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Por que a Faixa de Gaza está em guerra novamente

Conflito iniciado há 70 anos ganha novo capítulo após incursão militar israelense e revide de foguetes lançados por grupo armado palestino

 

Israelenses e palestinos inauguraram no domingo (11) um novo capítulo no conflito armado que se estende por 70 anos no Oriente Médio, e cujas consequências transbordam para toda a região. A escalada da violência é a mais intensa desde 2014.

Ela teve início depois que forças especiais de Israel realizaram uma nova incursão na Faixa de Gaza. Como resultado, seis palestinos foram mortos.

De acordo com o governo de Israel, os palestinos eram combatentes do Hamas, que controla a Faixa de Gaza desde 2007. O Hamas nega a existência do Estado de Israel, por quem é considerado um grupo terrorista.

Após o ataque em solo palestino, o automóvel em que estavam os militares israelenses foi perseguido pelas ruas da Faixa de Gaza. A saída, de volta para Israel, só foi possível com proteção de fogo aéreo. Foi quando um oficial israelense envolvido na operação foi morto e outro, ferido.

 

A imprensa de Israel tratou o episódio como uma ação de inteligência que teria saído de controle. “O objetivo da operação não era sequestrar ou matar membros do Hamas”, disse Jonathan Conricus, porta-voz dos israelenses. Forças especiais costumam entrar em Gaza disfarçadas para instalar equipamentos de vigilância e monitoramento. No Twitter, as IDF (sigla que, em português, significa Forças de Defesa Israelenses) foram lacônicas sobre a operação.

Qual a resposta palestina

Na segunda-feira (12), pelo menos 370 foguetes foram disparados da Faixa de Gaza na direção de Israel, em retaliação pela incursão ocorrida na noite anterior.

De acordo com as forças israelenses, pelo menos cem desses foguetes foram interceptados pelo sistema de defesa chamado Domo de Ferro. Outros, entretanto, caíram sobre seu território.

A maioria dos foguetes lançados contra Israel tem pouca ou nenhuma acuidade – o que significa que eles não diferenciam alvos militares de bens civis. Um desses foguetes, no entanto, foi identificado posteriormente como uma munição antitanque mais avançada. Ela atingiu um ônibus no sul de Israel, deixando um militar de 19 anos gravemente ferido.

A tréplica nesse conflito veio com uma série de bombardeios aéreos realizados por aeronaves israelenses contra a Faixa de Gaza. O local é densamente povoado. Com frequência, bombardeios destroem bens civis e matam civis palestinos, tanto quanto os foguetes palestinos caem sobre civis israelenses.

Dos dois lados do conflito, a população civil tenta se proteger como pode. Sirenes soaram em Israel e os moradores foram orientados a seguir para abrigos antiaéreos. Na Faixa de Gaza, onde a proteção é menor, prédios inteiros foram destruídos. A sede da emissora de televisão Al-Aqsa, ligada ao Hamas, foi bombardeada.

Agências de notícias reportavam até a tarde desta terça-feira (13) pelo menos dois mortos por bombardeios em Gaza. Do lado israelense, um jovem palestino que trabalhava na cidade israelense de Ahskelon tamb��m foi morto.

Qual a história do conflito

A disputa na região ocorre pelo menos desde 1948, quando o Estado de Israel foi fundado, a partir de uma resolução do ano anterior, aprovada pela ONU (Organização das Nações Unidas). Embora a resolução determinasse a criação de dois Estados – um judaico e outro palestino – isso nunca ocorreu. Os israelenses tiveram seu país reconhecido, mas os palestinos, até hoje, não inteiramente.

Desde o início, a existência de Israel sempre foi combatida pelos Estados vizinhos árabes. Ainda em 1949, Egito, Síria, Líbano, Jordânia e Iraque atacaram o recém-criado Estado israelense. 

Depois de um ano de conflito, foi estabelecido um armistício. Os países adotaram uma Linha Verde para marcar as fronteiras na região. Israel expandiu seu território original após esse conflito. O Egito passou a controlar a Faixa de Gaza. A Jordânia ficou com a Cisjordânia. O que, originalmente, seria a Palestina, se fragmentou.

Uma nova guerra eclodiu em 1967, a chamada Guerra dos Seis Dias, opondo Israel ao Egito, à Síria e à Jordânia. Os israelenses passaram, dessa vez, a ocupar a Faixa de Gaza e outros territórios. Essa ocupação israelense sobre Gaza só se encerraria em 2005.

Dois anos depois, em 2007, o Hamas passou a controlar a Faixa de Gaza, depois de atacar outro grupo palestino local, o Fatah, considerado mais moderado por ser mais político e menos militar. O Fatah controla a Cisjordânia.

Gaza, já sob controle total do Hamas, seria pesadamente atacada em 2009, 2012 e 2014 por Israel. E, novamente no domingo (11) e na segunda-feira (12), inaugurando mais uma volta na espiral de violência na região.

Em todo esse período, houve enfrentamentos letais, mas de menor escala. Desde março de 2018, por exemplo, mais de 200 palestinos foram mortos por forças israelenses ao tentarem voltar para territórios hoje ocupados por Israel.

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