Ir direto ao conteúdo

O que muda com a chegada oficial do Spotify a países árabes

Disponível no Brasil desde 2014, o serviço de streaming de música entrou em regiões do Oriente Médio e norte da África em 2018

    Temas
     

    Em novembro de 2018, o maior serviço de streaming musical do mundo chegou a regiões do Oriente Médio e norte da África. São 13 novos mercados incluídos no serviço, como Egito, Emirados Árabes Unidos, Tunísia e Arábia Saudita, que agora usufruem oficialmente da plataforma. Com a entrada, o Spotify atinge a marca de 78 países cadastrados ao redor do globo.

    O aplicativo já registrava acessos nessas regiões de maneira extraoficial. Os cadastros eram baseados em países das imediações, como os da Europa, nos quais o registro já estava disponível. Agora, porém, é possível que artistas e ouvintes criem cadastros vinculados aos seus locais de origem, tanto para contas gratuitas quanto para assinaturas pagas.

    444,3 milhões

    é a população do Oriente Médio e norte da África

    40 milhões

    de músicas catalogadas no Spotify

    87 milhões

    de assinantes pagos

    As playlists árabes

    A incursão tardia do aplicativo oferece, a partir de agora, a navegação  em língua árabe (que é lida da direita para a esquerda) e playlists com curadorias específicas para cada região, assim como existe no Brasil.

    O Spotify também está investindo no acesso global ao conteúdo em língua árabe. A seção Arab Hub, divulgada no blog da empresa, reúne uma coleção de playlists de música árabe disponíveis para qualquer usuário da plataforma. A movimentação faz parte da iniciativa Global Cultures, que já tem uma playlist latina, por exemplo, e incentiva a busca por conteúdo internacional.

    “[A música árabe] será ainda mais acessível, e de acesso mais fácil até para árabes na diáspora ou outros clientes interessados em música fora de sua região. E talvez o próximo ‘Despacito’ ou outro hit global possa surgir de uma região árabe, o que seria muito emocionante”, disse o diretor do Spotify na Europa, Oriente Médio e África, Michael Krause, em entrevista à BBC.

    Além da seleção que tenta contemplar a diversidade musical da região no imenso guarda-chuva da seção árabe, estão disponíveis compilados específicos de alguns países, como Síria - que ainda não tem acesso ao serviço -, Egito e Marrocos. Nessas listas também é possível acessar a produção de artistas na diáspora, como é o caso do rapper palestino radicado no Canadá Belly. A canção “Immigrant”, em parceria com inglesa M.I.A, tem destaque  na lista “Palestine Sounds” (sons da Palestina, em tradução livre).

    Novos mercados do Spotify

    1. Arábia Saudita
    2. Argélia
    3. Bahrein
    4. Egito
    5. Emirados Árabes Unidos
    6. Jordânia
    7. Kuwait
    8. Líbano
    9. Marrocos
    10. Omã
    11. Palestina
    12. Qatar
    13. Tunísia

    A corrida do streaming pelos países árabes

    Plataforma sueca, o Spotify não é a primeira no mercado de streaming de música no Oriente Médio e na parte norte da África. Ela competirá com o serviço libanês Anghami, sediado em Beirute, que opera na região desde 2012.

    A americana Apple Music também já tem atividade em alguns dos países acessados pelo Spotify.

    E, em outubro de 2018, a francesa Deezer também chegou a localidades árabes, com planos de abrir uma sede regional em Dubai nos próximos meses. Em agosto de 2018, a empresa recebeu um aporte de US$ 185 milhões  principalmente de investidores sauditas. Entre eles, a Rotana, maior gravadora do Oriente Médio, com a qual a Deezer fechou um acordo de exclusividade.

    Em entrevista à BBC, o diretor do Spotify no Oriente Médio e norte da África Claudius Boller disse que a região representa uma oportunidade inexplorada. “É também a segunda população mais jovem do mundo, e com os últimos números e estatísticas que temos sobre a penetração do smartphone - e a penetração da internet -, vemos que agora é a hora certa para lançar o Spotify e tornar o serviço disponível naquela região.”

    Como mostra a reportagem, o Oriente Médio representa um grande potencial de crescimento para empresas de tecnologia, sobretudo pelo aumento das conexões de banda larga móvel, o que favorece o mercado de serviços de streaming.

     

    A Palestina no radar da música global

    A chegada do Spotify ao Oriente Médio muda a relação da música feita por artistas palestinos com o mercado global, já que eles ainda não tinham disponível um grande programa de streaming específico para seus territórios. O acesso à internet móvel em alta velocidade, no entanto, ainda é incipiente na Cisjordânia e na Faixa de Gaza, o que limita os usos da plataforma.

    A região é marcada  por instabilidades em razão do conflito com Israel. A disputa ocorre pelo menos desde 1948, quando o Estado israelense foi fundado. Embora uma resolução da ONU de 1947 determinasse a criação de dois Estados - um judaico e outro palestino -, isso nunca ocorreu. Os israelenses tiveram seu país reconhecido, mas os palestinos, até hoje, não inteiramente.

    Por isso a abertura para assinaturas e postagem de conteúdo já tem gerado impacto entre os artistas da região, como mostra a agência Reuters. É o caso do cantor palestino Bashar Murad, radicado em Jerusalém Oriental, área anexada por Israel em 1967. “Como artistas palestinos, enfrentamos muitas restrições. Alguns não podem viajar para se apresentarem em outro país”, disse à agência de notícias britânica. “Depois do lançamento, meus seguidores mensais [no Spotify] aumentaram de 30 para algo como 6.500”.

    Playlists para seguir

     

    Todos os conteúdos publicados no Nexo têm assinatura de seus autores. Para saber mais sobre eles e o processo de edição dos conteúdos do jornal, consulte as páginas Nossa Equipe e Padrões editoriais. Percebeu um erro no conteúdo? Entre em contato. O Nexo faz parte do Trust Project. Saiba mais.

    Mais recentes

    Você ainda tem 2 conteúdos grátis neste mês.

    Informação com clareza, equilíbrio e qualidade.
    Apoie o jornalismo independente. Junte-se ao Nexo!