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A escola rural do Tocantins que ganhou um prêmio de arquitetura

Projeto brasileiro que atende a mais de 500 crianças de baixa renda da região procurou estimular a valorização de tradições e do entorno

 

Uma escola interna na zona rural de Tocantins venceu um prestigioso prêmio de arquitetura internacional. Conhecida como “Aldeia das Crianças”, a instituição foi projetada pelos arquitetos Gustavo Utrabo e Pedro Duschenes, do escritório Aleph Zero, de Curitiba, em parceria com o designer Marcelo Rosenbaum, que atua em São Paulo.

Situada na localidade de Canuanã, no município de Formoso do Araguaia, a 223 quilômetros de Palmas, a escola mantém em regime de internato 540 alunos. Ela faz parte da rede de instituições mantida pela Fundação Bradesco em diversas partes do país.

“Ambiente excepcional desenhado para melhorar as vidas e bem-estar das crianças da escola”, declarou Ben Derbyshire, presidente da Riba (Instituto Real de Arquitetura Britânica), entidade que conferiu o prêmio.

 

O projeto venceu na categoria internacional da premiação, superando, na seleção final, competidores como um edifício residencial considerado uma “floresta vertical” em Milão, na Itália, uma universidade de Budapeste, na Hungria, e uma escola de música em Tóquio, no Japão.

A construção acumula prêmios nacionais e estrangeiros, entre eles o de projeto vencedor no 4º prêmio de arquitetura Instituto Tomie Ohtake AkzoNobel e no American Architecture Prize 2017 - categoria Habitação Social.

Como é a escola

A instituição fica em uma fazenda pertencente à fundação, ocupando 25 mil m² do terreno. Seus alunos e alunas são crianças e adolescentes entre 13 e 18 anos, a faixa etária atendida no edifício premiado da Escola Canuanã. Além das dependências para atividades educacionais e de lazer, o prédio conta com dormitórios para todos os estudantes, cada um para seis pessoas.

 

No total, 840 alunos estudam na Aldeia das Crianças. Vêm de famílias pobres, em uma região marcada por conflitos de terra e disparidades sociais agudas. “Impacto social significativo” está na descrição dos atributos que projetos indicados ao prêmio Riba devem ter.

A construção privilegiou materiais e técnicas locais. Devido ao isolamento da escola, a opção de fazer caminhões de cimento trafegarem por longas distâncias foi descartada.

De acordo com o site da empresa dos arquitetos, as paredes usaram “blocos de terra compostos de solo local”, processo que remete a modos de construção tradicionais da região. A estrutura da escola, caracterizada por muita abertura, foi montada com madeira laminada colada, que permite cobrir vãos espaçosos. Apesar do calor impiedoso, a escola não usa ar condicionado devido à ventilação natural possibilitada pelo layout.

Uma preocupação do projeto foi estimular nos alunos a consciência do valor de suas tradições e do seu entorno. “O desafio foi convencer estudantes e professores que terra, tijolos e lenha pudessem representar progresso – que ser moderno não precisava significar vidro, aço e ar condicionado”, explicou Utrabo ao jornal britânico The Guardian.

 

Além da construção premiada, o complexo inclui também um prédio para crianças menores, refeitório, um pequeno hospital e alojamentos para funcionários da fazenda e professores.

A Fundação Bradesco mantém a escola desde 1973 para alunos dos ensinos fundamental, médio e profissionalizante.

O que é o Riba

O instituto britânico de arquitetura foi fundado em 1834 para o “progresso geral da arquitetura civil”. Hoje, é uma organização global, com 40 mil membros. Apesar do “real” no nome, não é vinculado nem mantido pelo Estado britânico.

O prêmio internacional da associação estreou em 2016. O vencedor foi outro projeto latino-americano: o prédio da universidade Utec, em Lima, Peru. Com periodicidade bienal, é um de cinco prêmios que o Riba confere anualmente. Entre os outros estão o de “casa do ano”, dado aos melhores projetos residenciais do Reino Unido.

Em sua apresentação, a entidade destaca ser comprometida com um “meio ambiente sustentável” a ao combate à escravidão moderna e o tráfico de seres humanos.

 

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