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Por que o maior organismo vivo do mundo está morrendo

Estudos indicam que floresta de milhares de anos localizada no oeste dos Estados Unidos corre risco de desaparecer

    Pando vem do latim e significa “eu me espalhei”. O nome foi dado a uma floresta após cientistas descobrirem que cada uma das mais de 47 mil árvores álamo-trêmulo (Populus tremuloides) de um bosque são geneticamente idênticas à uma primeira planta, que “clonou-se” e vem fazendo isso há centenas de anos. O Pando fica no Fishlake National Forest em Utah nos Estados Unidos e é também chamado de “o bosque de uma única árvore”.

    O álamo é capaz de se reproduzir tanto por sementes como por brotamento. Os brotos crescem nas próprias raízes da planta; por isso o álamo é caracterizado como sendo capaz de “autoclonagem”. As árvores podem passar dos 25 metros de altura e de 60 centímetros de diâmetro. Existem outros bosques formados por “clones”, mas Pando é o mais extenso: segundo estimativa do Departamento Florestal dos Estados Unidos, o organismo pesa cerca de 13 milhões de toneladas.

    Ainda de acordo com o Departamento Florestal dos Estados Unidos, a idade exata do primeiro clone é difícil de calcular, mas estima-se que tenha surgido no final da última era glacial, há mais ou menos 8 mil anos.

    Apesar de muito antigo, o Pando foi pouco estudado, tendo sido  reconhecido por pesquisadores somente na década de 1970 e, mais recentemente, comprovado por geneticistas. Seu enorme tamanho, de cerca de 106 acres, peso e idade pré-histórica lhe deram a fama mundial de maior organismo vivo do mundo, abrigando uma alta biodiversidade de plantas e animais. Não existe nada em tamanho e idade como o Pando no planeta.

    Risco de extinção

    Um estudo publicado em outubro de 2018 pela revista acadêmica americana Plos ONE, produzido pela Universidade Estadual de Utah, descobriu que Pando vem diminuindo de tamanho há décadas, não sendo mais capaz de substituir plantas que morrem por novas espécies na mesma velocidade.

    A equipe pesquisou o solo da floresta e estudou 72 anos de fotografia aérea para desenvolver uma história temporal de como a formação  mudou devido ao aumento de pastos de animais na região e da interferência do homem.

    O geólogo Trevor Nace, em texto publicado na revista Forbes, explica que  nos meses de verão é autorizada a pastagem de veados e gado, que se alimentam de brotos e folhas novas, provavelmente limitando o crescimento de novos álamos. Além disso, acampamentos, trilhas, cabanas e outras ações do homem fizeram com que Pando diminuísse de tamanho nos últimos 50 anos.

    O autor do estudo, o geólogo americano Paul Rogers, afirmou em entrevista para a BBC que “é como se [Pando] fosse uma cidade de 47 mil habitantes, e todos tivessem 85 anos”. Rogers ainda acredita que nos próximos 10 anos o tamanho do bosque terá diminuído de forma significativa.

    “Se pudermos salvar isso, podemos aprender lições que podem nos ajudar a salvar centenas de milhares de espécies em todo o mundo”, disse Rogers ao jornal americano The New York Times. E termina: “se não conseguirmos controlar esses 106 acres e restaurá-lo, o que isso diz sobre nossa relação com a Terra?”.

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