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A disparidade de gênero no mapa das cidades latinas

Grupo formado por mulheres voluntárias lança projeto que identifica logradouros e incentiva uma maior participação feminina na geografia dos países

     

    Um site desenvolvido por um grupo de voluntários do mundo todo, o OpenStreetMap, mapeia e atualiza dados sobre estradas, trilhas, cafés e estações ferroviárias, por exemplo, em diferentes cidades do mundo. O acesso ao site é gratuito. Fundado em 2004, o OpenStreetMap realiza desde 2007 uma conferência anual, o “State of Map”, para que os mapeadores voluntários se encontrem, com palestras, painéis e workshops.

    Uma versão latina da conferência teve sua primeira edição em 2015 e, em novembro de 2016, quando São Paulo sediou o evento, o grupo resolveu falar sobre a diferença entre os gêneros na própria comunidade de voluntários da OpenStreetMap: estima-se que só 3% dos colaboradores sejam mulheres. Em busca de aumentar esse número e trazer mais mulheres para a rede, foi criado o Geochicas.

    Voltado a mulheres na América Latina e não-latino-americanas falantes de espanhol, a iniciativa já lançou 4 projetos: uma pesquisa de gênero da comunidade OpenStreetMap, espaços de treinamento para ensinar novas participantes como operar no site, o “Mulheres Mapeando o Mundo”, lançado no dia das mulheres de 2018 para dar visibilidade para o trabalho de mulheres que moldaram o mundo, e “Rua das Mulheres”, um mapa interativo que busca tornar visível a lacuna existente na representação de figuras femininas nas cidades.

    Em seu site oficial, o grupo Geochicas diz que tem como objetivo promover o debate sobre o papel das mulheres nos espaços da comunidade de tomada de decisão, a participação das mulheres em atividades comunitárias e representar os interesses femininos na geografia dos países.

    No mapa do projeto “Rua das Mulheres” você pode, por enquanto, observar as disparidades de nomes de ruas dedicados a homens e mulheres em algumas cidades de 7 países diferentes: Argentina, Uruguai, Peru, Bolívia, Paraguai, México e Espanha. Além disso, outra informação é em relação à quantidade de mulheres homenageadas em ruas que também possuem uma biografia de sua trajetória no Wikipédia.

    É possível aproximar o mapa em cada uma das cidades e observar os cruzamentos, que possuem cores diferentes para quando as ruas homenageiam cada gênero, tornando ainda mais visual a disparidade entre eles. Para as mulheres homenageadas nas ruas que possuem o artigo no Wikipédia, o mapa fornece um link que redireciona para suas histórias.

    O grupo é formado somente por voluntárias e conta com o apoio de empresas, organizações, da própria comunidade OpenStreetMap e de duas universidades, na Argentina e no México. As responsáveis pela formação do mapa “Rua das Mulheres” são 5 mulheres latinas, e defendem que, com a iniciativa, querem “criar uma nova história de forma colaborativa, e, assim, dar ênfase à importância das mulheres, de suas lutas e conquistas através do espaço público e espaço digital”. Para contribuir com o mapa é preciso se cadastrar, mas o acesso é livre e está disponível em 3 línguas: inglês, espanhol e português.

    ESTAVA ERRADO: A primeira versão deste texto usava o termo não-latinas para se referir a mulheres fora da América Latina. Na realidade, o termo correto é não-latino-americanas. O texto foi corrigido às 18h43 de 13 de novembro de 2018.

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