Por que proibir animais no circo é uma tendência mundial

Estado de Nova Jersey é o primeiro estado americano a vetar integralmente a prática. No Brasil, 11 estados já proíbem

     

    Animais “selvagens ou exóticos” não podem mais participar de espetáculos circenses em Nova Jersey, nos Estados Unidos. É o primeiro estado americano a adotar tal legislação, que leva o nome de “lei Nosey”. De acordo com nota oficial, Nosey era um elefante africano de 36 anos que sofria de artrite aguda, mas era obrigado a viajar com o circo e se apresentar.

    “Tenho orgulho de assinar a ‘lei Nosey’ e assegurar que Nova Jersey não permitirá animais selvagens e exóticos serem explorados e tratados cruelmente em nosso estado”, declarou o governador Phil Murphy. “Esses animais pertencem a seus habitats naturais ou em santuários de vida selvagem.”

    Anteriormente, os estados de Illinois e Nova York tinham proibido o uso de elefantes em circos viajantes ou espetáculos. Califórnia e Rhode Island também haviam restringido o uso do “bull hook”, bastão com afiado gancho metálico na ponta, utilizado para conduzir elefantes.

    A lei de Nova Jersey é a primeira a vetar qualquer tipo de animal “exótico”, definido no texto como qualquer espécie de mamífero, pássaro, réptil, anfíbio, peixe, molusco ou crustáceo que não é originária do estado. Além dos circos, a lei também inclui feiras, paradas e eventos ao vivo. A penalidade para infratores pode chegar a US$ 5.000.

    ONGs que atuam em defesa dos direitos dos animais comemoraram a decisão. “Hoje é um grande dia para os elefantes, tigres e outros animais selvagens que são chicoteados e surrados em circos e passam suas vidas aprisionados e acorrentados”, disse uma representante da Fundação Peta.

    A antiga prática de usar animais em circos foi se tornando socialmente inaceitável na segunda metade do século 20 em muitos países. Relatos de maus tratos, confinamento e condições precárias denunciadas por ativistas fortaleceram a causa ao longo dos anos.

    Em 2016, os tradicionais circos americanos Ringling Brothers e Barnum & Bailey transferiram seus elefantes para um centro de conservação na Flórida. Um ano depois, a empresa por trás do Ringling Brothers anunciou que o circo de 146 anos estaria encerrando suas atividades. Paralelamente ao declínio do circo antigo, modelos novos, sem animais, como Cirque du Soleil ou o Circo Zanni, se destacaram.

    Leis pelo mundo

    Legislações de inúmeros países, regiões e cidades vêm acompanhando a tendência.

    De acordo com o site da ONG Stop Circus Suffering (pare com o sofrimento do circo, em tradução livre), entre os países que já baniram totalmente a presença de animais em circos estão Bolívia, Cingapura, Costa Rica, Grécia, Israel e Itália.

    Em muitos outros, a proibição se restringe a animais selvagens, sendo permitidas espécies domésticas, ou só para algumas categorias de animais selvagens. Há também um grande número de países em que as legislações de proibição existem apenas no âmbito regional e local, como Argentina, Estados Unidos, França e Reino Unido.

    É o caso do Brasil, onde animais são vetados nos seguintes estados: Goiás, Alagoas, Espírito Santo, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraíba, Paraná, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e São Paulo.

    Um projeto de lei de 2006, que substituiu diversas propostas anteriores, propõe banir o “emprego de animais da fauna silvestre brasileira e exótica na atividade circense em todo o território nacional”. Ainda aguarda votação.

     

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