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A trajetória dos empregos com carteira assinada nos últimos anos

Brasil completa o décimo mês seguido criando vagas formais, mas ainda está longe de atingir patamar de antes da crise

    O Ministério do Trabalho anunciou na quarta-feira (21) que o Brasil fechou o mês de outubro com 57.773 vagas de emprego formais abertas. O número, apurado no Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), mostra o saldo, a diferença entre o número de vagas criadas e fechadas no período.

     

    Apesar de positivo, o resultado de outubro foi pior do que o do mesmo mês em 2017. No ano anterior, foram criadas quase 87 mil vagas, o que faz o resultado de 2018 ser 34% menor. Nos anos em que o Brasil esteve em recessão, principalmente em 2015, o saldo do mês foi negativo.

    Os mesmos meses

     

    O que há de mais consistente no resultado de outubro é o fato de ele ampliar a sequência de resultados positivos do Caged. Com as 57 mil vagas de outubro, o Brasil completou dez meses consecutivos criando mais postos do que fechando. Todos os meses de 2018 tiveram saldo positivo.

    O ano

     

    O resultado foi comemorado pelo presidente Michel Temer, que escreveu no Twitter que o Brasil está "no rumo certo". No acumulado do ano, o país criou 790 mil vagas de emprego formal, e a maioria delas está no setor de serviços.

    Em que setores

     

    O efeito sazonal

    A criação de vagas nos dez primeiros meses do ano é um dado positivo, mas também esperado. Isso porque o mercado de trabalho no Brasil tem um comportamento que é afetado pela sazonalidade. O histórico de dados do Caged mostra que o melhor período para a criação de vagas costuma ser entre março e novembro.

    Os dados também mostram que o pior mês do ano, para o Caged, ainda está por vir: dezembro. Desde 2003, pelo menos, o último mês do ano é de fechamento maciço de vagas.

     

    Em 2017, foram mais de 300 mil vagas encerradas em dezembro. O resultado negativo de um único mês colocou a perder todo o saldo positivo acumulado até então. A boa notícia é que, em 2018, o patamar de vagas criadas é maior do que o do ano anterior.

    Melhor que 2017

     

    O efeito da sazonalidade fica ainda mais perceptível quando se compara uma série histórica maior. Dezembro é, historicamente, um mês de corte de vagas no Caged porque é quando são encerrados os contratos de trabalho temporários feitos para atender a demanda do fim de ano. Os trabalhadores são contratados ao longo do segundo semestre para atender à demanda para o Natal e despedidos em dezembro.

    Desde 2013

     

    No gráfico, as curvas mais discrepantes representam os anos de 2015 e 2016, auge da recessão econômica e da crise do mercado de trabalho brasileiro. Naqueles anos, diferentemente dos outros, o Brasil fechou vagas de emprego durante todo o ano. Mesmo assim, em dezembro o saldo foi ainda mais negativo.

    Quantos trabalhadores formais tem o Brasil

    Os dados anteriores mostravam o saldo, que é a variação no número de empregos formais no Brasil. Mas o governo também divulga o chamado “estoque”, que é o total de brasileiros trabalhando formalmente no país.

     

    Em outubro de 2014, eram 41,3 milhões de pessoas com emprego formal. Naquele momento, apesar de o país já ter, tecnicamente, entrado na recessão, o mercado de trabalho ainda não tinha sido afetado – o que começou a acontecer fortemente a partir de 2015.

     

    Agora, quatro anos depois, o estoque de empregos formais ainda é bem menor. Houve um ganho em relação a 2017, mas ainda faltam quase três milhões de vagas formais para se atingir o patamar de 2014.

    Patamar menor

     

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