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Como estes esforços diminuíram o risco de extinção de 4 espécies

Apesar de não serem representativos da tendência geral de extinção de espécies, alguns conservacionistas têm defendido que se ressalte os esforços que têm dado resultados positivos

 

A Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas da IUCN (sigla em inglês para União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais) aponta que mais de 26,5 mil espécies, ou 27% das que constam em sua análise, estão ameaçadas. O crescimento populacional da humanidade, a exploração de recursos naturais, a transformação de habitats selvagens em cidades, lavouras ou pastos e as mudanças climáticas decorrentes do efeito estufa estão entre os fatores que fazem com que a extinção acelerada de espécies continue a ocorrer.

A atualização de novembro de 2018 da lista da entidade enfatiza, no entanto, determinadas ações de conservação que foram capazes de frear o processo de desaparecimento de algumas espécies, e fizeram com que o risco fosse rebaixado na escala de nove pontos utilizada pela entidade.

Criada em 1964, a lista é a principal referência internacional para acompanhamento da queda populacional de espécies de seres vivos, assim como seu risco de desaparecimento definitivo no mundo.

Apesar de não serem representativos da tendência geral, alguns conservacionistas têm defendido que os casos de sucesso sejam ressaltados. A preservação do habitat de determinadas espécies beneficia também outras que vivem em seu entorno. Por isso, esforços para salvar uma espécie beneficiam outras.

Em entrevista concedida em abril de 2018 ao jornal britânico The Guardian, Mike Hoffman, membro da Sociedade Zoológica de Londres e um dos organizadores do Congresso pelo Otimismo Conservacionista afirmou: “certamente é verdade que a biodiversidade no mundo está despencando, mas temos que nos perguntar qual seria a situação se não houvesse áreas protegidas, se não houvesse Convenção sobre o Comércio Internacional das Espécies da Fauna e da Flora Selvagens Ameaçadas de Extinção [assinada em 1973 em Washington, hoje abrange mais de 170 membros], e se não houvesse patrulhas anticaça na África”.

Como funciona a classificação por grau de ameaça

Pouco preocupante

Ou LC (do inglês “least concern”) é a categoria de risco mais baixo, empregada para quando se considera que há abundância da espécie de seres vivos, bem distribuídos em seus habitats, segundo descrição em um artigo do site especializado em meio ambiente O Eco.

Quase ameaçada

Ou NT (do inglês “near threatened”), a nomenclatura é empregada quando se detecta um processo de diminuição populacional que provavelmente fará com que a espécie passe para uma categoria considerada “ameaçada” em algum nível. A nomenclatura “ameaçada” é, por sua vez, composta por três níveis de risco.

Vulnerável

Ou VU (do inglês “vulnerable”), é o termo mais brando da classificação das espécies ameaçadas, usado quando pesquisas indicam que há risco elevado de extinção se não houver melhoras das condições que permitam a sobrevivência e reprodução da espécie.

Em perigo

Ou EN (do inglês “endangered”), é o segundo nível mais grave de ameaça, usado quando pesquisas indicam que a espécie provavelmente será extinta em um futuro próximo.

Criticamente em perigo

Ou CR (do inglês “critically endangered”), é a categoria de maior risco dentro os animais ameaçados, levando em consideração apenas a sua existência em ambientes naturais, e não em cativeiro. Ela inclui os animais que enfrentam risco “extremamente elevado” de extinção na natureza.

Extinta na natureza

Ou EW (do inglês “extinct in the wild”), é usado para quando não é possível encontrar nem ao menos um único espécime em ambiente natural. O ser vivo continua a existir, porém apenas em cativeiro.

Extinto

Ou EX (do inglês “extinct”) é aplicado quando pesquisas indicam que já não há espécimes do ser vivo no planeta.

Dados insuficientes

Ou DD (do inglês “data deficient”) é usado para quando não há informações o suficiente para fazer uma avaliação sobre o risco de extinção.

Não avaliada

Ou NE (do inglês “not evaluated”) é usado quando uma espécie não foi submetida aos critérios de avaliação.

4 espécies que têm se recuperado

Baleia-comum

A caça de baleias-comuns (Balaenoptera physalus) no século 20 fez com que sua população caísse até próximo à extinção. Nas décadas de 1970 e 1980, no entanto, tratados internacionais determinaram a suspensão da caça desses animais, encontrados em todos os oceanos.

Entre 2006 e 2008, a população de baleias-comuns já havia subido para 62 mil animais, fazendo com que seu status fosse modificado para vulnerável.

Baleia cinza

As baleias cinzas, ou Eschrichtius robustis, passaram por um processo similar, mas ainda possuem uma população extremamente reduzida. Em 2007 havia cerca de 120 espécimes. Em 2018, o número aumentou para entre 170 e 180. O aumento ocorreu especialmente no oeste do Oceano Pacífico. Em nota, Randall Reeves, especialista da entidade no que diz respeito à conservação de cetáceos, afirmou que “esforços de conservação devem continuar até que as populações [de baleias] não estejam mais ameaçadas”

Gorilas-das-montanhas

Presente em Uganda, Ruanda e na República Democrática do Congo, o gorila-das-montanhas, ou Gorilla beringei beringei, é uma das subspécies de gorilas-do-oriente. Em 2008 havia apenas 680 animais restantes, o que fez com que a população fosse classificada como “criticamente ameaçada” de extinção. Medidas drásticas de conservação foram, no entanto, adotadas para lidar com o problema. Entre elas, proteção por guardas armados e a remoção de armadilhas. Hoje, o número subiu para 1.004 gorilas, o número mais alto já registrado para a subespécie, o que fez com que seu status fosse rebaixado para apenas “ameaçado”.

O relatório da IUCN destaca, no entanto, que as florestas em que os gorilas vivem são cercadas por áreas agrícolas, populações em expansão e riscos de conflitos civis. Esses fatores, assim como a introdução de doenças por humanos, como o vírus ebola, continuam a arriscar os gorilas-das-montanhas.

Girafa de Rotschild

A girafa de Rotschild, de nome científico Giraffa camelopardalis rotschildii, é encontrada principalmente em Quênia e Uganda. Em 1960, foram contabilizados 2.500 exemplares da espécie. Entre 2006 e 2009, essa população caiu para cerca de 500, e em 2010 a espécie foi categorizada como ameaçada. Medidas de preservação foram tomadas, dentre as quais a reintrodução de grupos de animais em determinadas regiões do Quênia. Hoje, há cerca de 1.470 indivíduos maduros e o status da espécie foi rebaixado para “quase ameaçado”.

A queda de populações pelo mundo

O acompanhamento da IUCN passou a ocorrer com base no diagnóstico de que a atividade humana tem acelerado a extinção de espécies no planeta. Estimativas publicadas em 2016 por entidades de defesa do meio ambiente apontaram que a população total de animais despencou 58% entre 1970 e 2012, e que esse ritmo de desaparecimento está se acelerando.

Uma pesquisa publicada em maio de 2018 estima que a ação humana tenha contribuído para a queda, pela metade, da massa das plantas.

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