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Os super-heróis humanizados de Stan Lee, morto aos 95

Quadrinista criou personagens icônicos como Homem-Aranha, Hulk e X-Men, com dilemas pessoais e falibilidade humana

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“Personagens de carne e osso reais, com personalidade”, disse o quadrinista Stan Lee uma vez. “É isso que toda história deveria conter, mas os quadrinhos não tinham isso até aquele momento. Eram todos como figuras de papelão.”

Por meio de personagens como Homem-Aranha, Pantera Negra, X-Men e o Quarteto Fantástico, Stan Lee revolucionou os quadrinhos ao trazer tipos com dilemas pessoais e falibilidade humana para o mundo dos super-heróis. Lee morreu em 12 de novembro de 2018, aos 95 anos.

A causa da morte ainda não foi confirmada. Lee tinha sofrido de pneumonia e problemas de visão recentemente.

O sucesso das histórias que roteirizou ou supervisionou na capacidade de publisher da Marvel Comics foi responsável pela construção de uma das marcas mais bem-sucedidas e reconhecíveis da cultura popular contemporânea.

Personagens como Hulk, Homem de Ferro e Demolidor fazem parte do imaginário de várias gerações, em vários países do mundo. Vários destes personagens tiveram relevância renovada nas últimas duas décadas graças a exitosas adaptações das sagas de super-heróis para o cinema e televisão.

As histórias do Homem-Aranha foram as pioneiras nessa abordagem “humanizada”. Peter Parker, identidade real do super-herói, era um adolescente nerd que sofria bullying na escola e na faculdade, enfrentava problemas financeiros e tinha de cuidar de sua tia May. As histórias sempre mostravam as dificuldades que a vida dupla representava para Parker. Além de tudo, seu trabalho como Homem-Aranha era mal visto pela polícia e alvo de críticas por parte de um tablóide sensacionalista.

Já os X-Men eram um grupo de estudantes mutantes, com poderes especiais, que eram atacados e perseguidos por serem “diferentes”. “Sempre achei que os X-Men, de um modo sutil, frequentemente abordavam o assunto do racismo e da desigualdade”, ele declarou ao Washington Post em 2017.

 

Outro herói de Lee em sintonia com as discussões do tempo era o Pantera Negra, criado com o desenhista Jack Kirby. O personagem surgiu em meio a conquistas defendidas pelo movimento dos direitos civis, liderado por Martin Luther King, Jr. A segregação ainda era a norma em muitos estados americanos, e inúmeras leis estaduais proibiam a integração racial em escolas ou no casamento.

O faz-tudo

Filho de imigrantes judeus romenos, Stan Lee começou a trabalhar com quadrinhos aos 16 anos. Aos 18, já era editor na Timely Comics, empresa que depois se tornaria a Marvel. Durante a Segunda Guerra, participou de um esforço de criação de material de propaganda ao lado do diretor Frank Capra e de Theodor Geisel, criador do personagem infantil Dr. Seuss.

Com o sucesso de suas criações, Lee se tornou uma figura proeminente na Marvel, responsável pelo roteiro, direção de arte e edição da maior parte dos títulos da editora. O quadrinista também passou a publicar nas revistas uma espécie de coluna de opinião chamada “Stan’s Soapbox”, onde abordou temas como racismo e preconceito.

Lee se tornaria a face pública da Marvel. Em 1972, foi alçado ao posto de publisher da editora. Sua atuação contribuiu para mudar a percepção que se tinha dos quadrinhos de super-heróis, antes considerados material apenas para divertimento de crianças.

O sucesso da Marvel

Na década de 1980, a antiga editora de quadrinhos tinha se tornado um milionário empreendimento multimídia, a Marvel Entertainment. Em 2009, a Disney comprou a empresa por US$ 4 bilhões. Stan Lee tinha deixado a empresa em 1998, mas permaneceu como “presidente emérito”, um título decorativo.

Seus anos finais foram problemáticos. Em julho de 2017, morreu Joan, esposa de Lee por 69 anos. Depois disso, o quadrinista entrou na justiça contra ex-sócios em uma empresa que fundou depois de sair da Marvel. E em junho de 2018, foi divulgado que ele estava sendo acusado de assédio sexual por enfermeiras que cuidavam dele.

ESTAVA ERRADO: A primeira versão deste texto grafou de forma incorreta o nome de tia May, personagem dos quadrinhos do Homem Aranha. Além disso, afirmava que o super-herói sofria bullying na faculdade. Na realidade, Peter Parker sofria bullying desde o colégio. As informações foram corrigidas às 09h30 e às 14h18 de 13 de novembro de 2018.

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