A procura por aparelhos menos digitais, segundo esta pesquisa

Levantamento do governo britânico afirma que a venda de celulares que não se conectam à internet cresceu mais que a de smartphones naquele país

     

    Uma análise feita em agosto de 2018 pelo Escritório de Comunicações do governo do Reino Unido indica que, em média, a população do país checa seu celular a cada 12 minutos. Nos primeiros cinco minutos depois de acordar, 40% dos adultos afirmam que espiam o celular. Entre as pessoas com menos de 34 anos esse número chega a 65%.

    Um estudo chamado “Uma década de dependência digital” analisou dados do comportamento da população no Reino Unido desde a entrada dos celulares Iphone e Android no mercado do país, em 2008. De lá para cá, o número de pessoas que possuem um smartphone saltou de 17% para 78%. Entre jovens entre 16 e 24 anos, esse número chega a 94%. A dependência de tecnologia se tornou tão atual que ganhou até um nome: nomofobia.

    A preocupação com o excesso de conectividade trouxe uma consequência inesperada: o aumento na compra dos chamados “dumbphones” (telefones burros, em tradução livre). Esses aparelhos deixam de ter muitas funções que levam o usuário a procrastinar no smartphone, como por exemplo a conexão com a internet, mantendo apenas os usos de um dispositivo tradicional, como ligar e enviar mensagens.

    A pesquisa, publicada pelo jornal britânico Independent, indica que enquanto os smartphones tiveram um aumento de vendas de 2% no último ano, os celulares que não se conectam à internet cresceram 5% no mercado.

    Ao jornal, Tanya Goodin, autora do livro “Stop Staring at Screens” (pare de olhar para telas, em tradução livre), afirmou que esse comportamento de troca de celulares tecnológicos para “dumbphones” é uma conduta cada vez mais frequente, em uma tentativa de ganhar um “respiro do constante ataque de informações” do mundo digital.

    “À medida que as plataformas de software trabalham mais e mais para manter nossos olhos colados em nossas telas e a força de vontade simplesmente não funciona, parece que todos nós percebemos que desligar completamente é a única maneira de fazer uma pausa”, diz.

    Tempo digital

    Um relatório feito pela Nielsen Total Audience Report analisou os primeiros 4 meses de 2018 para calcular o tempo médio que adultos americanos gastam em mídias (celular, computador e televisão).

    O trabalho apontou que metade do dia dos americanos é gasto olhando para telas — cerca de 11 horas por dia. No caso de jovens adultos de até 34 anos, 29% do tempo em mídias é só com o uso de aplicativos no celular.

    A escolha por um “dumbphone” vem, segundo Goodin contou ao Independent, do medo de perder o que está acontecendo nas mídias sociais enquanto você está desligado. “É uma das razões pelas quais são usadas compulsivamente e isso pode levar a sintomas que têm sido associados ao vício como afastamento, preocupação e perda de controle.” Esse medo também ganhou um nome: fear of missing out ou FoMo (medo de perder algo, em tradução livre). 

    Usar um celular sem acesso à internet é uma das maneiras de controlar a frequência do uso e, consequentemente, lidar com o FoMo. A preocupação com a síndrome é alta, o que justifica o aumento na procura por esses aparelhos analógicos ou menos tecnológicos. Em 2016, a revista americana Time publicou uma reportagem para ajudar a superar a FoMo, e um estudo da Texas A&M University sobre o tema afirma: é a sua vida que você está perdendo.

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