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Por que Oxford elegeu ‘tóxico’ como palavra do ano

Variedade de contextos em que o termo vem sendo usado foi decisiva para a escolha. Inicialmente, cogitava-se ‘masculinidade tóxica’

 

A cada ano, o departamento da Universidade de Oxford, que é responsável pela elaboração de dicionários, o Oxford Dictionaries, elege uma palavra de língua inglesa como “palavra do ano”. Em 2018, a palavra eleita foi tóxico (“toxic”).

Em 2017, a palavra escolhida foi “youthquake”, termo que faz referência a  uma mudança cultural, política ou social significativa provocada pelas ações ou influência de pessoas jovens. No ano anterior, a palavra foi pós-verdade, expressão que se confirmou essencial para a compreensão do debate político a partir dali. 

“Tóxico” foi selecionada a partir de uma lista que continha palavras de conotações políticas como “gaslighting”, que designa a prática sexista de, por meio de manipulação psicológica, levar uma mulher a acreditar que está louca; e “incel”, abreviação de “involuntariamente celibatário”.

Nos últimos anos, homens que se reivindicavam como membros do grupo incel, uma comunidade virtual masculina que tem em comum a inabilidade de convencer mulheres a terem relações sexuais com eles, cometeram atentados com dezenas de vítimas, em sua maioria mulheres.

A ideia, ao fazer esse anúncio anualmente, é indicar uma palavra que reflita “o ethos, o clima ou as preocupações” daquele ano, além de ressaltar o fato de que o idioma está sempre em transformação.

Aplicação múltipla

Não se trata de uma comemoração dos 15 anos do hit da cantora Britney Spears: a palavra foi escolhida por causa da proliferação recente de contextos em que tem sido usada.

Tanto no sentido mais literal, para se referir à poluição que afeta o meio ambiente, quanto para caracterizar discursos políticos e pelo movimento #MeToo, contra o assédio, que atribui o comportamento sexual desrespeitoso e predatório de alguns homens à “masculinidade tóxica”.

Além disso, segundo a página do Oxford Dictionaries, o número de buscas no site do dicionário foi 45% maior em 2018.

Em entrevista ao jornal The New York Times, a chefe das edições americanas do dicionário, Katherine Connor Martin, afirmou que a comissão responsável cogitou, a princípio, eleger “masculinidade tóxica”, mas optou pelo adjetivo isolado ao levar em conta o quanto seu uso se tornou abrangente e generalizado no último ano.

Palavras que acompanham ‘tóxico’

  1. Produto químico
  2. Masculinidade
  3. Substância
  4. Gás
  5. Ambiente
  6. Relacionamento
  7. Cultura
  8.  Lixo
  9. Algas
  10. Ar

Na língua inglesa, segundo Martin, os usos metafóricos de “tóxico” começaram a se expandir mais intensamente a partir da década de 1980, sobretudo nas páginas de livros de auto-ajuda.

Mas foi em 2018 que seu uso explodiu, impulsionado principalmente pelo conceito de masculinidade tóxica.

Etimologia

No inglês, a primeira aparição do termo data de meados do século 17, vinda do latim medieval “toxicus”, que significa envenenado, impregnado de veneno. 

Por sua vez, o vocábulo do latim medieval tem origem grega: vem de “toxikon pharmakon”, veneno letal que era esfregado nas pontas das flechas dos gregos antigos. O curioso é que “tóxico” não deriva da palavra grega para veneno – pharmakon –, mas de toxikon, que vem de “toxon”, palavra grega que significa arco.

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