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Quais as ameaças à tranquilidade do mercado americano

Medo de recessão e diferentes tensões na relação com a China influenciaram em queda brusca de bolsas nos Estados Unidos durante a semana

     

    O mercado de ações nos Estados Unidos vem passando por um período de instabilidade. Desde outubro, os três principais índices de ações do país vêm oscilando de maneira brusca, com quedas acentuadas e recuperações rápidas.

    O Dow Jones é o índice mais tradicional do mercado americano, reúne as ações das 30 principais empresas do país. O Nasdaq é voltado para empresas de tecnologia e o S&P 500 é o mais amplo dos três. Apesar de serem bastante diferentes, no segundo semestre de 2018 os três têm tido comportamento semelhante.

    Entre julho e o fim de setembro, os índices mantiveram certa estabilidade. A oscilação passou a ser mais forte a partir de outubro.

    Movimentos irregulares e parecidos

     
     
     

    Diferença entre o ponto mais baixo e mais alto do índice desde outubro:

    10,5%

    Variação do Dow Jones

    16%

    Variação do Nasdaq

    11%

    Variação do S&P

    A primeira semana de dezembro foi um bom exemplo do comportamento do preço das ações nos últimos meses. O mercado abriu na segunda-feira (3) sob o efeito da trégua na guerra comercial entre Estados Unidos e China, anunciada no domingo. Mas já na terça-feira, com ruídos na relação entre os dois governos, os preços começaram a cair.

    A queda brusca que se deu desde então se refletiu em mercados de todo o mundo. Na Europa, as bolsas caíram na quinta-feira em Londres, Paris e Frankfurt. No Brasil, o Ibovespa, principal índices de ações do país, também caiu entre terça e quinta-feira.

    A oscilação do preço de ações no mercado americano têm explicações estruturais e conjunturais. Não é possível dizer que elas explicam completamente o movimento dos mercados, mas o Nexo mostra como elas influenciam os preços.

    Medo da recessão

     

    A economia americana vem crescendo e gerando emprego nos últimos anos, o que é uma boa notícia. Mas isso possivelmente significa também que uma recessão pode estar se aproximando.

     

    Com a economia definitivamente recuperada da crise de 2008, o Banco Central dos Estados Unidos está elevando os juros por lá (antes as taxas foram praticamente zeradas para incentivar a recuperação da economia). Os juros mais altos são uma trava ao crescimento econômico, a fim de evitar um processo inflacionário, e por isso investidores temem que o ciclo de expansão esteja chegando ao fim.

     

    Os preços das ações são definidos de acordo com a valorização esperada para as respectivas empresas. A partir do momento em que os investidores passam a acreditar que vai haver uma recessão em breve - e que as empresas vão lucrar menos no futuro - diminui o valor que eles estão dispostos a pagar pela empresa, ou  por uma fatia dela, como é o caso da ação. Se muita gente acredita que a empresa vai lucrar menos, o preço da ação cai. Além disso, se a taxa de juros está em alta, o custo de capital das empresas aumenta, o que por si só reduz o valor das ações.

     

    Relação Trump e China

    O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fechou uma trégua na guerra comercial com a China no fim de semana. A trégua, apesar de não ter tido detalhes divulgados, animou a economia americana, que temia uma guerra comercial.

     

    Mas durante a semana Trump passou a usar seu Twitter para mensagens que foram vistas como ameaças à China. Em uma delas, o presidente disse que os dois países fechariam um “negócio de verdade” ou não haveria nenhum tipo de acordo.

    “Ou teremos um NEGÓCIO DE VERDADE com a China, ou nenhum acordo -  e a partir disso estaremos cobrando tarifas substanciais contra o produto chinês que está sendo enviado para os Estados Unidos. Em última análise, acredito que estaremos fazendo um acordo - agora ou no futuro... a China não quer tarifas!”

    Donald Trump

    Presidente dos Estados Unidos

     

     

    Os investidores temem uma guerra comercial entre as duas maiores economias do mundo porque acreditam que ela pode limitar o crescimento mundial, e mais especificamente o das empresas americanas exportadoras. Por isso, toda vez que a relação entre Trump e Xi Jinping tem problemas, a tendência é que as ações de empresas americanas percam valor.

     

    Prisão de executiva

    As incertezas sobre a trégua na guerra comercial ficaram ainda mais fortes na quarta-feira (5), quando foi divulgada a notícia da prisão da executiva chinesa Meng Wanzhou. Wanzhou é diretora financeira da Huawei, maior empresa chinesa de tecnologia.

    A Huawei fabrica smartphones, equipamentos de telecomunicações e redes de transmissão em diversos países, inclusive no Brasil. Os Estados Unidos vêm tentando restringir a atuação da Huawei e proibiram que a empresa atue na construção de infraestrutura de rede 5G no país.

    A prisão aconteceu no sábado, no Canadá, a pedido dos Estados Unidos. Coincidentemente, aconteceu no mesmo dia em que Trump e Xi Jinping se reuniram em Buenos Aires para acertar a trégua.

    A acusação é de que a executiva tenha violado sanções impostas pelos Estados Unidos para o comércio com o Irã. Os americanos já pediram a extradição.

    Além de diretora financeira, Wanzhou é filha de um dos fundadores da gigante chinesa e um símbolo na empresa. O governo chinês passou a exigir a libertação da executiva, o que não aconteceu.

    “O lado chinês deixou claras as posições para os Estados Unidos e o Canadá e pediu que esclareçam o motivo da detenção e libertem imediatamente a pessoa detida e que salvaguardem seriamente os direitos e interesses legais e legítimos dessa pessoa ”

    Geng Shuang

    porta-voz do governo chinês

    Em audiência na justiça canadense, Wanzhou foi formalmente acusada de ter participado do esquema de violação das sanções. Donald Trump não comentou o assunto em seu Twitter.

     

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