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2º turno: livros na urna, normalidade e aprovação da OEA

Em todo o Brasil, foram registrados apenas incidentes isolados de crimes eleitorais e agressões

    O segundo turno da eleição de 2018, com votações para governadores de 13 estados e Distrito Federal e para presidente da República, transcorreu com normalidade. Foram registrados apenas incidentes isolados de crimes eleitorais e agressões. Parte dos apoiadores do candidato Jair Bolsonaro (PSL) foi votar de verde e amarelo. Eleitores de Fernando Haddad (PT) levaram livros para a urna.

    No Brasil para acompanhar as eleições, a chefe da missão de observação eleitoral da OEA (Organização dos Estados Americanos) e ex-presidente da Costa Rica, Laura Chinchilla, elogiou a tranquilidade da votação do segundo turno. “Estamos positivamente impressionados. Temos democracias menores com ocorrências muito mais altas que as que hoje vemos [no Brasil]”, disse Chinchilla à imprensa.

    O número de ocorrências

    Foram registradas 396 ocorrências com eleitores em todo o Brasil, com 179 pessoas presas. As ocorrências incluem atos como propaganda irregular e tentativas de fotografar a urna. O maior número de detenções aconteceu em Minas Gerais, com 29 casos, depois Pará, com 15, e Amazonas, com 16. Os números são do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), até as 17h deste domingo, no horário de Brasília.

    A substituição de urnas

    A votação teve 4.333 urnas substituídas em todo o território nacional. Esse número representa 0,83% do total de 519.649 urnas em operação no país. Quatro seções tiveram de recorrer à votação manual, com urna de lona e cédulas de papel. As informações são do TSE.

    O juiz Carlos Velloso, ex-presidente do Supremo Tribunal Federal e do TSE rejeitou a possibilidade de fraude no sistema eletrônico de votação, algo recorrentemente aventado por Bolsonaro, mesmo sem base em evidências. Segundo Velloso, o método eletrônico foi introduzido justamente como modo de combater desvios na eleição. O sistema entrou em funcionamento quando ele chefiava o TSE, nos anos 1990.

    “As urnas eletrônicas são absolutamente seguras. Há diversos mecanismos de segurança implantados na urna. Pensar numa fraude em relação à urna é pensar em praticamente metade da Justiça Eleitoral ser corrompida, o que é impossível”, afirmou Velloso.

    Vandalismo em Sorocaba

    Dez urnas foram danificadas em uma escola em Sorocaba (SP). A ação de vandalismo ocorreu antes do início da votação na 17ª seção da 271ª zona eleitoral, na Escola Estadual Humberto de Campos, localizada no Jardim Zulmira.

    Segundo o Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo, a suspeita é de que o crime tenha acontecido de madrugada. Ao chegar ao local de votação pela manhã, mesários encontraram o equipamento com os cabos cortados.

    Brindes irregulares

    Uma vereadora do PSL (Partido Social Liberal) foi presa em flagrante no interior de Alagoas por estar distribuindo lanches e brindes como se fossem do candidato Fernando Haddad (PT). O crime ocorreu no município de Santana do Ipanema, a 206 km de Maceió.

    O carro da vereadora estava cheio de adesivos de Haddad. “Diante do flagrante, a vereadora foi encaminhada à delegacia da cidade”, relatou em nota o promotor de Justiça Luiz Tenório. A vereadora vai ser investigada por compra de votos.

    Agressão à mesária

    No Pará, um eleitor agrediu com um empurrão uma mesária depois de ser advertido de que não podia filmar a urna. O homem estava “denunciando” o fato de que apertava o número 17 e a urna não aceitava sua escolha. Acreditando estar votando para presidente, o eleitor não percebeu que se tratava do voto para governador. O PSL não tem candidato a este cargo no Pará, portanto seria um voto nulo. O vídeo com a denúncia viralizou.

    A mesária chamou a polícia para conter o homem. Quando os policiais chegaram, ele se apresentou como PM da reserva e não foi detido por questão de hierarquia. Segundo nota de Ana Patrícia Fernandes, juíza da 97ª Zona Eleitoral de Belém, foi determinada a busca do indivíduo para sua prisão em flagrante.

    Livros para a urna

    Eleitores de Haddad levaram livros para os locais de votação. O gesto faz referência ao discurso do presidenciável, que disse que o país “precisa de livros, não de armas”. A campanha ganhou o nome de “Livro sim, arma não”.

    Diversos artistas e celebridades aderiram, postando fotos nas redes sociais com suas escolhas de livros. A atriz Taís Araujo mostrou a obra “Um defeito de cor”, de Ana Maria Gonçalves, sobre uma africana idosa que viaja ao Brasil à procura do filho. A atriz Leticia Colin apareceu no Instagram segurando o livro “Insubmissas lágrimas de mulheres”, de Conceição Evaristo.

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