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Como o Google quer contribuir para o fim do console de games

Nova plataforma vai oferecer streaming de jogos. Tecnologia dispensa hardware, mas pede conexão de internet mais veloz

     

    A próxima fronteira do streaming serão os videogames de alta definição. É o que pretende o Google por meio de sua nova plataforma ProjectStream.

    Disponível apenas para testes nos Estados Unidos, a ferramenta tem como objetivo disponibilizar jogos de alta qualidade em aparelhos conectados, dispensando a necessidade de consoles como Xbox e PlayStation.

    O teste está sendo feito com o jogo “Assassin’s Creed Odyssey”, lançado em 5 de outubro de 2018, pela desenvolvedora Ubisoft.

    Em um post oficial, o Google explicou que a transmissão em tempo real de games deste tipo constitui um desafio maior que o vídeo. “Durante o streaming de televisão ou filmes, os consumidores estão confortáveis com alguns segundos de ‘buffering’ no começo”, mas jogadores de game não aceitarão interrupções ou degradação de imagem.

    Outros gigantes da tecnologia, como Microsoft e Sony, também vêm desenvolvendo projetos de streaming de games

    O projeto é direcionado a conexões de internet de 25 megabits por segundo. No Brasil, é uma velocidade de conexão a que uma minoria tem acesso. Em 2017, um estudo da Akamai, empresa americana de serviços de internet, divulgou que a velocidade de internet média do país é de 6,4 Mbps, colocando o país na  85° colocação no mundo.

    No ano seguinte, um estudo da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) indicou que a velocidade máxima não passa de 5 Mbps em 2,2 mil municípios do país.

    Rumo à nuvem

    A Ubisoft, empresa francesa que tem 26 estúdios de desenvolvimento de games em 19 países, já aposta na “morte do console”. Em entrevista à Variety, seu CEO Yves Guillemot, declarou que só deverá haver mais uma geração de consoles de jogos antes de seu fim.

    “Há boas chances de que, aos poucos, iremos ver cada vez menos hardware”, afirmou. “Com o tempo, o streaming se tornará mais acessível a muitos jogadores, tornando desnecessário ter hardware grande em casa.”

    Outros gigantes da tecnologia também vêm desenvolvendo projetos de streaming de games. A Microsoft, fabricante do XBox, anunciou seu Project XCloud na mesma época da estreia do serviço do Google. A ideia é que jogos possam ser operados em diversos aparelhos, parando a atividade em um dispositivo e retomando em outro do mesmo ponto.

    O PlayStation Now, da Sony, também oferece um catálogo online de games, que podem ser transmitidos para o computador ou o console.

    Desenvolvedores de games tem usado cada vez mais servidores na nuvem para lidar com a parte mais pesada do processamento, aliviando o console ou computador do usuário.

    Preservação de games

    Há quem não goste da tendência. Organizações e indivíduos consideram que o streaming ameaça a memória dos jogos.

    “A ideia de minha biblioteca de games correr o risco de desaparecer com um apertar de botão me deixa extremamente desconfortável”, escreveu Tom Marks, um dos editores do site especializado IGN. “A preservação de games já é uma questão enorme e isso só faz o problema piorar.”

    “O que acontece quando você cancela sua assinatura? Ou quando aquele serviço de assinatura encerrar seus servidores daqui a duas décadas? Ou o acordo de licenciamento expira e seu jogo favorito não tem mais permissão para ser jogado?”, questionou Marks.

     

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