um com duração entre 30 minutos e uma hora. A repórter Sarah Koenig narra em primeira pessoa suas descobertas, entrevista dezenas de envolvidos no caso, vai a campo averiguar hipóteses e expõe suas dúvidas enquanto investiga, adotando um formato de “storytelling” que mistura jornalismo com uma narrativa mais literária.

    A primeira temporada de “Serial” já registrou mais de 175 milhões de downloads e faturou dezenas de prêmios, tirando os podcasts do consumo de nicho, atingindo o mainstream cultural. O programa, feito por jornalistas ligados à NPR (sistema da rádio pública americana), inaugurou o que alguns chamaram de “a nova era de ouro do rádio” — agora na internet —, numa referência ao período entre as décadas de 1920 e 1940, antes da televisão, em que as transmissões em ondas sonoras tornaram-se o grande meio de comunicação de massa.

    Entre o fim de 2017 e o começo de 2018, então, ganharam popularidade podcasts diários de notícia, feitos por veículos jornalísticos como o The New York Times, que produziu o “The Daily”, ou o Vox, que faz o “Today, Explained”. Os jornais The Washington Post e o The Guardian também lançaram podcasts diários na segunda metade deste ano.

    Os podcasts no Brasil

    No Brasil, o hábito de produção e consumo de podcasts seguiu o mesmo padrão dos EUA e de outros países: no começo, tratava-se de temas específicos, geralmente no formato de mesas redondas. Pouco a pouco, a oferta e a demanda ganharam corpo e variedade.

    Segundo a ABPod (Associação Brasileira de Podcasters), o primeiro podcast brasileiro surgiu em 2004, criado por Danilo Medeiros, como parte de seu blog. Em 2006, surgiu o Nerdcast, que até hoje é um dos programas mais ouvidos do país, também no formato de conversas sobre assuntos diversos, mas já com uma produção mais elaborada.

    Em 2014 foi lançado o Mamilos, um podcast de entrevistas e conversas sobre temas variados. Na definição das autoras: “as polêmicas da semana discutidas com inteligência, empatia, tolerância e bom humor”. O programa também virou referência entre os podcasts brasileiros.

    Em 2018, uma consulta feita pela ABPod, usando um formulário aberto na internet, recebeu 22 mil respostas sobre os hábitos de consumo de podcast no Brasil. Mais da metade dos respondentes afirma consumir podcasts diariamente.

    Plataformas de streaming, como o Spotify e o Deezer, passaram entre 2017 e 2018 a disponibilizar podcasts. E ainda veículos de imprensa tradicionais, como o jornal Folha de S.Paulo, passaram também a produzi-los, usando técnicas narrativas para além da mesa redonda. Para alguns agentes do mercado publicitário, 2018 é o ano dos podcasts no Brasil.

    Os podcasts do ‘Nexo’ em 2018

    Os podcasts do 'Nexo': 'Durma com essa', 'Politiquês', 'Escuta' e 'Como começar
     

    Desde o lançamento do Nexo, em novembro de 2015, o jornal investe regularmente em podcasts. Inicialmente, os programas tratavam de assuntos diversos. Em meados de 2017, foi lançado o “Politiquês”, um programa semanal que traz conceitos e debates relevantes da política. O programa inaugurou uma nova fase dos podcasts do Nexo, que passaram a ser temáticos.

    O “Como começar” deu sequência a uma série que aborda a obra de artistas ou movimentos específicos no cinema ou na literatura, reunidos em edições mensais. No início de 2018, foi lançado o “Escuta”, podcast mensal que fala das conexões da música com seu contexto histórico e como ela dialoga com tendências de comportamento.

    Finalmente, em setembro, o Nexo botou no ar seu podcast diário de notícias, o “Durma com essa”, que traz, de segunda a quinta, no fim da tarde, uma fato instigante do dia que passou.

    1,54 milhão

    de plays nos podcasts do Nexo apenas em 2018, segundo o SoundCloud

    O “Durma com essa” foi escolhido pela Apple como um dos 10 melhores podcasts do Brasil em 2018. Já o “Politiquês” figurou entre os 12 mais ouvidos do ano segundo o Spotify. Os quatro programas do Nexo estão recorrentemente no topo do site iTunes Chart, que mede o consumo de podcasts na loja da Apple no Brasil.

     

    Como ouvir os podcasts

    Há diversas formas de ouvir os podcasts do Nexo. Se você quer acessar pelo computador de mesa, ou ainda pelo browser (navegador) do seu celular, basta acessar a página no site que reúne todos os programas e clicar nos episódios que deseja ouvir.

    Há também a possibilidade de acessar diretamente os perfis de cada programa diretamente no Soundcloud: “Durma com essa”, “Politiquês”, “Escuta” e “Como começar”.

    Você também pode ouvir os podcasts em aplicativos no seu celular. Para quem usa Apple, os iPhones já vêm com o app Podcasts: basta acessá-lo, procurar pelos podcasts do Nexo (“Durma com essa”, “Politiquês”, “Escuta” e “Como começar”) e então assiná-los. É uma assinatura gratuita, que garante que você saiba sempre que um novo episódio estiver disponível.

    Para quem usa Android, há vários aplicativos que agregam podcasts. Há o do próprio Google e, nele, você pode assinar, também de forma gratuita, todos os programas do Nexo: “Durma com essa”, “Politiquês”, “Escuta” e “Como começar”.

    Os podcasts do Nexo estão também nas plataformas de streaming, como Spotify e Deezer. Dentro delas, também é possível assinar de forma gratuita cada programa e receber atualizações sobre novos episódios.

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