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O projeto que resgata a arquitetura destroçada da Somália

Projeto faz reconstituição de importantes prédios da capital Mogadíscio, arruinados depois de décadas de guerra civil

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    A paisagem de Mogadíscio, capital da Somália, é marcada por ruínas. Décadas de guerra civil deixaram um rastro enorme de edificações danificadas, total ou parcialmente. Estruturas rachadas, tetos despedaçados e paredes cravejadas de buracos de bala são visões comuns na cidade.

    Quando Yusuf Shegow visitou a cidade em 2013, depois de dez anos exilado na Inglaterra com a família, a quantidade de estilos arquitetônicos presentes nas ruínas chamou sua atenção. “O que havia aqui antes?” era uma pergunta que ele acabou se fazendo a todo momento.

    O então estudante de arquitetura passou a pesquisar fotografias antigas na tentativa de recompor a paisagem destruída. As muitas fases da história do país foram se revelando por meio de diferentes arquiteturas, da influência islâmica ao período colonial sob o domínio da Itália.

     

    Em 2015, ele começou a usar as fotos que havia reunido para fazer modelos arquitetônicos tridimensionais dos prédios. O projeto se desenvolveu e atraiu outros arquitetos somalis morando no exterior. Com representantes na Itália, Reino Unido e Estados Unidos, a plataforma Somali Architecture foi criada.

    No site do projeto, um vídeo faz um tour virtual pelas ruas da capital, destacando marcos importantes como o Farol de Mogadíscio e o Teatro Nacional. Na simulação, os edifícios aparecem como modelos tridimensionais. Alguns deles podem ser examinados individualmente, por meio de um aplicativo que permite a visualização em diferentes ângulos.

     

    O trabalho da equipe foi levado a uma exposição dentro da bienal de design de Londres, com imagens e maquetes da cidade.

    Em entrevista ao site City Lab, Shegow explicou que a proposta do projeto não é apenas olhar para o passado da cidade, mas ajudar a inspirar ações para o futuro.

    O projeto tem apoio de diversas entidades, incluindo o banco somáli Premier Bank e a prefeitura de Mogadíscio.

    No site, há textos explicativos sobre os locais. O Teatro Nacional, por exemplo, foi um presente do líder chinês Mao Tsé-Tung em 1967. O local serviu de pólo da cena cultural da cidade por décadas. Com a guerra civil, a partir de 1991, acabou abandonado e destruído. Em 2012, foi reaberto. Pouco depois, durante um evento esportivo oficial realizado no local, um atentado a bomba matou autoridades do esporte e representantes do Comitê Olímpico do país.

     

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