Ir direto ao conteúdo

Como líderes estrangeiros reagem à vitória de Bolsonaro

Trump, Macron, Maduro e Macri estão entre figuras que se manifestaram sobre o presidente eleito do Brasil. Nem todos no mesmo tom

    Jair Bolsonaro deu os primeiros sinais a líderes e governantes estrangeiros na véspera de ser eleito presidente do Brasil. No sábado (27), chegou a publicar mensagens em inglês em seu Twitter e Facebook, visando um público estrangeiro.

    Confirmado o resultado das urnas, no domingo (28), o presidente eleito do Brasil passou a receber mensagens enviadas por líderes internacionais.

    O tom variou de felicitações protocolares a sugestões de início de diálogo sobre temas específicos. Bolsonaro reagiu a parte das mensagens, republicando em suas contas nas redes sociais ou respondendo aos líderes diretamente.

    Entre as principais potências, não houve declaração direta da Alemanha ou do presidente chinês, Xi Jinping — o governo da China parabenizou Bolsonaro por meio do porta-voz do Ministério das Relações Exteriores. O país asiático é o maior parceiro comercial do Brasil e foi criticado por Bolsonaro na campanha.

    A “internacionalização” de Bolsonaro não vem somente depois da vitória eleitoral. Ela se deu, inicialmente, num campo estritamente ideológico. Ele e sua equipe estabeleceram contato com Steve Bannon, americano que lidera o The Movement, grupo que promove pelo mundo o nacionalismo e o populismo de extrema direita. Bannon também foi, entre 2016 e 2017, um dos principais assessores de Donald Trump, presidente dos Estados Unidos.

    Alguns líderes estrangeiros

    DONALD TRUMP

    O presidente dos EUA, no Twitter, parabenizou Bolsonaro, disse que tiveram uma “conversa muito boa” e que os dois concordaram em trabalhar juntos em assuntos comerciais e militares. Bolsonaro respondeu à mensagem no Facebook, Instagram e Twitter. O brasileiro já foi comparado a Trump, em razão de seu discurso extremado. Antes da campanha, Bolsonaro foi aos EUA e participou de um evento com brasileiros no qual chegou a prestar continência à bandeira americana.

    EMMANUEL MACRON

    O presidente da França, por meio de nota, felicitou Bolsonaro, mas adotou um tom de alerta. Disse esperar respeito aos “princípios democráticos” e ao cumprimento do Acordo de Paris sobre o clima, firmado em 2015 e do qual Macron é defensor. Ao longo da campanha, Bolsonaro se mostrou favorável a retirar o Brasil do acordo climático, mas recuou às vésperas do segundo turno. O presidente eleito republicou no Twitter a mensagem de Macron.

    MAURICIO MACRI

    O presidente da Argentina, no Twitter, foi um dos primeiros a dar parabéns a Bolsonaro, em uma mensagem curta na qual pede um trabalho conjunto entre os dois. Macri não mencionou nenhum tema específico. Bolsonaro retuitou a mensagem.

    NICOLÁS MADURO

    O presidente da Venezuela, por meio de nota, parabenizou a população brasileira pela eleição, e não diretamente Bolsonaro. Pediu que haja relações diplomáticas pacíficas entre os dois países, integração regional e não intromissão em assuntos internos. Forte crítico do governo venezuelano, Bolsonaro não se pronunciou sobre a mensagem de Maduro.

    VLADIMIR PUTIN

    O presidente da Rússia, por meio de nota, felicitou Bolsonaro e pediu cooperação nas Nações Unidas, no G20 (grupo com as 20 maiores economias do mundo) e nos Brics (grupo com Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul). No Twitter, Bolsonaro republicou e agradeceu a mensagem. O presidente eleito defende uma política externa focada em acordos bilaterais, em detrimento de órgãos multilaterais, como os citados por Putin.

    BENJAMIN NETANYAHU

    O primeiro-ministro de Israel, no Twitter, deu parabéns e disse ter certeza de que a relação entre os dois países se fortalecerá com Bolsonaro. “Estamos esperando pela visita dele a Israel”, publicou. Os dois também se falaram ao telefone. Bolsonaro agradeceu a mensagem via Facebook, Instagram e Twitter.

    MATTEO SALVINI

    O vice-primeiro-ministro da Itália, no Twitter, desejou bom trabalho a Bolsonaro e afirmou que os brasileiros “mandaram a esquerda para casa”. Bolsonaro retuitou a mensagem. Depois, Salvini, um dos expoentes da extrema direita europeia, também mencionou o caso de Cesare Battisti, ex-ativista italiano com status de refugiado político no Brasil, cuja extradição é apoiada por Bolsonaro. Embora não esteja no mais alto cargo da Itália, Salvini é o político mais influente do país atualmente.

    MARINE LE PEN

    A segunda colocada na eleição presidencial francesa de 2017 e deputada de extrema direita desejou “boa sorte” a Bolsonaro e disse que os brasileiros deram uma resposta à “corrupção generalizada e criminalidade aterrorizante” do período dos governos do PT. Bolsonaro não se pronunciou sobre as mensagens de Le Pen, outra representante da extrema direita europeia.

    Todos os conteúdos publicados no Nexo têm assinatura de seus autores. Para saber mais sobre eles e o processo de edição dos conteúdos do jornal, consulte as páginas Nossa equipe e Padrões editoriais. Percebeu um erro no conteúdo? Entre em contato. O Nexo faz parte do Trust Project.

    Já é assinante?

    Entre aqui

    Continue sua leitura

    Para acessar este conteúdo, inscreva-se abaixo no Boletim Coronavírus, uma newsletter diária do Nexo: