Ir direto ao conteúdo

As esculturas hiper-realistas deste artista sul-coreano

Com obras extremamente detalhadas e questionamentos sobre o corpo ‘normal’, Xooang Choi recupera movimento dos anos 1960 e conquista exposições individuais ao redor do mundo

    Temas
    Foto: @xooang/Instagram
    Os detalhes e a combinação entre o hiper-realismo e surrealismo destacam Choi entre os artistas sul-coreanos.

    Nascido em Seul, na Coreia do Sul, Xooang Choi expressa a forma humana em suas esculturas de maneiras pouco convencionais. Usando como matérias-primas papel, madeira, argila polimérica, tinta e resina, o artista quer chamar atenção internacional para a arte asiática, especialmente a de seu país.

    Mesmo que o autor negue a influência, suas obras são comparadas a cenas de filmes de terror, com esculturas que imitam peles costuradas, cabeças de animais em corpos humanos, em diálogo com o atropomorfismo, e expressões de sofrimento. “Se a pessoa se sente desconfortável física ou psicologicamente quando vê meu trabalho, eu diria que ele cumpriu seu papel”, disse Choi, em uma entrevista ao canal CNN.

    Segundo uma reportagem da Vice, Choi distorce o corpo humano, evocando questões de gênero e identidade e “nos desafiando a pensar sobre os limites da forma humana”. Outros artistas asiáticos trabalham com esculturas que se pretendem hiper-reais, porém com algo surpreendente — um pescoço mais longo, corpos em expressões ousadas, protuberâncias e reentrâncias incomuns, poros dilatados e dimensões desproporcionais em determinados órgãos e membros. Para eles, a hiper-realidade é um modo de questionar o que é considerado normal.

    As esculturas de Choi levam em média de 2 a 5 meses para ficarem prontas e possuem tamanhos variados. Os detalhes e a combinação entre hiper-realismo e surrealismo destacam Choi entre os artistas sul-coreanos. O trabalho do artista o levou a exposições em diversos lugares do mundo, como Bélgica, França, China e Estados Unidos, desde 2005. Em 2017, Choi ganhou uma mostra na galeria Galeria Doosan, em Nova York. Em vídeo, é possível visualizar algumas das obras expostas. 

    Foto: koreanartistproject.com/Reprodução
    Ilhota do tipo Asperger VI (The Islet of Asperger Type, Ⅵ), de Xooang Choi
     

    Em entrevista à BBC, Choi conta que sentia que as pessoas estão perdendo o senso de identidade e individualidade na sociedade, “com as gerações mudando drasticamente, especialmente na Coreia do Sul”. O país tem uma história turbulenta: com a separação entre as Coreias do Sul e do Norte em 1947, a Coreia do Sul tornou-se  uma democracia somente em 1987. Hoje o país é visto como uma potência econômica mundial de cultura internacionalmente reconhecida, mas passou sérias crises econômicas, que o artista lembra como “as pessoas perdendo o valor da vida”, então se sentiu compelido a fazê-las confrontar a própria existência.

    Ainda à BBC, Choi diz que apesar da aparente melancolia de seu trabalho, é uma pessoa otimista. “Tudo que eu vi acontecer na história e a recente sociedade coreana me faz ter uma fé monumental de que as pessoas são capazes de encontrar um equilíbrio antes que a sociedade se torne opressivamente monstruosa.”

    O hiper-realismo

    Como movimento artístico, o hiper-realismo surgiu no final da década de 1960, em cidades como Nova York e Califórnia, nos Estados Unidos. Os artistas que se filiavam a essa corrente estética propunham uma volta ao realismo e ao figurativismo nas artes plásticas, em oposição ao abstracionismo dos anos anteriores. Também é conhecido como foto-realismo, tal o mergulho no registro meticuloso das formas e cores.

    Nas palavras do crítico francês Gilles Aillaud, os hiper-realistas “fazem quadros que parecem fotografias”, de acordo com informações da Enciclopédia Itaú Cultural. Em um momento posterior, a captura da realidade em instantâneos, usando imagens elementos banais do cotidiano também carrega uma crítica à vida veloz e super consumista da modernidade.

    Todos os conteúdos publicados no Nexo têm assinatura de seus autores. Para saber mais sobre eles e o processo de edição dos conteúdos do jornal, consulte as páginas Nossa equipe e Padrões editoriais. Percebeu um erro no conteúdo? Entre em contato. O Nexo faz parte do Trust Project.

    Já é assinante?

    Entre aqui

    Continue sua leitura

    Para acessar este conteúdo, inscreva-se abaixo no Boletim Coronavírus, uma newsletter diária do Nexo: