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A música que deu início à estética gótica dos anos 1980

‘Bela Lugosi's Dead’, do grupo britânico Bauhaus, estabeleceu as bases de uma das subculturas mais influentes da época. Música é comemorada com relançamento

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    Lançada em 1979, a música “Bela Lugosi’s Dead”, da banda inglesa Bauhaus, é considerada o ponto de partida da estética gótica no pop e rock. Prestes a completar 40 anos, a faixa foi reeditada em edição especial por um selo americano.

    Single de estreia da banda, a icônica canção foi gravada em uma única sessão, segundo ex-integrantes. A sonoridade era inusitada. O ritmo foi gerado selecionando a opção “bossa nova” em uma bateria eletrônica barata. Os efeitos na guitarra vieram dos ensinamentos do dub jamaicano. A linha de baixo parece descer em direção a uma catacumba mal iluminada. A voz sepulcral fala sobre morcegos deixando o campanário porque Bela Lugosi está morto.

    Bela Lugosi foi um ator húngaro que se notabilizou por seu papel como conde Drácula, em um clássico filme americano de terror de 1931. Morto em 1956, sem nunca conseguir se dissociar do personagem, Lugosi foi enterrado com roupas de Drácula por iniciativa do filho e da esposa.

    Foto: Reprodução
    bela lugosi's dead
    Capa do single de 'Bela Lugosi's Dead', de 1979
     

    David J, baixista do Bauhaus, teve a ideia para a letra da música depois de assistir ao “Dracula” com Lugosi na televisão. Em um telefonema para o guitarrista Daniel Ash: “acabamos falando sobre o filme que tínhamos visto pela primeira vez e amamos. Inclusive o lado kitsch, com o morcego de borracha!”, disse ao site Dangerous Minds.

    A música gótica

    O termo “gótico” já tinha sido usado por críticos musicais. E, de Velvet Underground a Joy Division, não foram poucas as bandas de rock que lidaram com atmosferas melancólicas e sentimentos de prostração. Mas foi só na década de 1980 que “gótico” passou a significar uma vertente do rock e uma subcultura urbana, com códigos definidos.

    O quarteto Bauhaus, que durou de 1979 a 1983, liderou a tendência. Trazia em suas músicas várias das características associadas a essa estética, como as guitarras distorcidas, o ritmo seco, os vocais agoniados e o clima de desespero. Ecos de David Bowie, Iggy Pop e Lou Reed eram evidentes. A temática podia conter de referências bem-humoradas à ficção de terror, caso da própria “Bela Lugosi’s Dead”, a cenários existenciais dolorosos, como em “Dark Entries”.

    Depois da separação, os membros do Bauhaus gestaram muitos projetos subsequentes, entre os quais se destacam a carreira solo do vocalista Peter Murphy e as bandas Tones on Tail e Love & Rockets, com outros ex-integrantes. A banda se reagruparia em 1998 e entre 2005 e 2008.

     

    A influência do som do Bauhaus reverberou pelas décadas seguintes, absorvida por nomes como Smashing Pumpkins, Nine Inch Nails, Marilyn Manson, Massive Attack e Sepultura. Fora da música, o quadrinista inglês Neil Gaiman se baseou em Murphy para criar os traços de um dos personagens de sua graphic novel “Sandman”.

    Dark e gótico

    “Gótico” serviu para definir movimentos e linguagens distintos ao longo da história, desde a arquitetura de igrejas europeias da Idade Média a uma vertente literária romântica do século 19, baseada em terror e morbidez, de obras como “Frankenstein”, de Mary Shelley, e os contos do escritor americano Edgar Allan Poe.

    Também chamada de “dark” no Brasil, a subcultura gótica se tornaria uma das mais influentes dos anos 1980, um destaque do período conhecido como pós-punk. Sob a sua capa, residiram alguns dos artistas mais marcantes da década, como The Cure, Siouxsie & the Banshees, Sisters of Mercy, Cocteau Twins e Nick Cave (quando era vocalista do Birthday Party).

    O visual gótico se caracterizava por roupas pretas volumosas, adereços de renda de bilros, cabelos desgrenhados e maquiagem pesada (para homens e mulheres). Com seu ar poético e excêntrico, a estética gótica se mostrou atraente a públicos jovens alternativos em todo o mundo.

    No Brasil, porões dançantes como  Madame Satã (São Paulo) e Crepúsculo de Cubatão (Rio de Janeiro) viraram locais para onde convergiam os adeptos locais, encapotados mesmo nas altas temperaturas do verão local.

     

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